"Águas calmas são as mais profundas." Por isso prefiro calar-me e sentir. Tenho que admitir; sou profunda demais às vezes. Toda essa profundidade, esse espaço dentro de mim, me faz perder-me dentro da minha própria alma, perder-me em pensamentos bobos.
Mas eles não me conhecem. Eles só conhecem a garota que usa óculos e roupas grandes. A garota que passa as horas lendo. A garota que sorri para todos, mas gosta de poucos. A garota que oferece ajuda, mesmo estando precisando e ninguém ter lhe oferecido. Sim, eu sou essa garota.
Acontece que eu não sou só ela. Eu também sou aquela que pensa, sente, vive, respira, ri-se, chora, canta, dança, escreve... Sou aquela que quer amigos, mas acostumou-se a ser sozinha.
Sou a senhorita Solidão, como vai? Eu vou assim, cercada de pessoas, mais solitárias que eu. Eu tenho a mim mesma, elas não se conhecem, não conhecem o mundo e os seres e as coisas. Estão perdidas, sem saber como agir. Então, riem-se, riem-se, riem-se.
E quando querem chorar de medo...
Riem-se na sua própria solidão.