terça-feira, 27 de maio de 2014

E você diz, daquele seu jeito.

Eu queria ter a decência e a consciência de não complicar e fazer nó em laço, mas eu sou paranóica e qualquer visualização não respondida me deixa a flor da pele. Eu queria saber aplicar minha falta de noção do perigo nos meus relacionamentos, mas quando o assunto é sentimento eu tenho noção demais do que é e do que pode ser. Eu queria não ter descoberto todas as análises críticas dos meus leitores fictícios,  mas achei aquele arquivo morto na minha cabeça e li todos os comentários nojentos dignos de processo por danos morais. Eu queria não ser essa louca da intensidade, da malícia tão bem disfarçada na feição inocente.
Quem me dera não sangrar sozinha,  quem me dera conseguir chorar toda essa mágoa camuflada de frieza. Quem me dera não ser a personagem autodestrutiva e carente da nossa história,  mas aí você diz daquele seu jeito:
- Eu gosto tanto de você.
E quem me dera me satisfazer com o gosto, eu sempre quero mais, eu preciso do amo. Quem me dera não pensar nisso tudo e me fazer perder o sono por medo de deixar de ter o que eu nem tenho.
E sentir meu peito afundar quando seus caracteres não preenchem minhas expectativas malucas; e querer deixar as unhas crescerem pra poder arrancar daqui de dentro ferozmente o que sinto por você. Quem me dera não estar, mais uma vez,  problematizando o que deveria ser simples.  Como pode doer tanto se eu ja to acostumada? E por que eu ainda quero mais uma ligaçãozinha, mais uma gozadinha,  mais uma cheiradinha? Por que eu invento diminutivos quando eu to na verdade aumentando?
Eu vou terminar isso aqui do jeito que a minha vida toda é e como todos meus textos serão: sem finalizar nada porque nem tem como. Minha tortura psicológica não tem como.
O problema é que eu sei, eu sei como isso acaba, e eu queria muito não ter esse QI de gente doida, eu queria muito não saber; mas eu sei, minha linda, e é por isso que mais cedo ou mais tarde,  eu vou fugir ou te espantar.
A personagem principal sempre tem esses distúrbios.

sábado, 10 de maio de 2014

poema feminista

Sou mulher, sou guerreira
Sou sofrida, violentada
Sou mulher, sou verdadeira
Sou tristeza, e abusada
Desde pequena acostumei a ouvir
"tem que sofrer pra ficar bonita"
Mas dessa bolha patriarcal eu vou sair
Nunca quis ser senhorita
Alisam meu cabelo, me mandam emagrecer
Sem sequer perguntar se é isso que eu desejo
Foda-se, mulher tem que sofrer
E esse cálice de dor todo dia eu manejo
Mas agora cala boca, minha vez de gritar
Sou mulher, sou radical, sou feminista
Fica quietinho que agora eu vou mandar
Macho engole o choro, respeita a ativista
Ah, e só pra lembrar de um esquema legal
Se vier oprimir minhas irmãs, fica a dica
Não tenho medo, já disse, sou radical
....VOU CORTAR SUA PICA!