sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sei que riem.

Esses pensamentos torturantes e analíticos fazem-me enlouquecer. Esse meu jeito doentio de sempre pensar o que ninguém pensa, o impossível, o improvável, o diferente. Faz de mim louca, impossível, improvável, diferente. Estranha. Esses olhares tortos lançados sobre mim por onde passo, fazem-me desconfiada de tudo, do mundo. Sei que riem. Por dentro, por fora. Riem-se na sua completa ignorância. Riem-me por saber muito e falar pouco. Pensar demais e expressar-me menos. Riem-se e pensam: "Qual o problema dela?". Meu problema. Dizem assim, como se fosse apenas um problema. Repito, riem-se na sua ignorância de mim, dos outros, de si mesmos. Não se conhecem, se olham no espelho, vêem bonequinhas de plásticos perfeitas. Olham no fundo dos seus próprios olhos, e finalmente tentam enxergar a alma, sua visão é ofuscada por roupas de marca e desejos fúteis. Sem conteúdo, sem profundidade, apenas um lago raso e barulhento.
"Águas calmas são as mais profundas." Por isso prefiro calar-me e sentir. Tenho que admitir; sou profunda demais às vezes. Toda essa profundidade, esse espaço dentro de mim, me faz perder-me dentro da minha própria alma, perder-me em pensamentos bobos.
Mas eles não me conhecem. Eles só conhecem a garota que usa óculos e roupas grandes. A garota que passa as horas lendo. A garota que sorri para todos, mas gosta de poucos. A garota que oferece ajuda, mesmo estando precisando e ninguém ter lhe oferecido. Sim, eu sou essa garota.
Acontece que eu não sou só ela. Eu também sou aquela que pensa, sente, vive, respira, ri-se, chora, canta, dança, escreve... Sou aquela que quer amigos, mas acostumou-se a ser sozinha.
Sou a senhorita Solidão, como vai? Eu vou assim, cercada de pessoas, mais solitárias que eu. Eu tenho a mim mesma, elas não se conhecem, não conhecem o mundo e os seres e as coisas. Estão perdidas, sem saber como agir. Então, riem-se, riem-se, riem-se.
E quando querem chorar de medo...
Riem-se na sua própria solidão.