sábado, 25 de maio de 2013

What the hell am I doing here?

Será que ninguém percebe? Será que a grande massa realmente não vê a gigantesca falha no sistema que vivemos? É possível que só eu e algumas poucas pessoas que conheço tenham consciência do quanto tudo isso tá errado? Não. Não pode ser que as coisas vão continuar assim. Tá tudo errado, tá todo mundo errado. Ninguém mais tem compaixão, educação, bom senso, moral, ética... Onde foi parar a humanidade? O amor? Onde tá a PORRA do amor ao próximo? O amor a si mesmo? O amor ao mundo que habitamos? É todo mundo tão vazio, com seus carros, seus iPhones, suas roupas de marca e suas bebidas caras. Enquanto outros estão tão cheios; cheios de frio, fome, solidão. E ninguém se ajuda. Eu olho ao redor e tem toda essa dor e um monte de gente passando apressada sem nem perceber quem precisa implorando por um segundo de atenção. 
Ninguém se importa com ninguém. O certo não é mais fazer o bem, o certo é o que a televisão diz, e ela diz pra comprar, consumir, gastar. O errado é questionar quem tá no poder, porque eles sabem de tudo. Temos que comprar e ficar quietos, nos contentando com produtos e dinheiro.

Eu realmente não pertenço à esse lugar. 

"Question what the tv tells you, question what the pop stars sells you, question mom and question dad, question good and question bad." 

Paredes vermelhas.

"Querido James, 

Eu nem sei como te dizer isso. É uma notícia bem grande e importante. Eu percebi hoje, e corri para te escrever, porque, ah, você precisa saber, é sobre você, tudo sobre você, não é? Aí é que tá: não é! Não mais.
Acontece que hoje eu achei aquele panfleto daquela banda que a gente foi acidentalmente parar no show, sabe? E eu peguei o papel, e amassei. Eu olhei pra ele e não lembrei de você. Bom, não assim, logo de cara. Eu lembrei, mas demorou quase dois terços de minuto! E quando eu percebi isso, me dei conta que semana passada eu passei em frente aquela livraria enorme com um nome esquisito, lembra? Aquela em que a gente entrou e eu te comprei um exemplar do meu livro preferido, porque achei que você entenderia ele (mas você não entendeu)... Eu passei em frente á ela e nem percebi! Eu só percebi dias depois, cara! Ah, por falar em "cara", mês passado vi uma menina no metrô com uma revista Vogue. Na hora, nem liguei. Quando desci na República e andei no meio daquele monte de gente indo pra linha amarela, eu lembrei. Lembra? Quando você achou uma Vogue nas minhas coisas e eu quase morri de vergonha porque tinha te dito que odiava (e odeio mesmo) revistas de moda? E aí eu te expliquei que só comprei aquela porque tinha a Cara Delevingne na capa e eu acho ela a coisinha mais fofa do mundo. E você riu tanto, tanto. E aí, na estação Brigadeiro da linha verde do metrô, eu lembrei da sua risada e fiquei normal. Meu coração não deu um pulo. Foi normal. Tá entendendo onde eu quero chegar, J? Eu quero chegar no ponto em que você entenda o que significa eu já conseguir comprar uma cerveja sem chorar de saudade das nossas cervejas e conversas. Eu já consigo prender o cabelo sem lembrar das suas mãos grandes me fazendo massagem no couro cabeludo, e nem fico pensando que perdi o único cara que não achava estranho eu gostar de massagem no couro cabeludo. Eu consigo entrar no ônibus sem sentir falta das suas mãos na minha cintura enquanto me indicava a direção no corredor cheio de gente balançando. Eu já posso assistir meu canal de tv preferido e não fico com saudade da sua voz dizendo que o canal é uma bosta mimizenta e se perguntando em voz alta porquê me ama tanto. Eu vejo casais na rua e não tenho vontade de me matar por ter perdido sua boca no meu ouvido dizendo que me ama, seu quadril pressionado no meu, nossos beijos, nosso sexo, nossas conversas, nosso mundo. 
Mas, olha só, James: eu não te esqueci, como você pode perceber. Eu nunca vou te esquecer, nem esquecer nosso primeiro quase-encontro na barraquinha de churros; e nem vou esquecer a ultima vez que te vi, naquela maldita maca. Mas eu acho que to superando. To começando a entender que foi tudo uma experiência maravilhosa. É claro que eu te quero de volta, mas já aceitei que não vou ter e aprendi a amar as lembranças, e não sofrer com elas. Espero que você fique feliz por mim... Meu amor, não pense que não te amo mais, viu? Eu te amo para sempre. Mas agora eu amo sem sentir dor todo dia. Dói vez ou outra, e dói de um jeito suportável e, de certa forma, bonito. Eu acho que to finalmente seguindo em frente. 
Te conhecer foi uma fagulha dourada no meu céu vazio; amar você foi colorido, como um arco íris; perder você foi preto como a morte que te levou; e viver sem você é vermelho, vermelho como sangue, vermelho como seus lábios eram, vermelho como, afinal de contas, a cor que você tanto queria que fosse a parede do nosso quarto. 
                        
                     Rafael, aquele que vai ser seu além da vida." 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Anya Lucya.

Se quisesse silêncio, todos calavam;
Se quisesse paz: quietos ficavam;
Nem sequer pedia, e todos a amavam;
Nunca ficava sozinha, dela não cansavam.

O tempo passou, e não foi fácil entender;
Ficou confusa, olhou ao redor: não tinha ninguém para ver;
Não, não é possível que vão me deixar sofrer!
Não é cabível que não venham me acolher.

Mas não vieram, e ela só podia gritar;
Gritava por alguém, mas ninguém vinha lhe confortar;
Nunca precisou pedir por atenção, agora tinha que implorar;
E a pobre menina só sabia chorar.

E com o tempo passando;
E tudo mudando;
A menina chorando;
E o mundo ignorando;

Foi assim que aconteceu:
Silêncio queria e não encontrou;
Paz procurava: também não achou;
Tentou ser amada, mais difícil, falhou;
Percebeu ser sozinha; e chorou...
[se matou]

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Desabafo tosco versão 3 (merda que eu escrevi em um dia de merda (hoje))

Todo dia eu penso em morrer. Toda situação da minha vida, por mais simples, me faz pensar se daria pra eu me matar ali. Eu penso em suicídio o tempo todo. Não tem um segundo em que eu esteja sóbria e feliz. Eu não aguento mais isso. Parece drama, eu sei, mas eu quero muito, muito, muito parar de sentir, eu nem quero morrer, eu só quero não sentir, mas se morrer é a única forma, então eu preciso disso. Eu anseio a morte. Eu atravesso a rua pensando como seria se um caminhão me atingisse, eu fico esperando o metrô pensando em me jogar nos trilhos, eu sento no parapeito de janelas de apartamentos e penso em me jogar dali de cima, eu encaro minhas lâminas e penso em cortar pra valer dessa vez... Mas eu não faço nada disso. E me pergunto por que. Por que eu não me mato logo? Sério, por quê? O que me prende aqui? Curiosidade? Medo? Um restinho de esperança? Não sei. Só sei que tá doendo muito, é uma dor insuportável, parece que meu coração pesa quatrocentos e vinte quilos e eu não sou forte o suficiente pra aguentar esse peso. Não sozinha.
E eu tô tão, tão sozinha. Não consigo falar com ninguém. Eu me sinto completamente abandonada, eu simplesmente não tenho pra onde ir. Ninguém me quer mais! Antes, quando eu era pequena e fofa, disputavam por mim. Agora, ninguém me quer. Nem meu pai, nem minha mãe, nem ninguém. Ninguém quer cuidar de mim, justo no momento em que eu mais quero ser cuidada...
Por que eu não posso ser incrível? Ser especial? Ser diferente? Eu sou medíocre, comum, clichê, babaca, inútil, estúpida e não tenho nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada de bom.
É sexta-feira a noite e eu só queria estar bêbada. Eu só queria isso: estar bêbada, rindo, me sentindo feliz por uns segundos... Mas eu tô em casa, chorando, sozinha. Sozinha, sozinha, sozinha.
Ninguém gosta de mim. Ninguém. Ninguém me acha legal. Quem diz que acha, é porquê tem dó, e quer me confortar. Eu só queria que alguém gostasse de mim. Só isso. Me achasse legal, divertida, especial. Queria uma amiga, um amigo.
Eu não tenho nada, e ninguém gosta de mim.
E tá doendo tanto, tanto, dói tanto... Eu penso em morrer... Todo dia.

Divagações.

No mar de palavras, eu me perdi. Em meio a tantas letras, me confundi. Não sei mais descrever, escrever, ver. Não posso mais falar de tudo, porque eu sei absolutamente nada. Patético falar sobre o que não sei, e o que sei não merece ser falado. Então, me calo. Fico quieta. Não digo, não olho, mal respiro.
Sigo em frente, devagar, tentando não olhar para trás ou para os lados. Foco no futuro. Foco no que serei, serei algo, esperança, eu tenho esperança que ainda serei algo. Não posso ser só... Isso. Esse clichê ambulante. Clichê com pernas. Quinze anos, sozinha, depressiva, me sentindo suicida. Quão clichê? Muito. Nem eu me aguento mais.
Esgotada, cansada, tento o mais que consigo, tento ver, mas tanta neblina, tanta poeira, ninguém entende, ninguém sabe, ninguém me entende, ninguém me conhece, e eu me esforçando, forçando meus olhos a enxergarem através de toda essa neblina, toda essa tristeza, toda essa chuva... Tem algo por trás de tudo isso? Tem algo pra mim, depois de toda essa dor? Eu ainda vou viver? Eu vou ser feliz? Eu vou superar meus traumas? Minhas dores? Vai existir uma época em que eu conseguirei não ter uma crise de pânico toda vez que lembro da minha infância? Ah, meus traumas. Bem comuns, bem clichês. Tudo clichê. Entretanto, ninguém me cura. Nenhum remédio, nenhum psiquiatra, nenhum médico consegue me fazer superar o que eu passei. Porque eu sou fraca, e gente fraca não consegue seguir em frente. Gente fraca tá sempre sofrendo pelo passado.
No fundo, eu sei que mereci, e que, na verdade, foi minha culpa. E é por isso que eu sou assim, até hoje, é tudo minha culpa. Sempre vai ser minha culpa. Porque eu deixo, eu fico quieta, eu sou passiva. Pra tanta, tanta, tanta coisa eu sou ativa, eu mando, eu comando, e pra isso, eu sou passiva, quieta, submissa. Por quê? Eu juro que só quero esquecer tudo. Apagar isso. Mas, pelo contrário, todo dia eu lembro de algum outro detalhe daquela época escura e triste.
Eu quero ir embora.