sexta-feira, 25 de julho de 2014

Poesia vagabunda...

Cheia de intenção, chegou
Pegou a atenção, sem reação
Todo amor que tinha, roubou
Manhosa, pura disposição

É foda, ela é linda
Fez efeito, mais que droga
Me pirou com a sua vinda
Papo reto, ela não joga

To tentando entender
A sinceridade com que fala
Fico sem saber o que fazer
Tentei trancar o sentimento na mala
Nao deu
Fodeu
Outra vez
Acho que é a mina três
Me perco sem poder
Só ela quero ver

Sou pior que gaiola
Deixo livre, sim
Mas chego com a viola
Fazendo música sobre o fim
Do que nem começou
Nem sei se vai
Nem sei se vou
Se for, meu mundo cai

Mas aí começou tudo
O sexo, beijo, tu vê
Virou meu mundo
No primeiro "amo você"

Sem estresse nenhum
Tu é calma
Só quero mais um
Beijo na tua alma

Faço da sua cama minha casa
Faço dos seus olhos meu diário
Faço da sua droga minha asa
Enebriada, sem horário

Me fodo depois, nem ligo
Conheci seu mundo, sou sua
Sou mais que seu amigo
Duas da manhã, me tirou da rua

Quero te apresentar
Meus fantasmas do passado
Quero te mostrar
Tudo sobre o meu ex namorado
Quero abrir
Mais do que as pernas, meu bem
Quero sorrir
Quando eu abrir as pernas também

Tu me deixa diferente
Quero mais dez minutos
Horas, dias, anos pra gente
Sem encontros curtos

Me entrego pra vida toda
Eles reclamam, brigam
Que se foda!
Inveja porque não amam

O fogo a gente brinda
E a gente cheira o ar
A terra a gente devora, linda
Pra poder fumar o mar

O sol, você ofende
De tanto que brilha, pobre lua
A madrugada, você defende
Drogada, sai pra rua

Ah, mas eu amo
Eu gosto, eu me jogo
No meio da noite, eu chamo
E tu promete vir logo

Mais um brinde a nós
Leve e sem dor
Finalmente a sós
Brindamos nosso amor

(...)

E eu que sempre fui vagabunda, to aqui tentando ser romântica.

sábado, 19 de julho de 2014

Anedota sobre ouvir "eu te amo de verdade" dela.

Eu te amo tanto que dói. Dói meu corpo, arde meu peito, machuca meus ossos, rasga meus órgãos. (...) Não existe remédio nem tarja preta pra doença que é amar você. (...)
Mas você me ama. Quem se importa de ter câncer se sua garota te ama? E minha garota me ama. Você disse. E eu não quero nunca mais ficar saudável de novo.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Ela me ama e eu tenho doze anos.

Ó, foi por você. Eu não gosto, mas fiz, por você. E você me olhou nos olhos e disse "eu te amo de verdade". E valeu a pena, valeria a pena mais trinta vezes aguentando aquilo que eu não gosto, só pra te deixar feliz. Você me chamando de linda, princesa, elogiando cada pedacinho do meu corpo... Nada se compara, nada te supera.
Eu esperei tanto pra ouvir esse "eu te amo" que agora que você disse tenho vontade de sair correndo pela rua gritando "ela me ama, ela me ama" como uma criança de doze anos. Eu nunca vou desistir de você, eu sou louca por você, completamente apaixonada, você é a mulher que eu amo. Mesmo que todo mundo tente cortar o fio que nos une, ele é forte demais pra se quebrar fácil. Foda-se os outros, o que importa é a felicidade que me invade quando você me olhou de cima e disse que o que sente por mim é forte demais, você sussurrando que me ama, você dizendo que moraria no meio das minhas pernas. O seu sorriso quando eu beijo sua testa, o seus olhinhos brilhando quando eu disse que te amo muito, você dizendo que amava me ver de pertinho. Eu te amo.
Eu te amo e eu finalmente pude falar isso. Pode ter dado muito ruim depois, na minha casa, com todo mundo dizendo que foi errado passar a noite aí... Podem ter gritado e brigado comigo, mas nada me abala e ninguém nesse mundo é mais feliz do que eu, porque você me ama, e nada mais importa.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Cigarro é caro, mas ela é mais.

Eu tava pensando nela e nos motivos dela ter fugido. Tava sentada no banquinho que nem é mesmo um banquinho, com o quarto cigarro pela metade na mão, querendo jogar ele fora porque ja tava me dando dor de cabeça. Mas cigarro é caro e eu tenho um vício, não dá pra jogar fora. Igual ela, que ta me dando dor de cabeça mas é valiosa demais pra jogar fora e eu tenho que ir até o fim porque to viciada no perfume doce e no olhar distante.
Comecei a sentir dor nas costas, mas continuei parada olhando para o nada soltando distraídos "boa tarde" quando um vizinho passava. Queria terminar de ler meu livro aberto no meu colo, mas a leitura de certo parágrafo foi o que me lembrou dela e me deixou devaneando sobre seus motivos de fugir e sumir. O celular do meu lado não parava de apitar mensagens de colegas falando sobre minha melhor amiga que também sumiu e provavelmente vai cometer suicídio em breve. E eu não sei o que fazer. Todo mundo na minha vida some e morre. Eu quero cuidar dela (que na verdade é plural, elas) mas nem sei cuidar de mim.
Ainda com a coluna doendo por algum motivo desconhecido, terminei o cigarro e acendi outro. Eu nem queria outro. Mas é um vício. Eu nem queria vê-la. Mas seu sumiço... Ela é meu vício mais caro e prejudicial, supera os seis e cinquenta e o câncer. Porque ali, sentada, pensando nela, eu percebi que não era minha coluna que tava doendo. Era meu peito. Um vazio. Uma dor que em quatro anos de fumante eu nunca tive. Mas em oito meses dela eu tinha frequentemente. Não é câncer, é pior.  É amor. E o fim. Amar ate o fim, o fim até o amor. Chorar tanto que começa a rir da própria superficialidade.  Que piegas, sofrer por amor. Que clichê, sofrer por ela. Qhe patético,  sofrer pelo amor dela.
Que dolorido. Pensar nela.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Mais um blá, blá, blá sobre amor.

"Kiss me like you wanna be loved."

(...)

Você sempre vai me fazer chorar porque não tem a decência de me declarar a razão dos seus sorrisos. Não sei, não sou.
Eu vou terminar. Vou, sim. Chega dessa palhaçada.  Ou vai ou fica. Ou gosta ou não gosta. Aqui é oito ou oitenta.
E chega. Eu não precisoe de você... mas eu quero tanto. Tanto.

Eu te amo. 
Eu te amo
eu te amo
Eu te amo tanto
E ut ea mo.

Só de escrever, dói.

Ana Carolina,
Você é uma filha da puta porque eu te amo e to aqui falando abertamente, e o único tipo de se abrir pra mim que você faz é quando estamos sem roupas.(...)






...............desculpa

Eu nem fiz nada mas eu sou sempre a errada então quem sabe se eu te pedir desculpas volta a ficar tudo bem entre a gente.

terça-feira, 27 de maio de 2014

E você diz, daquele seu jeito.

Eu queria ter a decência e a consciência de não complicar e fazer nó em laço, mas eu sou paranóica e qualquer visualização não respondida me deixa a flor da pele. Eu queria saber aplicar minha falta de noção do perigo nos meus relacionamentos, mas quando o assunto é sentimento eu tenho noção demais do que é e do que pode ser. Eu queria não ter descoberto todas as análises críticas dos meus leitores fictícios,  mas achei aquele arquivo morto na minha cabeça e li todos os comentários nojentos dignos de processo por danos morais. Eu queria não ser essa louca da intensidade, da malícia tão bem disfarçada na feição inocente.
Quem me dera não sangrar sozinha,  quem me dera conseguir chorar toda essa mágoa camuflada de frieza. Quem me dera não ser a personagem autodestrutiva e carente da nossa história,  mas aí você diz daquele seu jeito:
- Eu gosto tanto de você.
E quem me dera me satisfazer com o gosto, eu sempre quero mais, eu preciso do amo. Quem me dera não pensar nisso tudo e me fazer perder o sono por medo de deixar de ter o que eu nem tenho.
E sentir meu peito afundar quando seus caracteres não preenchem minhas expectativas malucas; e querer deixar as unhas crescerem pra poder arrancar daqui de dentro ferozmente o que sinto por você. Quem me dera não estar, mais uma vez,  problematizando o que deveria ser simples.  Como pode doer tanto se eu ja to acostumada? E por que eu ainda quero mais uma ligaçãozinha, mais uma gozadinha,  mais uma cheiradinha? Por que eu invento diminutivos quando eu to na verdade aumentando?
Eu vou terminar isso aqui do jeito que a minha vida toda é e como todos meus textos serão: sem finalizar nada porque nem tem como. Minha tortura psicológica não tem como.
O problema é que eu sei, eu sei como isso acaba, e eu queria muito não ter esse QI de gente doida, eu queria muito não saber; mas eu sei, minha linda, e é por isso que mais cedo ou mais tarde,  eu vou fugir ou te espantar.
A personagem principal sempre tem esses distúrbios.

sábado, 10 de maio de 2014

poema feminista

Sou mulher, sou guerreira
Sou sofrida, violentada
Sou mulher, sou verdadeira
Sou tristeza, e abusada
Desde pequena acostumei a ouvir
"tem que sofrer pra ficar bonita"
Mas dessa bolha patriarcal eu vou sair
Nunca quis ser senhorita
Alisam meu cabelo, me mandam emagrecer
Sem sequer perguntar se é isso que eu desejo
Foda-se, mulher tem que sofrer
E esse cálice de dor todo dia eu manejo
Mas agora cala boca, minha vez de gritar
Sou mulher, sou radical, sou feminista
Fica quietinho que agora eu vou mandar
Macho engole o choro, respeita a ativista
Ah, e só pra lembrar de um esquema legal
Se vier oprimir minhas irmãs, fica a dica
Não tenho medo, já disse, sou radical
....VOU CORTAR SUA PICA!

sábado, 26 de abril de 2014

parts of me remind me of you

 After a silent, peaceful nightYou took my heart away.


(...)

Eu tenho intoxicação amorosa. Sinto você nas minhas veias, sinto seu veneno me penetrando por cada poro do meu corpo. Quando você me olha nos olhos eu sinceramente não sei que porra eu vou fazer da minha vida, porque eu to perdidamente apaixonada. Eu me apaixonei no primeiro dia, eu me apaixonei na primeira conversa e no primeiro beijo. 
Quando a gente cheirou cocaína juntas, eu já tava entregue. E quando você me fez gozar com o seu rosto entre as minhas coxas, eu já tava louca. Quando você me busca em frente a livraria e me sequestra pra sua casa por horas, eu já to morrendo. 
Eu lembro a cor de todas as calcinhas que eu te vi usar até agora.
Eu sei desenhar seu rosto com a perfeição de um artista, mesmo que eu mal saiba segurar um lápis de desenho.
Toda vez que a gente vai pra cama eu tenho vontade de chorar no final, porque simplesmente não consigo colocar pra fora tudo que eu quero te dizer. Eu quero dizer que você é linda, e que eu to apaixonada. Eu quero dizer que eu passaria o resto da minha vida olhando nos seus olhos e fazendo carinho no seu corpo. Eu quero dizer que eu morro de medo de você me magoar, porque eu sou louca por você, e eu quero muito dizer aquilo que me falta coragem porque eu sei que ta muito cedo.
Aquelas três palavras, sabe? Mal consigo escrever. Mas eu quero dizer.
Eu te amo.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

isso aqui é sobre sexo

"Geme pra mim, vai", você disse, com seu brinquedinho no meio das minhas pernas e eu delirando de tesão.
Eu te fiz gozar com a minha boca, porque eu sou boa no que eu faço, e você me deixou todinha com cheiro de sexo, e acho que é assim que deve ser né?
"Caralho, que tesão, que tesão", você dizia, quando fiquei pelada na sua frente sem vergonha nenhuma, porque você repetia que eu sou linda e eu mal me continha de felicidade de estar na cama da mulher que eu amo, transando com a mulher que eu amo.
Depois fiquei te vendo brincar sozinha com a mão na calcinha, toquei seu corpo inteiro porque, finalmente!, ele era e é meu. Te vi gozar olhando no meu olho, gemendo, tremendo,e decidi que nada é mais lindo que conseguir te dar um orgasmo e ver as muitas exclamações de prazer no seu rosto.
No final, a gente se abraçou forte e você me disse que eu já devia ter feito isso muitas vezes, porque eu faço bem. E a gente queria ficar ali pra sempre, eu só queria te fazer gozar toda noite, tarde e manhã, porque ouvir você gemer é lindo, e você ficou excitada com os meus gemidos fraquinhos.
E tudo depois disso foi perfeito, os beijos, o cigarro, o abraço, os toques, tudo. É um outro nível de intimidade que eu esperei ansiosamente alcançar com você. Eu nem tenho muito o que dizer sobre isso, mas obrigada por ter me dado uma das minhas melhores transas.

E é diferente, tão bom gostar de quem gosta da gente.

terça-feira, 18 de março de 2014

Dois poemas do ano passado.

"Gostaria de pedir a Deus que me desse outra personalidade, uma que não criasse antagonismos com todo mundo." O Diário de Anne Frank

(...)

São Paulo, Itapecerica da Serra, Hospital Santa Mônica, 29/11/2013

Com as roupas no corpo e a alma crua: 
Eu sou a Clarice do Legião;
sou fogo, zero paixão;
queimo sem ninguém ver;
ardo e faço sofrer.

Corto com minha lâmina;
cheiro a droga, fumo o que dá.
Ainda to aqui;
nunca chego lá.

Fui internada numa clínica;
oito comprimidos por dia.
Não adianta escrever, gritar, fazer mímica;
ninguém entende a magia.

Quando anoitece e grito pr'a lua;
me restringem, me dopam, fico nua;
com as roupas no corpo e a alma crua.

Me dói, me arde, me sua.

(...)

São Paulo, Itapecerica da Serra, Hospital Santa Mônica, 15/12/2013

Invisível:
Vocês não verão minha sensibilidade;
pois não estou nua, crua, exposta.
Podem perguntar sobre dor, amor, saudade;
e morrerão esperando resposta.

Vocês não verão minha tristeza;
pois não vou chorar, finjo saber sorrir.
E quando elogiam minha beleza;
chorando com a alma, eu vou rir.

Vocês não verão minha parte ruim;
pois para os outros sou toda amores.
Só quem sofre quando chega o fim;
sou eu, sozinha com meus temores.

Vocês também não verão quando eu morrer;
doente, sorrindo; e as pessoas, agradecidas.
Partirei sem ninguém notar ou saber;
de tão falsas e muitas já foram minhas partidas.

E ninguém viu o vê meu sofrimento;
ninguém vê ou lê o que escrevo.
Na calada da noite, meu tormento;
ninguém sabe meu passado, ou o que eu devo.

(...)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Brócoli, o gato.

(...)

Eu te encontrei na esquina da av. Paulista com a Brigadeiro, e te abracei tão forte de saudade, de nervosismo, de tesão e de amor. Sentamos lado a lado no café que você escolheu e que eu não pedi nada, e eu queria toda hora uma brecha pra encostar em você. Te apresentei para a minha terapeuta, e acho que foi assim que eu vi que eu to gostando mesmo de você.
Fomos pro seu carro, experimentei seu cigarrinho de tabaco natural com haxixe e gostei tanto, tanto. Te gosto tanto, tanto. O caminho todo a gente conversando e quando seu outro namoradinho te ligou, eu fiquei puta e você riu de um jeito fofo. Bom, acho que foi assim que eu vi que já tava apaixonada por você. Chegamos na sua casinha e eu amei seus gatos (Brócoli, Myuki, Olívia...), quase tanto quanto amei os beijos no seu quarto com sabor do segundo beck de haxixe que fumamos juntas. E sabor de café. E eu odeio café, e você lembrou disso, mas desse jeito eu não me importo. Sua boca é a melhor coisa que eu já provei, meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que você podia ouvi-lo, minha cabeça girava toda hora que sua língua tocava a minha e meus lábios encaixavam nos seus, e foi por aí que eu percebi que quase te amo.
E fomos pro shopping encontrar seu cliente, ele é muito simpático e te avisou que meu signo é difícil e temperamental e você só disse "vamos ver..." e me sorriu, e o mundo inteiro parou como sempre para durante os segundos que dura seu sorriso. E ficamos como um casal conversando com seu cliente tão querido e amável, e eu me senti medíocre demais pr'aquele momento, porque é bom demais, é lindo demais, é filminho-romântico-préadolescente-com-final-feliz demais, sabe? E eu desejei tanto andar no seu carro, beijar sua boca, ir pra sua casa, conhecer suas drogas e ser apresentada como sua amiga para os seus conhecidos, agora eu tenho tudo isso e é surreal porque você é surreal e eu sou louca pelo seu surrealismo mal desenhado e bem programado. Minha interpretação artística nunca foi muito boa porque eu viajo demais, imagino demais, mas acredito que entendi seu quadro muito bem, e me apaixonei. Quando você me deixou no ponto de táxi e me deu o dinheiro pra pagá-lo e comprar uns cigarros, eu agradeci aos deuses por cruzarem sua linha da vida com a minha.
Daí eu lembro dos seus olhos nos meus, nossos rostos à centímetros de distância e eu me sentindo cada vez mais atraída pra perto. Você sorrindo e me beijando, e beijando meu pescoço e rindo quando eu fiquei vermelha, foi mais ou menos nesse momento que eu soube que vai dar tudo certo. Destino nenhum vai ousar se colocar no nosso caminho. Nós fomos feitas pra durar, lindinha. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Você não quer ser como eu. Não quer ver todas as coisas que eu vi.

"É alarmante o quanto você pode ser adorável, enganando á todos, dizendo que está se divertindo. Os garotos, as garotas, todos gostam de você, vocês nos dá borboletas, você ri como Deus, sua mente é um diamante."

Porque a resposta que eu procuro desde os oito anos não existe, já que eu nem formulei a pergunta. Eu quero sentir o vento antes de abrir a janela. Eu quero voar antes de entrar no avião. Eu quero ficar bêbada antes de beber. Quero ficar limpa antes do banho. E aí eu fico desesperada procurando uma resposta para uma pergunta que nem sequer existe. E todo mundo acha legal, olha lá, a menina, dezesseis anos, fumando no intervalo da escola; olha lá, quiquiqui, ela anda como uma modelo francesa e ao mesmo tempo como uma maloqueira de rua. E eu sei exatamente o que eles estão pensando, calculo cada passo, cada jogada no meu cabelo comprido que não exige nenhum cuidado e que lavo com xampu vagabundo só pra mostrar que não me importo. E falo a primeira merda que me vem na cabeça porque sei que isso os fascina. E eles, tão bobos e ingênuos, me amam ou me odeiam; mas me idolatram, todos eles.
Mesmo assim, não é o suficiente. Sou tão cheia e ao mesmo tempo tão vazia, sou como um recipiente que precisa ser preenchido com atenção, ou explode. É que eu os acho tão idiotas, tão bestas, tão aieuquerosercomoela, sabe? E eu digo que você não quer ser como eu, com tanta maldade e tão pouca idade, ficando louca, procurando preencher meu vazio com qualquer droga ou pessoa que encontro. É claro que não acreditam em mim, acham que estou sendo, sei lá, humilde, fazendo da minha vida incrível algo comum; e continuam me desejando, desejando, querendo, correndo, implorando. Me imploram atenção como mendigos sentados no meio da avenida Paulista implorando dinheiro.
Acontece que o mendigo aqui sou eu. Vocês imploram, mas quem precisa de vocês sou eu. Porque se eu sumir, alguém vai me substituir, ou talvez não, mas, que seja, vocês vão me guardar no fundo da memória, como alguém que sequer existiu, que era fantástica e experiente e madura demais pra ser verdade. Mas se vocês sumirem, se todas as pessoas do mundo sumirem, se não existir mais plateias pro meu show, acabou pra mim. Não existe peça sem alguém pra aplaudir. Eu não existo sem alguém pra aplaudir, pra rir, pra me invejar, pra olhar pra mim e eu ver o olho brilhando de admiração, e aumentar minha auto-estima.
Mas, tanto faz, eu sou mesmo brilhante. Tenho uma personalidade incrível, só que é carente, sabe? Entende? Sou tudo que você quer ser, só que eu quero você. Sua atenção e seu amor. Quero que se apaixone por mim, e continue louco, mesmo quando eu te deixar três horas me esperando na chuva, mesmo quando beijar seu melhor amigo só pra te ver sofrer. Eu sou a pessoa mais fodona e mais podre do mundo, mais divertida e mais cruel, mais romântica e mais vadia, tudo ao mesmo tempo.
De vez em quando aparecem exceções, gente que não se encanta por mim e me deixam tão sem chão que eu acabo me encantando por eles. Tipo a J., que não ficou doidinha pelo meu jeito diferentinho. E aí eu vou até o inferno, até o Paquistão, até a casa do caralho e a puta que pariu pra ter o amor dela.
É. Eu sou mesmo inacreditável. Nem minha terapeuta sabe explicar exatamente qual o meu problema. Carência excessiva, ela diz. Um ego enorme, que acha que merece toda atenção que esse universo tem a oferecer. Fazer o que. Continuo tomando meus dois Seroquel, quatro Carbamazepina, um que eu sempre esqueço o nome, e dois Rivotril por dia. Segurando, segurando, tudo menos explodir, tudo menos deixar os outros saberem o quão louca eu sou (e não de um jeito cool ou descolado. Só louca mesmo.), tudo menos ser sincera sobre meus sentimentos. A depressão e a ansiedade são coisas que mesmo quando você não está tendo uma crise, está tendo uma crise. Tá sempre com medo da crise vir, então o fantasma do desespero ta com você o tempo todo. No banho. Na padaria comprando cigarro. Levando o lixo. Fazendo a lição de matemática. Até cagando, na real. Eu queria expelir, vomitar, gozar, cagar, mijar, arrotar, soluçar tudo isso pra fora de mim. Mas não dá. Então, eu sigo controlando tudo do meu jeito errado e vagabundo, fumando, sendo uma grandessíssima filha da puta, pichando muros, sendo legal com todo mundo e fingindo que, meu Deus, to me divertindo demais e minha vida é tão fodona, nossa, parabéns pra mim.

Eu nem sei onde eu quero chegar com esse texto. Melhor não chegar em lugar nenhum.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Don't you know I'm addicted to you?



Aí paro pra pensar e vejo que talvez dê. Talvez vá. Quem sabe? Isso talvez dê certo. Deus sabe o quanto eu quero que dê certo, mesmo levemente presa ao passado. Você é meu presente, em todos os sentidos bons da palavra. Mesmo errado aos olhos dos outros, você é certa pra mim. E quer saber? Eu não ligo pros seus outros amores, porque eu também tenho outros... O que importa é que quando tá eu e você, é só eu e você. 
Porque passo os dias esperando você ligar, meu amor. Minha mulher, sua menina. Sou sua, não completamente, mas com todo o meu completo. E, nossa, como eu te quis, te quero... Meu Deus, você é irresistível, impossível não ficar ansiosa pra te ver, não falar do nosso namorico para os outros, não deixar meu coração acelerar ao ouvir sua voz, não ficar nervosa com todo esse papo de "ela é velha demais pra você"... Porque a gente sabe que é certo, amor... Eu sei que você sabe, tanto quanto eu sei. Você, com a yoga, o marido e toda essa vida adulta; e eu, com as drogas, as pulseiras e toda minha infantilidade.
Você sabe que eu me apaixonei por você desde o primeiro olhar; e, sinceramente, eu gosto tanto de você que quase acho que é amor.
Hoje foi meu primeiro dia de aula na escola nova. E eu pensei em você quando acordei as seis da manhã e acendi um cigarro. Lembrei da época da clínica, e quando você me levava maços de cigarro escondido. Pensei em você quando meu amigo me apresentou várias pessoas incríveis, e a escola é enorme, e incrível, e todo mundo simpático e o máximo. E lembrei do seu sorriso incrível, e do jeito como seu olhar é lindo e cheio de significado, e da sua boca colada na minha, seu coração enorme e sua simplicidade hipnotizante. Daí no intervalo eu me aproximei de uns garotos e fumei meu primeiro depois de vários meses passando na reabilitação, e lembrei de você dizendo pra eu me acalmar que me mostraria drogas muito mais incríveis. Subi no meu skate quando cheguei da escola, remando rápido e com precisão, e lembrei dos nossos beijos e carinhos rápidos e precisos, e carinhosos, e nossos.
A verdade é que eu to com saudade. E to cansada de esperar, mas espero, porque pela primeira vez conheci alguém que vale a pena. Talvez você seja meu alguém, porque, nossa, eu realmente quero você.
Enfim, então, em suma: eu sou apaixonada por você e todos os seus detalhes, seu sorriso largo, suas unhas do pé pintadas de vermelho, seu cabelo preso em um rabo de cavalo baixo, sua tornozeleira combinando com a minha, sua risada gostosa, seu vícios de linguagem ("ótimo, ótimo", "boa!", "mega beijos" etc e tal), e tudo, tudo, tudo, você, meu Deus, você, Carol, você, menina Ana Carolina, você, todinha, com seus vinte e nove anos, com seu hinduísmo, com tudo, que se dane tudo que falam, eu quero você, e tenho você.
Resumindo, então, enfim: é muito difícil tentar me acalmar e não acelerar as coisas, porque, sinceramente, eu acho que eu to quase amando você.