"Gostaria de pedir a Deus que me desse outra personalidade, uma que não criasse antagonismos com todo mundo." O Diário de Anne Frank
(...)
São Paulo, Itapecerica da Serra, Hospital Santa Mônica, 29/11/2013
Com as roupas no corpo e a alma crua:
Eu sou a Clarice do Legião;
sou fogo, zero paixão;
queimo sem ninguém ver;
ardo e faço sofrer.
Corto com minha lâmina;
cheiro a droga, fumo o que dá.
Ainda to aqui;
nunca chego lá.
Fui internada numa clínica;
oito comprimidos por dia.
Não adianta escrever, gritar, fazer mímica;
ninguém entende a magia.
Quando anoitece e grito pr'a lua;
me restringem, me dopam, fico nua;
com as roupas no corpo e a alma crua.
Me dói, me arde, me sua.
(...)
São Paulo, Itapecerica da Serra, Hospital Santa Mônica, 15/12/2013
Invisível:
Vocês não verão minha sensibilidade;
pois não estou nua, crua, exposta.
Podem perguntar sobre dor, amor, saudade;
e morrerão esperando resposta.
Vocês não verão minha tristeza;
pois não vou chorar, finjo saber sorrir.
E quando elogiam minha beleza;
chorando com a alma, eu vou rir.
Vocês não verão minha parte ruim;
pois para os outros sou toda amores.
Só quem sofre quando chega o fim;
sou eu, sozinha com meus temores.
Vocês também não verão quando eu morrer;
doente, sorrindo; e as pessoas, agradecidas.
Partirei sem ninguém notar ou saber;
de tão falsas e muitas já foram minhas partidas.
E ninguém viu o vê meu sofrimento;
ninguém vê ou lê o que escrevo.
Na calada da noite, meu tormento;
ninguém sabe meu passado, ou o que eu devo.
(...)
terça-feira, 18 de março de 2014
Dois poemas do ano passado.
tem a ver com:
16,
antigos,
Poemas; contos; mimimi; suicídio; 15
quinta-feira, 13 de março de 2014
Brócoli, o gato.
(...)
Eu te encontrei na esquina da av. Paulista com a Brigadeiro, e te abracei tão forte de saudade, de nervosismo, de tesão e de amor. Sentamos lado a lado no café que você escolheu e que eu não pedi nada, e eu queria toda hora uma brecha pra encostar em você. Te apresentei para a minha terapeuta, e acho que foi assim que eu vi que eu to gostando mesmo de você.
Fomos pro seu carro, experimentei seu cigarrinho de tabaco natural com haxixe e gostei tanto, tanto. Te gosto tanto, tanto. O caminho todo a gente conversando e quando seu outro namoradinho te ligou, eu fiquei puta e você riu de um jeito fofo. Bom, acho que foi assim que eu vi que já tava apaixonada por você. Chegamos na sua casinha e eu amei seus gatos (Brócoli, Myuki, Olívia...), quase tanto quanto amei os beijos no seu quarto com sabor do segundo beck de haxixe que fumamos juntas. E sabor de café. E eu odeio café, e você lembrou disso, mas desse jeito eu não me importo. Sua boca é a melhor coisa que eu já provei, meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que você podia ouvi-lo, minha cabeça girava toda hora que sua língua tocava a minha e meus lábios encaixavam nos seus, e foi por aí que eu percebi que quase te amo.
E fomos pro shopping encontrar seu cliente, ele é muito simpático e te avisou que meu signo é difícil e temperamental e você só disse "vamos ver..." e me sorriu, e o mundo inteiro parou como sempre para durante os segundos que dura seu sorriso. E ficamos como um casal conversando com seu cliente tão querido e amável, e eu me senti medíocre demais pr'aquele momento, porque é bom demais, é lindo demais, é filminho-romântico-préadolescente-com-final-feliz demais, sabe? E eu desejei tanto andar no seu carro, beijar sua boca, ir pra sua casa, conhecer suas drogas e ser apresentada como sua amiga para os seus conhecidos, agora eu tenho tudo isso e é surreal porque você é surreal e eu sou louca pelo seu surrealismo mal desenhado e bem programado. Minha interpretação artística nunca foi muito boa porque eu viajo demais, imagino demais, mas acredito que entendi seu quadro muito bem, e me apaixonei. Quando você me deixou no ponto de táxi e me deu o dinheiro pra pagá-lo e comprar uns cigarros, eu agradeci aos deuses por cruzarem sua linha da vida com a minha.
Daí eu lembro dos seus olhos nos meus, nossos rostos à centímetros de distância e eu me sentindo cada vez mais atraída pra perto. Você sorrindo e me beijando, e beijando meu pescoço e rindo quando eu fiquei vermelha, foi mais ou menos nesse momento que eu soube que vai dar tudo certo. Destino nenhum vai ousar se colocar no nosso caminho. Nós fomos feitas pra durar, lindinha.
Eu te encontrei na esquina da av. Paulista com a Brigadeiro, e te abracei tão forte de saudade, de nervosismo, de tesão e de amor. Sentamos lado a lado no café que você escolheu e que eu não pedi nada, e eu queria toda hora uma brecha pra encostar em você. Te apresentei para a minha terapeuta, e acho que foi assim que eu vi que eu to gostando mesmo de você.
Fomos pro seu carro, experimentei seu cigarrinho de tabaco natural com haxixe e gostei tanto, tanto. Te gosto tanto, tanto. O caminho todo a gente conversando e quando seu outro namoradinho te ligou, eu fiquei puta e você riu de um jeito fofo. Bom, acho que foi assim que eu vi que já tava apaixonada por você. Chegamos na sua casinha e eu amei seus gatos (Brócoli, Myuki, Olívia...), quase tanto quanto amei os beijos no seu quarto com sabor do segundo beck de haxixe que fumamos juntas. E sabor de café. E eu odeio café, e você lembrou disso, mas desse jeito eu não me importo. Sua boca é a melhor coisa que eu já provei, meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que você podia ouvi-lo, minha cabeça girava toda hora que sua língua tocava a minha e meus lábios encaixavam nos seus, e foi por aí que eu percebi que quase te amo.
E fomos pro shopping encontrar seu cliente, ele é muito simpático e te avisou que meu signo é difícil e temperamental e você só disse "vamos ver..." e me sorriu, e o mundo inteiro parou como sempre para durante os segundos que dura seu sorriso. E ficamos como um casal conversando com seu cliente tão querido e amável, e eu me senti medíocre demais pr'aquele momento, porque é bom demais, é lindo demais, é filminho-romântico-préadolescente-com-final-feliz demais, sabe? E eu desejei tanto andar no seu carro, beijar sua boca, ir pra sua casa, conhecer suas drogas e ser apresentada como sua amiga para os seus conhecidos, agora eu tenho tudo isso e é surreal porque você é surreal e eu sou louca pelo seu surrealismo mal desenhado e bem programado. Minha interpretação artística nunca foi muito boa porque eu viajo demais, imagino demais, mas acredito que entendi seu quadro muito bem, e me apaixonei. Quando você me deixou no ponto de táxi e me deu o dinheiro pra pagá-lo e comprar uns cigarros, eu agradeci aos deuses por cruzarem sua linha da vida com a minha.
Daí eu lembro dos seus olhos nos meus, nossos rostos à centímetros de distância e eu me sentindo cada vez mais atraída pra perto. Você sorrindo e me beijando, e beijando meu pescoço e rindo quando eu fiquei vermelha, foi mais ou menos nesse momento que eu soube que vai dar tudo certo. Destino nenhum vai ousar se colocar no nosso caminho. Nós fomos feitas pra durar, lindinha.
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