domingo, 30 de abril de 2017

eu sonhei com voce.

eu sonhei que você beijava outra garota na minha frente e eu olhava tudo de perto e mesmo no sonho a dor foi tão forte que só de lembrar eu quero chorar

eu sonhei que você não gostava mais de mim e eu percebia que seu olhar ficava opaco e não tinha mais brilho quando me via e mesmo no sonho o desespero foi tão grande que só de lembrar eu quero gritar

eu sonhei que você me desprezava e eu chorava na sua frente e você nem se importava e mesmo no sonho eu sofri tanto que só de lembrar eu quero nunca mais sonhar

eu sonhei que você ia embora da minha vida mais do que você já foi de verdade e mesmo no sonho eu ficava tão sem rumo que agora eu nunca mais quero cochilar

sábado, 29 de abril de 2017

NMJ 19.12.16

eu tentei escrever que amei você desde o primeiro contato. eu ia escrever "eu amei você quando você disse sim pro meu pedido de socorro", mas só de escrever essa frase eu fico triste. porque é tão verdade. eu lembro da gente conversando no telefone, eu precisando de ajuda mas você falando daquela menina, porque eu sempre estive ali por você, e você esteve ali por mim. eu lembro da gente sentado na frente do café que não existe mais e eu dizendo, rindo, que te odiava, e você disse "mas eu te amo". e naquela época já tinha acontecido. eu já te amava mais do que era pressuposto que eu te amasse. e a gente já fingia, lembra como a gente fingia? como todo mundo sabia, e a gente sabia, mas a gente fingia. nossos beijos e todo o resto era secreto, até aquela virada do ano, que você resolveu demonstrar, e dançou comigo, você dançou comigo. e eu já dançava com você desde muito antes, mas você só decidiu dançar comigo na virada do ano. e as oito da manhã, quando todos saíram da sua casa, e só ficou eu e você na sua cama, conversando sobre a festa animada, você entrou em mim mais do que literalmente, mais do que figurativamente, mais do que ninguém jamais tinha entrado. esse texto não tem parágrafos porque você não tem espaços em mim. você me preencheu e eu vivi uma obsessão. quando eu passei todos os finais de semana e feriados ao seu lado, limpando oficinas e varrendo folhas, e no mercado as duas da manhã, e segurando sua mão contra a sua vontade, e você entrando e invadindo lugares do meu corpo e da minha alma que eu nunca quis que entrasse, eu sabia que eu tava fazendo tudo errado. e você me alertou de todas as formas, até aquele dia no café da Augusta, onde eu chorei na manga da sua camisa, e você chorou no meu cabelo, e eu soube que você me amaria um dia, mas eu tinha que fazer de uma forma que eu nunca fiz, que não é certa, e nem errada, é a forma de amar. e quando eu fui pro pronto socorro, e quando eu rasguei todo o meu braço, e chorei por sete dias seguidos, amor, eu te amei mesmo assim. quando fiquei gritando no ponto de ônibus, e você me olhando de longe, assustado, sem conseguir ouvir o que eu dizia, eu te amei. e agora tudo faz sentido, porque eu aprendi que na obsessão, eu não te amei e nem me amei, e ontem você pegou na minha mão e chorou do meu lado, dentro do seu carro onde a gente tinha acabado de transar, e você se abriu pra mim e eu invadi lugares da sua alma que você nunca quis que eu conhecesse. e eu te entendi. eu entendi o que você quis dizer com priorizar as prioridades e se cuidar e dar um rumo na vida. e eu te disse tudo que eu deveria ter dito antes, antes do café, antes do pedido de socorro, antes dos telefonemas, antes da virada do ano. e acho que foi a primeira vez que eu, de verdade, te amei. e terminando esse texto, que como todos os outros que eu escrevo pra você não tem pé nem cabeça, eu queria te mostrar ele, queria que você lesse igual quando você leu o primeiro poema que eu escrevi pra você. mas parte do crescimento e do conhecimento que você me deu é saber meus limites e onde eu devo parar. e é aqui que eu paro. o texto é meu e talvez mil pessoas leiam, mas você não está entre elas e você nunca vai saber disso, e talvez você nem se lembre que a primeira pessoa a dizer eu te amo, foi você, na frente do café que não existe mais.

eu disse isso na lapa.

"a dor é um processo natural da vida", eu disse, e todo mundo me olhou daquele jeito, e sorriram meio de lado, como quem vê uma criança descobrir como amarrar os tênis.
e eu me senti uma criança descobrindo como usar o garfo quando aprendi a ficar sozinha, quando aprendi a dormir sem chorar antes, quando descobri que dava pra viver uma vida realmente querendo viver. porque duas décadas da minha vida curtinha e que todo mundo ri quando eu tento agir como se fosse longa, eu passei querendo estar em qualquer universo paralelo onde eu não tivesse que me virar sozinha. eu queria que o mundo acabasse em barranco pra eu morrer escorada, e todo mundo diz isso rindo, mas eu falo bem séria mesmo, com vinco entre as sobrancelhas, porque eu só sei me escorar. em pessoas. em desculpas. em diagnósticos. em medos e dúvidas e pavores.
e eu só sei fugir. eu achava que fugindo da dor eu ia ser feliz mais fácil, me achava muito esperta mesmo por pular os processos de sentir. mas a dor precisa ser sentida. e agora ela veio cobrar a carga horária dela na minha vida, e eu permiti que ela viesse, sem relutância, eu a senti, e foi duro, tão duro quanto uma criança indo ao dentista pela primeira vez ou se perdendo da mãe no mercado. mas passou. e eu entendi, eu finalmente entendi, que tudo passa.

quando eu era pequena, eu me perguntava se um dia eu ia aprender a amarrar os tênis. se um dia eu ia aprender a assobiar. até que eu aprendi.
quando eu me perdi da minha mãe no mercado, eu achei que nunca mais a encontraria. até que ela veio e me deu uma bronca por sair correndo, e me comprou danoninho.
quando eu fui ao dentista a primeira vez, eu achei que ia ter tanto medo que ia sair correndo. até que a moça fez o que tinha que fazer, e me deu um pirulito no final da consulta.

quando me vi sozinha, e quando a dor veio, eu achei que nunca mais ia passar. que nunca mais ia parar. até que passou. e eu saí por aí me sentindo tão adulta, dizendo com a cabeça levantada

a dor é um processo natural da vida.

domingo, 16 de abril de 2017

:(

a maior dor da minha vida
a maior dor que já senti
foi a dor de ter te perdido
da forma que eu te perdi

quando eu senti você indo embora
quando eu vi que não ia dar certo
meu coração quase que berra e implora
fica, fica, fica, mas não era o correto

a dor na alma é tão profunda
que chego a sentir dor no osso
ando por aí parecendo moribunda
você me deixou no fundo do poço

eu tô destruída e dilacerada
não sobrou um pedaço de mim inteiro
você me arruinou, tô despedaçada
será isso o amor verdadeiro?

meus olhos ardem de tanto chorar
meu corpo cansa de tanto maltrato
minha garganta dói de tanto gritar
implorando de você um amoroso ato

eu senti você escorregando
senti seu amor se despedindo
e conforme você ia se distanciando
mais eu ia me despindo

fiquei nua e crua pra você, meu amor
me entreguei de todas as maneiras
e agora eu só sinto a dor
de ter dito tantas besteiras