sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Por Que Você Tinha Que Me Tratar Tão Bem?


O mais estranho de tudo era que toda vez que você chegava perto de mim, eu sentia uma coisa inexplicável, como se só existisse você, só você, e você fosse a razão de tudo. Mas não queria sentir isso, tentava te afastar, tentava correr, fugir, e isso parecia te instigar a me buscar, correr atrás de mim. Você começou fazendo tudo que eu queria que não fizesse, e terminou do mesmo jeito. Tá, não vou falar do fim, eu tô escrevendo o começo agora. Foco no começo.
[...]
Dois anos depois da primeira segunda conversa, outono de 2007.
- Vai ter uma festa hoje a noite, quer ir? – Você me olhou nos olhos, na saída do colégio. – E não, eu não estou te cantando, ok? – Acrescentou, rindo.
 - Não, eu não quero. Se afasta de mim, cara. – Eu tinha que ser grossa, eu tinha que tentar fazer você me odiar, não podia gostar de você. Porque toda vez que eu gosto de alguém, dói pra caramba quando a pessoa vai embora, e ela sempre vai.
- Por que você é tão estressada, Alice? Só quero ser teu amigo, pô! Vê se para de ser tão... Mal humorada. Tu é toda sozinha, sem amigos, só tô tentando me enturmar contigo, porra! Vê se larga mão de ser chata. Eu hein.
(Eu tive tanta vontade de te explicar, de te fazer entender que mesmo você querendo ser meu amigo, nós não seríamos. Não, nunca, jamais. Porque você era um metido a besta, fútil, idiota, e eu era... Eu, sabe? Eu sou toda diferente, confusa, errada. Eu quis tanto te explicar isso, quis tanto que você insistisse pra eu ir nessa droga de festa, e quis tanto que você conseguisse me amolecer, que você conseguisse me fazer acreditar em você. Hoje, olhando para trás, eu vejo que tudo teria sido mais fácil se não fosse eu, se não fosse essa minha indecisão, esse meu medo, essa minha insegurança, tudo teria sido mais fácil se eu me entregasse logo a você. Mas é tão difícil, meu amor... É tão difícil pra mim. Eu não conseguia e ainda não consigo me entregar, me jogar, amar, sem pensar. Não consigo. Eu tenho tanto medo de me decepcionar, e esse meu medo é o que sempre atrapalha. Eu não gosto nunca de começar nada, porque todo começo tem seu fim. E eu odeio quando acaba.)
 Decidi me desculpar, até porque talvez eu estivesse exagerando. Qual era o problema de uma festa? Teria várias pessoas, vários outros meninos, eu não precisaria pensar em você.
- Você tá certo, Lucas, desculpa, é que eu não tô em um bom dia... Mas, e aí, essa festa, posso ir ainda, ou vai retirar o convite depois da minha grosseria? – Eu sorri.
- Tudo bem, meninas tem isso, né? TPM, ou sei lá o quê. Pode ir sim, a galera toda vai se encontrar ás nove em frente a praça, aparece lá, e vamos juntos pra casa do André, o aniversariante.
Passei o resto do dia pensando no que vestir. Mal sabia eu que a melhor parte da noite, não precisaria de roupas.
[...]

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Mãe, eles vão me pegar.

Eu tô perdida. Eu tô presa. Eu tô encurralada em uma porra de uma prisão mental. Eu tô louca, eu tô perdendo o controle. Não sei mais como lidar. Personalidades múltiplas entrando em confronto, depressão espalhada por todos os cantinhos da alma. Tô fria, tô fria, tô tão fria que sinto estar queimando de calor. Eu cansei de tudo que conheço e de tudo que vivi. Eu cansei dos meus pensamentos, faz tempo. É insuportável escrever, eu odeio minhas palavras e meu modo infantil e clichê de descrever o que me mata. Meu assassino sou eu. Tô me matando, tô morrendo, estão me matando. Ninguém percebe. E é tarde demais. Me roubaram, e não dá pra fazer boletim de ocorrência na delegacia, a delegacia tá fechada pra pessoas como eu. Me roubaram, me levaram embora, estão me torturando. Eu tenho medo, o dia todo, o tempo todo. Eu não consigo lembrar de um dia em que eu não tenha chorado e me machucado. Estão me forçando a fazer coisas que eu não quero. Eu tô me forçando a não fazer coisas que eu quero. Eu perdi o controle. Eu tô fingindo.
Mãe, eu ainda acho que eles vão me pegar. Eu ainda vejo eles vindo. Mas eu não posso dizer, nem correr, nem gritar, e, oh, eu não aguento mais lutar sozinha. Mas eu não posso pedir ajuda, eu tentei, mãe, eu tentei, e você disse que eu era louca. Então, eu simplesmente disse que não tinha ninguém tentando me pegar, que eu só perdi o controle por um segundo. Mas tem, mãe. E meu controle não foi perdido por um segundo, ele está perdido por uma vida. Eu sinto muito, mãe, mas eles vão me pegar.
Eu não me conheço mais. Eu não conheço mais esse mundo. Eu tô doente, pai. Para de me ignorar, para de sentir pena de si mesmo, me dá atenção, eu preciso de ajuda, pai. Eu preciso tanto de você, você não faz ideia. Eu tô cansada de ser seu porto seguro, de segurar suas lágrimas e de fingir que eu sou normal, e que você pode desabafar a vontade, porque sua depressão não pode me atingir. Me perdoa por isso, mas eu não aguento mais. Pai, não vai embora, por favor, não me deixa sozinha, eu não consigo mais. 
Eu tô louca.
Louca, maluca, biruta, pirada, doida, doente, retardada. 
E eu vou morrer, eu sinto a morte vindo, eu sinto meu fim chegando. É meu fim. Ele tá chegando. Todo mundo vai ser melhor sem mim, eu sei disso. Ninguém se importa de verdade. Eu não consigo mais conversar com ninguém. Eu tô indo embora.
Eu vou embora, logo, logo. Eu queria dizer adeus. Eu não quero ir, mas não posso lutar contra eles sozinha, e eu tô sozinha. Eu tô fodida. 
Eu sinto muito, muito, muito. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Carta para alguém que eu odeio.

Olha só, eu não sei. Eu juro que quero saber e que tento descobrir, mas eu não sei. Eu não faço a menor ideia do por que, não sei nem se esse é o "por que/porque/por quê/porquê" certo a se usar nessa frase. Eu não sei, nunca soube, creio que nunca vou saber. Eu só fiz, eu só falei, eu só te deixei ir embora. Eu só parei de gostar de você, assim... Do nada. Eu sinto muito, por você, por mim, por tudo que perdemos, por tudo que poderíamos ter sido, por tudo que fomos. Eu comecei a escrever isso aqui, agora, pra evitar chorar, mas não adiantou, já desabei. Eu me odeio, eu me odeio porque eu não sei por que, e não sei como.
 Tô me sentindo muito besta, porque você já me esqueceu e já me deixou pra trás, e eu também já te esqueci e é mais do que óbvio que já te deixei pra trás, mas continuo escrevendo sobre tudo. Eu não gosto mais de você - gostei por muito pouco tempo, na verdade. Mas é que eu acreditei que tudo daria certo, e que mesmo se desse errado, eu não sei, nós daríamos um jeito de salvar pelo menos alguma coisinha, um pouquinho de nós, pra que sobrasse pelo menos algo. Não foi o que aconteceu. Nossa chama saiu do controle e incendiou nossos corpos de forma violenta, queimando tudo que tinha dentro de mim, e eu tive que ficar parada enquanto via você se afastar cada dia mais, tive que ficar parada vendo nosso péssimo final, eu tive que chorar sozinha por algo que eu nem sequer sinto falta. Eu tive que ficar sozinha relembrando cada momento, tentando entender quando e onde foi que tudo saiu do controle, tentando entender onde foi que tomamos outra direção e nos perdemos. Eu te perdi. Foi tão doloroso, ah, foi tão, tão doloroso. Porque eu nunca perco, nada, e eu perdi você, eu não consegui te segurar. Eu não quis te segurar.
Não tem sentido escrever uma carta que nunca vai chegar nas mãos do destinatário. Mas nada que eu faço tem sentido, então posso escrever a vontade.
Sabe o que mais dói? O que mais dói é que eu não gosto de você. Eu te odeio. De verdade, eu odeio as suas atitudes e te acho um ser humano desprezível. O que mais dói é que eu me iludi achando que você era legal e que tinha algumas qualidades. Só que você não tem, você é igual a todo o resto, você é o resto. Você é a personificação da estupidez. Eu odeio tudo que você faz, e odeio essas suas merdas que você diz com toda a convicção do mundo, sem saber 1% do que tá falando. Eu desprezo sua mãe, eu desprezo a criação que ela te deu, e você é a pessoa mais sem educação e inconveniente do mundo. E mesmo assim eu escrevo sobre você. Na verdade, não sobre você, sobre a ideia que eu tinha de você.
Acabou tudo, já faz bastante tempo que acabou tudo. E eu não te quero de volta, deus me livre! Eu quero a ideia que eu tinha de você, eu quero aquela minha ilusão boba de que você podia me salvar, de que você era uma boa pessoa.
Eu te odeio tanto, eu odeio tudo que a gente viveu, porque, sério, você acabou comigo. E eu acabei com você... Pra que tanta dor, por que, pra quê? Era tão mais simples ter deixado tudo como estava... Por que a gente complicou tudo? Olha só, eu não sei.

sábado, 27 de outubro de 2012

Alice e Lucas: A primeira reconciliação.

"- Alô?
- Alice?
- Eu não quero falar contig...
- Espera, só escuta, porra. Sabe quando tu tá desenhando e erra, e fica uma merda, mas tu não pode apagar, porque vai foder todo o resto do desenho? Então, Alice, tu é isso. Tu é a parte da minha vida que me deixa na merda, mas não posso te tirar dela, porque sem você, todo o resto fica fodido. Tu nunca vai entender isso, tu é toda organizada, e eu sou tão... sem sentido. Tu me deixa mal pra caralho, Ali, mas eu não sei viver sem você. Quando eu passo um dia sem te ver, parece que, sei lá, tá tudo vazio, sem cor, sem sentido. E quando eu te vejo, e a gente briga, a gente sempre briga, isso me deixa puto, mas é o que colore minha vida, sabe? Você é toda possessiva e eu sou explosivo, nós nunca vamos ser o casal perfeito, e eu amo isso, eu odeio a perfeição. Eu gosto da bagunça, do desleixo, do descuidado, do relaxado, do diferente, do errado. Eu gosto de ti. Me perdoa, e não vai embora. Minha vida é uma merda sem você.
- Tu é... Um filho da puta.
- Eu te amo."

domingo, 7 de outubro de 2012

Is it my body?

Me disseram que quando estivesse como vim ao mundo, sentiria paz. Então vou, suavemente, retirando minhas roupas. Peça por peça. Tiro os jeans puídos, a camisa larga, os tênis sujos, a meia remendada. Limpo o rosto, retiro o batom, o rímel, o pó, a sombra, o lápis, o delineador, e todos esse produtos que me servem como máscara. Nua, e limpa, começo a puxar os fios de cabelo. Arrancando um por um, sentindo a agonia, a dor, se infiltrando no meu couro cabeludo e espalhando por todo o meu corpo. Cada fio, ao menos para mim, representa uma decepção. Uma pessoa que partiu. Um desejo não realizado, uma esperança destruída, uma ilusão estilhaçada. Um pedacinho do meu coração partido.
No fim, termino careca, nua e limpa. Me olho no espelho, e ainda assim não sinto o alívio prometido. Falta algo, ainda me sinto sufocada, afogada em meu próprio mar de dores. Talvez eu não tenho vindo ao mundo assim. Não - pensando bem, eu vim ao mundo com menos ainda. Não basta retirar as roupas e os cabelos. É necessário deixar tudo, tudo, tudo dessa vida - é necessário perder pra ganhar a paz.
Arranhando os braços, cortando-os, observo o sangue correr. Com certa dificuldade e muita dor, puxo as unhas, retirando-as. Primeiro as dos pés, depois as das mãos. Dor. Agonia. Sangue. Mas vai valer a pena, eu sei que vai. Já posso sentir um fiozinho de paz se instalando em mim. Me mergulho em água fervente, amolecendo a pele, numa tentativa fraca de facilitar a retirada. Começo a puxar a pele do meu corpo, desde o topo da cabeça. A dor é inimaginável. Sinto as terminações nervosas tremerem, sinto o cérebro gritando por socorro. Sinto minha pele descolando dos músculos e ossos. Sangue, sangue pra todo lado, dor, dor por todos os cantos. E a paz aumentando. A essa altura, já estou retirando a pele da barriga. Agora dos joelhos. Pés. Termino, atiro a pele para longe. O espelho me mostra algo horrível, algo que nem sei como está vivo ainda. Me sinto fraca, caio no chão. A paz é grande, mas não suficiente. Ainda falta. Lembrei o que falta, de súbito.
Ainda não retirei a dor maior.
Seguro uma faca, tremendo, na ponta dos dedos em carne viva. Arranco o órgão central, aquele que é responsável pela vida, o que bombeia o sangue que agora jorra por todo meu corpo.
No instante em que a dor é insuportável, e me entrego a escuridão, explodo em cem por cento de paz, e em um segundo, eu compreendo.
Quem tem coração, não tem alívio. 

sábado, 6 de outubro de 2012

Minhas verdades são mentiras.


13 de junho de 2012.
Preciso aprender a controlar minha sinceridade. Aprender a controlar minha língua (ou dedos). Aprender que não é tudo que posso dizer (ou escrever para outros). Que muitas vezes serei interpretada de forma errada. Que a verdade não é vista da mesma forma por todos. Muitas vezes serei incompreendida. Sinceridade machuca – tanto quem diz, quanto quem ouve. Não sei, ultimamente ando achando que machuca mais quem diz. Odeio ser mal compreendida, odeio ser subestimada, odeio não conseguir expressar as verdades como são. Minhas verdades absolutas machucam os outros, mas matam a mim. Minhas verdades absolutas nunca são cem por cento verdades, ou cem por cento absolutas. Minhas verdades absolutas quase nunca são verdades, e muito menos absolutas. Minhas verdades não são sequer minhas. Minhas verdades são mentiras, sendo assim. Não são minhas, não são verdades. O que são, o que sobra? Nada, vazio.

Notas Sobre Tudo Que Eu Deveria Dizer


São Paulo, 12 de junho de 2012 – “Notas Sobre Tudo Que Eu Deveria Dizer”
Acho que o que eu sinto mesmo é medo. Mas não medo pequeno, medo bobo. Muito medo, um medo enorme, um medo absurdo, um pavor que me gela por dentro.
Eu tenho medo de ser grudenta, carinhosa, amorosa, meiga, fofa, e nhenhenhém demais. Eu gosto – e muito! – de mimar quem eu amo, mas tenho medo. Medo de sufocar o outro e fazer-me insuportável. Medo de fazer com que enjoem de mim, medo de amar mais do que sou amada, cuidar mais do que sou cuidada, querer mais do que sou querida. Porque tudo demais, tudo em excesso, tudo que sobra é jogado é fora, e eu juro, juro, juro que não aguento mais ser jogada fora.
Eu só queria, uma vez, poder dizer sem medo. Eu só queria conseguir complicar menos as coisas. Eu só queria conseguir amar como se eu nunca tivesse sido magoada. Entregar-me, sabe? De verdade, pra valer.
Digo, eu tô entregue já, pra falar a verdade. Tô mesmo. Só que eu sempre fico pensando que vai doer pra caramba quando me jogarem fora.
Eu não quero ser jogada fora.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Invisibilidade.

Mas ela era assim. Não importa o quanto gritasse, implorasse, ou chorasse por atenção. Ela era invisível. Talvez por culpa dos cabelos pretos, lisos e compridos que combinavam com seus olhos, dois poços profundos. Talvez por culpa das roupas sempre grandes. Talvez por culpa do modo como se esgueirava pelas ruas, tentando diminuir. Talvez por culpa do jeito distante, como se não soubesse e não quisesse saber em que mundo estava.
Era triste, até, o modo como gritava silenciosamente por companhia, o modo como tentava chamar atenção. Sonhava com o dia em que finalmente seria vista, sonhava com um alguém que finalmente fosse vê-la, fosse amá-la, quem sabe, talvez, por que não? Chorava, desesperava-se, queria, mais que tudo, atenção. Não tinha. Ninguém a via.
Passava horas tentando se perder de si mesma, para quem sabe ser encontrada por outros. Andava pelas ruas observando os rostos, querendo que observassem o seu. Olhava-se no espelho e não conseguia se ver - era invisível até para si mesma. Sabia que sua história era triste, e sabia que seu destino era ser triste. Ela era assim. Conformada, depressiva, sozinha, invisível, desesperada por amor. Mal interpretada. Só queria amor.
A única coisa de que precisava, era ser salva. Precisava que alguém a tirasse do buraco depressivo em que caíra, precisava que alguém revertesse sua invisibilidade, precisava que alguém a salvasse de toda essa loucura, precisava que alguém desviasse seu caminho, para que não fosse triste para sempre. Ela precisava ser salva. Mas ninguém a via.
E ninguém me vê.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Só estranha mesmo.

Uma vez minha irmã me disse que eu era estranha. Uma vez meu pai me disse que eu era esquisita. Já me disseram que eu sou louca, demente, doida, maluca, pirada, confusa, complexa. Diferente.
"Você é diferente, Shelly."
Eu sou diferente. Meio inapropriado isso, não? Chegarem em mim e falarem que eu sou diferente. Mas o que é ser diferente? Isso é bom? Ruim? O que eu sou?
Não, droga, eu não sou diferente. Eu não faço nada de diferente, eu não tenho nada de especial, eu não tenho nenhum talento incrível ou fora do comum, eu não sei cantar, eu não sei desenhar, e eu escrevo tão bem quanto qualquer adolescente de quinze anos. Mas que saco, eu não sou diferente. Não sou especial. Não sou uma exceção. Eu não sou absolutamente nada. NADA.
Então, caralho, parem com isso.
"Você lê? Tá vendo, você é diferente."
"Você gosta de física? Que diferente."
"Seu nome é Shelly mesmo? Diferente, né?"
"Você não é estranha... Só diferente."
"Você tem um jeito diferente de escrever."
NÃO, PORRA, EU NÃO SOU, ISSO NÃO É, NÃO, NÃO SOU, NÃO TENHO. Eu sou igual todo mundo, eu não sou diferente.
Eu sou um lixo, um lixo como qualquer outro ser humano nesse mundo é.
Grata.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Alice e Lucas: O(s) Encontro(s)


Julho, verão de 2001

Nós éramos crianças, e eu odiei você logo que te vi. Te achei um rostinho bonito, mas não suportava aquele seu olhar metido. Eu tinha dez anos, quando ouvi sua voz pela primeira vez. E eu juro que eu nunca pensei que fosse virar algo, nem ao menos amizade. Talvez por isso te tratei tão mal. Talvez por isso não dei a mínima quando você disse que eu era chata. Ou talvez fosse porque eu era criança, e porque você realmente me irritava, com seu olhar metido e se achando superior. Ah, se eu tivesse uma máquina do tempo... Mudaria tudo, voltaria no tempo e diria a mim mesma para cuidar bem daquele moço, de você, e talvez você não tivesse ido embora. Talvez eu não estivesse escrevendo a história de nós dois, eu estaria vivendo-a. Eu não queria um começo, e quando começou, eu não queria o fim.
[...]

Fevereiro, verão de 2005

Eu lembrei de você. Tinha te visto uma vez, há quatro anos e mesmo assim eu lembrei de você.  Quando te vi entrar pela porta da sala de aula, os ombros largos e o peito estufado, meio sorriso no rosto, cabelo preto despenteado e olhos pequenos e verdes, eu lembrei. E pensei “meu Deus, ele cresceu”. Não tive dúvidas que era você. Eu simplesmente reconheci o menino irritante com quem eu era obrigada a brincar nas férias de julho de quatro anos atrás. Mas, nossa, você tinha crescido. Muito, e eu quase me arrependi de ter sido tão má. Quase. Você nem olhou pra mim, só caminhou e cumprimentou alguns meninos babacas. Eu era nova na escola, eu só conhecia você, mas, cara... Eu odiava você. Tipo, você tinha crescido e tal, tava bonitinho, até, mas aquele olhar metido continuava, e só Deus sabe o quanto eu tinha vontade de socar sua cara cada vez que te via.
[...]
Mas aí você falou comigo, e algo na sua voz me deixava tão... Vulnerável. Lembro até hoje, sete anos depois, da nossa primeira conversa.
- Ei, eu não te conheço de algum lugar? – Sua voz era rouca, calma, confortadora. Mas, como tudo em você, tinha aquele tom superior, que me irritava tanto, tanto...
- Não, e essa cantada é velha. – Menti.
- Não tô te cantando, ô, calma aê! Só quis ser simpático. Tu é nova na escola, né não? – Você falava arrastado, com jeito de malandro, e, meu Deus, aquilo despertava em mim uma vontade de ser sua mocinha, a mulher do malandro. Porque eu sempre gostei de coisas erradas, e não conseguia imaginar algo mais errado que você...
- Sou sim. Agora vai se oferecer pra me mostrar todo o colégio, se fazendo de bom moço, e depois dando em cima de mim, né? – Eu sorri. Esforcei-me tanto para não deixar que suas palavras me amolecessem, me fizessem sua. Eu te odiava há anos atrás, por que isso mudaria agora? E eu também não acreditava que você simplesmente não lembrasse mais do verão de 2001. Eu lembrei, e queria que você lembrasse.
- Na verdade, estressadinha, eu tô indo jogar e não pretendo acompanhar ninguém pela escola, não. – Primeira vez que você me deu as costas e eu quis correr atrás e me jogar nos seus braços e... Não, não, não, eu não podia pensar isso! Cadê aquela Alice que com dez anos não suportava o metidinho? Eu a queria de volta, eu queria a Alice normal de volta.
(Eu sei, você pode não acreditar nisso tudo. Mas eu juro, eu juro, juro, que te odiei da primeira vez, e me apaixonei na segunda. Queria tanto fazer-te meu, e queria mais ainda não querer nada disso.)
[...]
Aquela primeira semana de aula, foi... Como posso dizer... Um inferno. Seus olhos me seguiam por toda a parte, e eu tentava te odiar. Tava conseguindo, moço... Eu tava conseguindo te odiar. Até você fazer aquilo. POR QUÊ? Tô gritando na sua cara: POR QUE VOCÊ TINHA QUE ME TRATAR TÃO BEM? POR QUE SE TORNOU TÃO MEU AMIGO? POR QUE VOCÊ ME BEIJOU? POR QUE VOCÊ DISSE QUE ME AMAVA? POR QUE VOCÊ ME PEDIU EM NAMORO? Por que você terminou comigo?...
[...]
Você não deve se lembrar de nada, vou explicar tudo por partes, tá? E a nossa história começa aqui. Até esse parágrafo era só o encontro da sua história e da minha. Agora começa a nossa história. Ah, amor, não me ache louca. Eu me lembro de tudo, eu sinto falta de tudo. Ah, meu amor... Eu te odiava com todo meu amor, mas você foi pequeno demais pra segurar minha enorme confusão. Vou te fazer lembrar-se de tudo, ok? Meu bem... Nossa história é tão errada, e é por isso que eu gosto dela. Meu querido, nossa história é linda.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Minha vizinha do 22.


No apartamento em frente ao meu, mora uma senhora com seu filho. Na verdade, não sei se é a senhora que mora com o filho ou o filho que mora com a senhora. Irrelevante. Fato é que esse moço tem uma namorada. Suponho que seja namorada dele, pode ser noiva, esposa, amante, entre outros nomes dados para “parceira de beijos, sexo e/ou abraços”.  De qualquer modo, o que eu estava dizendo?... Ah, sim. Essa namorada é linda, tem cara de inteligente, e tem bom gosto musical. Sei disso porque toda sexta-feira ela dorme aí e eles sempre ouvem The Doors, Green Day e uma vez ouviram até Evanescence! Legal, né? Tenho uma quase-vizinha bem legal. As roupas dela são muito bonitas, o tipo de roupa que eu usaria se tivesse um tiquinho mais de dinheiro e um tiquinho menos de timidez.
Eu gosto da namorada do meu vizinho. Ela é aquele tipo de mulher que atrai olhares sem atrair críticas. Aquele tipo que não mostra, deixa perceber. “Melhor que mostrar, é deixar perceber”, li essa frase em algum canto por aí. Gostei. Assim como eu gosto da namorada do meu vizinho. Também gosto do meu vizinho. Ele tem cara de inteligente. Você simplesmente sabe quando uma pessoa é inteligente, e eu sei que ele é. Tem cara de quem ouve Los Hermanos. Tem cara de bom moço, cavalheiro, um bom namorado, um bom filho. Mas também tem uma carinha de metido. Bom, pelo menos ele me dá bom dia quando às vezes nos encontramos no elevador, de manhã. A namorada dele, nem isso faz. Também, linda daquele jeito, pra que é que ela precisa olhar pro mundo, cumprimentar os outros? É linda e tem o namorado perfeito. Mas, mesmo assim, ela perde alguns pontinhos comigo, por ter cara de metida.
Se algum dia eu for como a namorada do meu vizinho (linda, inteligente, legal, bem sucedida), eu não vou ficar metida. Vou continuar sendo legal com todos, e vou até cumprimentar uma menina adolescente com cara de sono no elevador às 6h50 da manhã. Já pensou se essa menina estranha escreve um texto, escreve palavras sobre mim, sem nem ao menos me conhecer?! Vou querer que ela escreva coisas boas e bobas, e não que eu sou metida.
Mas... Eu nunca vou ser como a namorada do meu vizinho, porque eu não espero nunca ser conhecida com “a namorada do fulano” e também porque eu não tenho cara de metida.
P.S. e sempre dou bom dia a todo mundo.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sobre aniversários, décadas de mudança e a vida.

Esses dias foi meu aniversário. Na verdade, agora que parei pra pensar, percebi que fazem exatamente sete dias que foi meu aniversário. Engraçado. Todo ano, quando chega agosto, eu fico ansiosa pro dia sete. Meu aniversário, sabe. Gosto de ganhar presentes, atenção, carinho, abraços. Minha sensibilidade multiplica por mil nessa época, fico realmente (mais) difícil de lidar. Sei lá, fico pensando que estou velha, que logo eu vou morrer, fico pensando no sentido da vida, fico pensando como estarei daqui quinze anos, como estarei comemorando o próximo aniversário, se estarei viva... Calculo quantas pessoas eu perdi nos últimos dez anos, penso nas que perderei nos próximos. Relembro de cada felicidade vivida, cada dor sentida, reabro todos os machucados só pelo prazer de olhá-los e pensar "eu superei". Já não dói mais. Na verdade, nem sinto mais muita coisa. Tô meio que anestesiada. Desde a última perda, eu meio que já não sinto as coisas como antes.
Eu costumava ser tão fofa... Tão meiguinha, tão bobinha, tão ingênua, tão frágil, tão simples, tão cheia de boas intenções, tão pequenininha, tão inocente... Eu juro que eu era totalmente diferente do que sou hoje. Nos últimos três anos, minha vida e minha personalidade mudaram completamente. Agora eu sou tão intensa, tão cheia de dores. Antes eu era tão vazia, tão boba, tão, tão, tão ingênua. Meu eu atual é repleto de dores, confusões, experiência, perdas, brigas, choros, decepções. Mas, hoje, eu sou forte. Não tanto quanto eu provavelmente serei daqui uma década, mas com certeza mais do que eu era há cinco anos atrás.
Acho que, no fim, é isso mesmo. Sofrer, sofrer, sofrer, chorar, chorar, chorar, morrer, morrer, morrer. A vida é triste, temos apenas fragmentos de felicidade no meio dela, e, como os bons animais estúpidos que somos, não sabemos aproveitá-la.
Às vezes, eu penso que é horrível nós não sabermos NADA sobre... Nós. Não sabemos o que é isso, essa vida, como a gente tá aqui, o que é 'aqui', pra onde vamos, quem somos, como somos, como tudo existe, por que existe, o que é 'tudo'... São tantas dúvidas, por alguns segundos, às vezes, eu vejo minha vida como se fosse um filme ou um livro em que nós não sabemos nada dos personagens ou do enredo enquanto ele não se desenrola, como se só fossemos descobrir no final. Mas aí me dou conta de que não é um filme. Não é um livro. É nossa vida. E talvez no final não tenha nada. Nada.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Suicídio interior.

Afundar-me em pensamentos, perder-me em lembranças, afogar-me em lágrimas. Suicidar-me. Interiormente. Me matando, aos poucos, lentamente, torturando-me com as piores hipóteses, as lembranças mais tenebrosas, revivendo cada dor já sentida, reabrindo cada cicatriz, até tranformá-las em fraturas expostas. E todas as noites, sem exceção, ir além da dor imaginável. É um suicídio interior, uma auto-tortura do cérebro, auto-induzimento da alma ao sofrimento. Olhos obscuros, coração lento, mãos tremendo, alma morrendo. Me encontro em um dos mais profundos níveis do desespero, cada pedacinho meu grita implorando por socorro. Mas, oh céus, eu não quero socorro. Eu não quero ajuda. Eu quero cortar, despedaçar, queimar, destruir minha alma, eu quero incendiar e explodir meu cérebro. Eu quero que todos os pensamentos e todas as lembranças morram. Eu cansei dessa luta, procurando pela saída do poço. Ah, deixa, eu desisto mesmo. Vou ficar aqui no fundo, (des)confortavelmente acomodada em meio aos espinhos, vou afundar-me cada vez mais nas lâminas, vou brincar de roleta-russa com todas as balas na arma, vou tirar minha alma e jogá-la de um precipício, vou arrancar meu cérebro e esquartejá-lo. Vou sentar aqui, quietinha, no escuro, dolorida, me machucando mais e mais, e esperar, calmamente, o dia em que não terei mais forças pra reagir, e o suicídio tenha sucesso.
Suicídio interior, lento e (assim espero) eficiente. Assim só sobrará minha carcaça, a parte exterior, a que é bonitinha e pode facilmente interagir com outros. Aí não pensarei mais, aí não sofrerei mais. Aí, finalmente, tudo ficará bem. O único modo de ser feliz é não tendo um cérebro, nem um coração. O único modo de ser feliz é suicidando-se, de dentro pra fora.
Eu serei feliz.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Foda-se ou se fode.

Uma das coisas mais tristes dessa vida cheia de tristezas, é que sempre chega aquele momento em que você tem que decidir: ou você se fode, ou decepciona alguém que ama. Em que você tem que escolher entre decepcionar alguém que é muito importante pra você, ou ser fiel para com você mesmo, e fazer o melhor pra ti. Decisões por si só já são complicadas e doloridas demais, e decisões que magoam alguém que você nunca, jamais quer magoar, são tão horríveis quanto acabar a luz enquanto você estava no banho e tão agonizantes quanto derrubar o controle do videogame. Sou péssima com comparações, mas.
Sei que é dolorido e, muitas vezes, confuso, ter que dizer palavras que vão machucar alguém que amamos, mas pior que isso é machucar nós mesmo. Querendo ou não, pessoas são passageiras nas nossas vidas, de um jeito ou de outro, elas sempre nos deixam. Então, não faz sentido se magoar repetidas vezes pra que elas não se magoem. Você terá que conviver consigo mesmo o resto da sua vida, you know, é melhor começar a se amar MUITO e acima de qualquer outra coisa. Fazer suas vontades, fazer com que seu bem-estar seja prioridade, tomar decisões em que o resultado favorece você - tudo isso é necessário, pra ser feliz.
Sei que muita gente aí não é um pouquinho mais individualista e um poucão menos altruísta por medo de ser taxado de egoísta e "só-pensa-no-próprio-umbigo". Mas, adivinha? O seu umbigo é mesmo o único que importa! É com ele que você vai passar o resto dos seus dias, não com o dos outros. Não se importar com os outros, e se importar um pouquinho mais com a gente, de vez em quando, faz bem, e muito bem! Perceber que você tem valor, que você merece o melhor, que você precisa tomar a decisão certa pra você. Se amar, se cuidar, e se proteger é o único jeito de ser feliz - ou quase isso. Se você passar a vida inteira colocando os outros na sua frente, nunca vai ter o que quer, sempre vai se foder, e isso não é justo com você mesmo. Se você nunca ligar o "foda-se" pros outros, sempre vai ser o único que se fode.
Enfim, às vezes, machucamos pessoas que amamos, pra não nos machucarmos e, acredite, não há nada de errado nisso. É comum, o ser humano tá sempre errando e decepcionando os outros. O importante, acima de tudo, é se amar. Ame-se, e faça o que é melhor pra você.
Você é a única pessoa que importa.

domingo, 27 de maio de 2012

Alice e Lucas: O Reencontro.

[...] Foi engraçado, porque depois de ter sonhado várias vezes com esse dia, ele havia chegado e eu não dava a mínima. Eu estava ali, em um café qualquer, com um cappuccino na mão, em pé ao lado do balcão... E você acabava de passar pela porta, com seu cabelo bagunçado, com seus ombros largos, com suas pernas tortas e seu sorriso sacana. Você estava igual. Uns três ou quatro anos mais velho, mas igual. Uns dez ou onze passos mais longe, mas igual. Com uns oito ou nove novos amores, mas igual.
Seu olhar parou em mim. Congelou, quase como se não acreditasse, e eu quis dizer: "sim, meu bem, sou eu, sim, vem cá, me diz oi, deixa eu te mostrar o quanto eu não preciso mais te mostrar nada". Acho que você pensava ser impossível me encontrar de novo. Eu, tomando cappuccino, cabelo curto, com maquiagem e salto alto. Eu, que agora não era mais você, pra você, sua. Eu que agora era por mim, pra mim, eu. [...]
Veio andando na minha direção, entortou a sobrancelha, fechou um olho, abriu a boca, gaguejou.
- Alice? - Sua voz. Ah, sua voz. Não tinha mais nenhum efeito sobre mim. Chequei a pulsação: normal. Nada de coração disparado, boca seca, mãos tremendo... Nada.
- Lucas. - Foi uma afirmação, é claro que eu lembrava de você. É claro que eu lembrava do meu primeiro amor, do primeiro a me dizer adeus, do primeiro a me fazer ver que o amor dói. 
[...]
Eu sorri. Você pareceu confuso. Segundos depois, se recuperou, deu aquele seu sorriso torto, e passou os dedos no cabelo. Eu quis dizer: "desarme-se, seu idiota, diz que sentiu minha falta, diz que eu to linda, diz que eu nunca estive tão gostosa, seja inconveniente, vulgar, safado, seja sem educação, mas mostre o quanto sente falta dos meus beijos, do meu toque, só pra eu poder dizer o quanto eu não me importo mais com você", mas não disse. Nada. Só te olhei e sorri.
- Quanto tempo, Ali. - Quem você pensava que era pra me chamar de Ali? Você perdeu esse direito, no mesmo dia que perdeu a mim.
- Pois é, muito tempo...
- Faz o quê? Quatro anos, desde a última vez que te vi?
"Cinco anos, cinco malditos anos. Cinco anos em que eu malhava, estudava, trabalhava, transava, beijava, vivia, sem você. Sem você."
- É, por aí. Como vai a vida? - Diz que tá um saco. Diz que nada mais faz sentido sem mim. Diz que me procurou em outras garotas, mas eu sou única. Implora. Implora por perdão, implora pra eu voltar. Só pra, dessa vez, ser eu a dizer não.
- Vai ótima, tô quase me formando na faculdade, sabia? E tu, como vai?
- Melhor do que nunca. Me formei há uns oito meses, consegui emprego em um jornal, comprei um apê... - "Senti sua falta.", eu queria gritar. Senti sua falta em cada mísero dia, em cada manhã, cada madrugada. Senti tanto a sua falta, sonhei tanto em te ver, que agora eu, finalmente, não sinto mais nada.
[...]
Você pegou uma mecha do meu cabelo e pareceu triste.
- Cortou?
- Oi?
- Tu cortou o cabelo?
- Ah, cortei. - Cortei o cabelo ao mesmo tempo que você me cortava da sua vida, idiota.
- Não gostei. Tá feio. - Você disse com grosseria, fechando a cara e me olhando esquisito. Me deu raiva.
- Sério? Então é ótimo que eu não precise mais da sua aprovação. - Sorri. Você riu.
- Qual é, Ali. Tu sempre vai precisar de mim, boba. Eu sempre vou ser seu primeiro amor... Inesquecível, né? - Riu mais ainda, e eu quis dizer: "não, eu não preciso de você. Não eu não te quero mais, você não faz falta, seu babaca, seu sacana, seu inútil.", mas eu só aumentei mais o sorriso.
- Pensei que tinha amadurecido, Lucas. Vejo que não. - Você deu de ombros e pegou um cigarro. Me ofereceu outro.
- Parei de fumar.
- Desde quando? - Você saberia, se não tivesse ido. Saberia que parei de fumar desde que meu avô morreu de câncer no pulmão. Melhor, você teria me consolado quando isso aconteceu. Teria me dado força, e passado as noites enxugando minhas lágrimas. Se você não tivesse ido, tudo teria sido tão diferente...
- Sei lá, faz um tempo.
- Você mudou, Alice.
- Pois é.
- Olha, eu não queria comentar nada... Mas teu corpo fica horrível quando você usa salto alto. E essa tua maquiagem tá te deixando tão velha. - Você riu.
- E você? Com esse cabelo, essa camisa, parece um delinquente. - Mentira. Tava lindo, você era lindo. Mas eu também estava linda, e eu sei que você me queria de volta. Mas mesmo se você dissesse, não me teria. Eu só queria a chance de te provar, que eu não precisava mais provar nada à ninguém. 
- Talvez eu seja um. - Você piscou. Eu ri. - Tenho que ir, Ali, tô atrasado pra um encontro. - E foi assim que eu soube que você me queria de volta. Você não precisa me dizer para o quê estava atrasado, nem ao menos precisava dizer que estava atrasado. Mas disse, fez questão de esfregar na minha cara que estava indo se encontrar com outra, que beijaria outra. Quase como se você quisesse dizer: "eu tenho outras, eu não preciso de você, eu não sinto sua falta". E foi assim que eu soube que você sentia minha falta. 
- Tchau, então, até qualquer dia.
- Tchau, Ali. Se cuida, hein? - É claro que eu me cuido. Aprendi a me cuidar, há cinco anos, quando você se cansou de fazer isso por mim.
- Pode deixar.
Vi você virando, me dando as costas. Andando desajeitado, com suas pernas tortas e seu ombro largo. Era verdade, eu não sentia mais sua falta. Tá bom, só às vezes. Sentia aquela saudade que faz cócegas, aquela nostalgia, sentia saudade de tudo que fomos. E sim, eu te amei, e te amaria sempre. Podiam se passar vinte anos, eu te amaria. Mas aprendi que isso não muda nada, e aprendi a viver sem você. [...] Mas, acima de tudo, eu nunca te esqueceria. Eu nunca esqueceria dos seus ombros largos e das suas pernas tortas. Eu nunca esqueceria do seu tom de voz, e do efeito que seu toque tinha sobre mim. Eu nunca esqueceria de quando você me ligou bêbado, eu nunca esqueceria do encontro no café, eu nunca esqueceria do encontro no cinema, eu nunca esqueceria de você. Porque você foi meu primeiro amor... Inesquecível. [...]

sábado, 19 de maio de 2012

Um pouco do que eu sou e tudo que não sou.

Nem eu mesma sei direito por que eu sou assim, mas sou. Eu sou confusa demais. Às vezes eu penso que só quero ser comum, e fofinha, e feliz, e ser dessas meninas que são boazinhas e amigas de todo mundo. Mas tem dias em que eu quero e sou tempestade, em que eu não ligo para o mundo e muito menos sou feliz. E eu não sou nada, eu não sou tempestade, eu não sou copo d'água. Eu não sou constante, eu sou mutante, eu não sou certa e nem errada, eu sou incerta. Eu mudo o tempo todo, simplesmente porque eu posso mudar. Eu amo e não me entrego, me entrego quando não amo, e odeio quando entrego e amo e gosto demais. Odeio amar, amo odiar amar, odeio o ódio e amo poder odiar. Tá complexo, tá difícil de entender? Isso sou eu. Não sou uma coisa, uma personalidade só, uma categoria, um gênero, um tipo de garota. Sou todos e não sou nenhum, ao mesmo tempo. Sou eu mesma e serei eu mesma, mesmo contra todos os estereótipos, eu não sou nenhum, eu sou nada. E enquanto sou nada, tento ser tudo, tento ser todos. Mas eu não me entendo, e me isolo tentando me enturmar comigo mesma, com meus sentimentos, com meus extremos. Eu não sou meiga, eu não sou fofa, eu não sou seca, e não sou fria. Eu não sou a vilã, muito menos a mocinha. Sou figurante, procurando um papel não necessariamente principal, apenas um que se encaixe. Um personagem que me agrade, que vista bem. Eu estou completa, e não procuro complementos, obrigada. Tenho todos que quero, e sou preguiçosa demais para procurar mais alguns. Eu tenho preguiça de conhecer pessoas, talvez por medo de me encantar demais, e me entregar demais.
Sou meio intensa. Meio, não. Sou intensa demais. Me entrego, me jogo e faço quase tudo sem pensar. Sofro, choro e me odeio, sem pensar. Não penso. Porque sempre que eu penso, penso demais, e não acho soluções para as perguntas, apenas mais perguntas. Tento não pensar. Fracasso.
Sou uma explosão de sentimentos e novidades que pouco conseguem segurar. Eu vou embora, da vida de todos. Eles vão embora da minha, quando não o faço. Eu afasto quem eu mais quero por perto... Eu tenho medo de querer, tenho medo de amar. Mas amo mesmo assim. Acho que é isso que chamam de coragem, certo? Ou não. Talvez seja idiotice. Sou idiota, tá aí uma verdade universal.
EU SOU IDIOTA. Assim, bem grande, em negrito, sublinhado, e nessas três palavras cabem um mundo, meu mundo. Eu sou idiota quando não ligo, não chamo, não corro atrás. Eu sou idiota quando sou legal com quem não merece, e chata com quem me é legal. Eu sou idiota quando dou valor as coisas grandes, e quase me esqueço das pequenas. Também sou idiota quando lembro só das pequenas, e esqueço das grandes. Eu sou idiota quando amo, e quando odeio. Eu sou idiota quando escrevo, e quando não o faço. Sou idiota quando acho que tudo no mundo é um sinal ou uma pista do destino que tomarei (ou que me tomará, dependendo do ponto de vista). Sou idiota quando acho que pedras rochosas em torno da lua podem saber algo, e acredito em horóscopos e tarô. Sou idiota quando acho que não sou. Idiota quando penso que sou especial ou diferente de alguém, ou quando penso que só eu penso o que penso. Idiota quando acho que sou única, quando não passo de mais um número na contagem, mais uma cabeça na multidão, mais um carnê no banco, mais um túmulo no cemitério. Idiota quando acho que não sou única, e sou, não existe outra eu no mundo inteiro. Sete bilhões de pessoas, e só eu sou eu. Só eu acho estranho ser eu, os outros acham estranho ser eles. Mas eu... Ah, eu sou eu. Eu sou única, eu sou especial, eu sou tempestade, eu sou copo d'água, eu sou terremoto, e sou calmaria, eu sou a fome, sou o sono, sou o tédio, sou a felicidade, sou tristeza e depressão. Sou a incógnita, sou o mistério-sem-resolução. Sou a morte que não deixa sinais, nem marcas, só acontece. Sou a que traz confusão, perguntas e ás vezes respostas. Sou a que bagunça a vida dos outros, tentando arrumar a minha. E nunca consigo, fracasso faz parte. Sou a rotina, sou a mudança. Previsivelmente imprevisível. Em todos os meus extremos, sou meio-termo. E nos meios-termos, eu tento ser extremo. Odeio ser intensa, mas não quero ser só mais uma calminha, bobinha, feliz e comum. Eu odeio ser quem eu sou, mas não queria ser mais ninguém. Eu odeio mais ainda os outros. Eu sou o texto sem fim, a frase que faz pensar, a imagem que marca. Sou a tatuagem que você se arrependerá de ter feito, sou o piercing que tu colocou no auge da idiotice adolescente. Sou os erros que tu cometeu, sou os acertos que fará. Sou tudo e nada. Quente e frio.
Sou mudança. Sou eu. Sou idiota.
Não sou. Sou o mundo. Sou ninguém. Nada.
Não sei mais o que sou, nunca soube quem sou. Mas sou. E continuarei sendo.

domingo, 6 de maio de 2012

Let's try?

Olha, acho que a gente pode tentar, né? Porque se não der certo... Somos amigos e sempre seremos, porque eu sei e tu sabe que a gente é pra sempre. Mas eu quero mais do que amizade, e acho que a gente pode tentar, sempre tem cinquenta por cento de chance de funcionar, e mais cinquenta por cento de chance de funcionar muito bem. E tudo com a gente sempre deu tão certo... Nós brigamos muito, mas eu gosto disso. Eu gosto de brigar e perdoar, eu gosto dessa montanha russa, porque ela me mantém apaixonada. Não por você, pelo nosso amor. Eu amo nós. Eu amo nosso amor, eu sou apaixonada pela ideia de nós dois juntos.
O melhor beijo da minha vida, não foi o nosso; mas o seu abraço é meu refúgio preferido. Eu não te quis a primeira vista; mas quando te quero, te quero mais do que todos os quereres de todas as pessoas que querem algo. Eu não passo noites acordada chorando por você; eu passo dias sonhando conosco. Eu não penso em você em toda música que ouço; nós temos nossas músicas. Você não está comigo o tempo inteiro; mas tudo que acontece eu penso em te contar porque é você que entende o que eu quero dizer, sem eu precisar dizer. Eu não quero você dormindo comigo e me esquentando no frio; eu quero você do meu lado sempre, eu quero você e eu no mercado às duas da manhã comprando fraldas pra nossa filha, eu quero dormir abraçada e encolhida com você no sofá e acordar com torcicolo, eu quero você me acordando no meio da noite, só pra contar um sonho bobo que acabou de ter.
Eu quero construir uma vida com você. O que eu sinto por ti não é mais um amor bobinho momentâneo. Eu criei um futuro para nós, eu quero fazer planos com você. Eu quero casar contigo, porque parece certo. Eu quero comprar uma casinha e viver enfiada com você lá dentro, ou ficar enfiada com você em qualquer lugar, porque eu te amo, e você é meu mundo, e minha casa é onde você está, é você. É isso que faz de você única: eu acordaria às quatro da manhã só pra te fazer uma massagem, só pra te beijar enquanto você está sonolenta.
Eu não posso afirmar que todos esses sentimentos e todas essas vontades são pra sempre, porque em todas as vezes que eu disse "pra sempre", acabou. E eu não quero ter que ver o nosso fim, eu não quero um fim. (nós nem começamos ainda, e eu já falo do fim... mas cê sabe que eu sou assim.)
Eu tava pensando aqui, e cheguei à conclusão de que eu não sei e nunca chego a conclusão nenhuma, porque eu sou confusa. Mas eu te amo. E te quero, não por um instante, eu te quero comigo até o fim. Até o fim desse sentimento. Eu não quero ter algo eterno contigo, eu quero que o sentimento seja eterno, e que o que temos (teremos?) acabe junto com o sentimento. Ou seja, nunca, nunquinha, jamais.
Insira nesse parágrafo palavras clichês de amor e paixão e amizade e sentimentos muito fortes, porque todos esses clichês bonitinhos que você já leu, viu ou ouviu por aí, talvez se encaixem perfeitamente no nosso amor, e tudo depende da forma como você os lê, onde você os lê. Então insira aqui textos e frases do Caio F. Abreu, da Tati Bernardi, da Clarice Lispector... Mas só se você quiser, tá? Insira aqui todas as palavras bonitas que tu queria ouvir, e imagine eu as dizendo pra tu... Porque eu diria, e provavelmente seria verdade, porque... Eu te amo, e te acho linda, e você é minha.
Ei, eu tava aqui pensando... Eu acho que a gente deveria tentar. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Foram juntos, nasceram quase que juntos, conheciam-se tão bem quanto possível. Na infância, melhores amigos; na adolescência, o casal mais apaixonado; na vida adulta, a tragédia mais inesperada." (trecho de uma historinha que escrevi, há uns três meses.)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sei que riem.

Esses pensamentos torturantes e analíticos fazem-me enlouquecer. Esse meu jeito doentio de sempre pensar o que ninguém pensa, o impossível, o improvável, o diferente. Faz de mim louca, impossível, improvável, diferente. Estranha. Esses olhares tortos lançados sobre mim por onde passo, fazem-me desconfiada de tudo, do mundo. Sei que riem. Por dentro, por fora. Riem-se na sua completa ignorância. Riem-me por saber muito e falar pouco. Pensar demais e expressar-me menos. Riem-se e pensam: "Qual o problema dela?". Meu problema. Dizem assim, como se fosse apenas um problema. Repito, riem-se na sua ignorância de mim, dos outros, de si mesmos. Não se conhecem, se olham no espelho, vêem bonequinhas de plásticos perfeitas. Olham no fundo dos seus próprios olhos, e finalmente tentam enxergar a alma, sua visão é ofuscada por roupas de marca e desejos fúteis. Sem conteúdo, sem profundidade, apenas um lago raso e barulhento.
"Águas calmas são as mais profundas." Por isso prefiro calar-me e sentir. Tenho que admitir; sou profunda demais às vezes. Toda essa profundidade, esse espaço dentro de mim, me faz perder-me dentro da minha própria alma, perder-me em pensamentos bobos.
Mas eles não me conhecem. Eles só conhecem a garota que usa óculos e roupas grandes. A garota que passa as horas lendo. A garota que sorri para todos, mas gosta de poucos. A garota que oferece ajuda, mesmo estando precisando e ninguém ter lhe oferecido. Sim, eu sou essa garota.
Acontece que eu não sou só ela. Eu também sou aquela que pensa, sente, vive, respira, ri-se, chora, canta, dança, escreve... Sou aquela que quer amigos, mas acostumou-se a ser sozinha.
Sou a senhorita Solidão, como vai? Eu vou assim, cercada de pessoas, mais solitárias que eu. Eu tenho a mim mesma, elas não se conhecem, não conhecem o mundo e os seres e as coisas. Estão perdidas, sem saber como agir. Então, riem-se, riem-se, riem-se.
E quando querem chorar de medo...
Riem-se na sua própria solidão.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sobre querer não querendo.

Há uns três dias eu venho ficando frequentemente incomodada em ser sozinha. Não no sentido emocional, não. No sentido emocional, me agrada muito ser sozinha, gosto de ficar sozinha em casa, gosto de pensar sozinha, gosto de imaginar situações na minha cabeça, e gosto de não dividir minhas dores com ninguém. Eu tô me sentindo sozinha no sentido físico.
No sentido de não ter ninguém pra me abraçar, me beijar, me morder, me arranhar, me beliscar... De não ter ninguém com quem eu possa ouvir Kate Nash, ou The Maine, e dizer "essa é a nossa música, mô". Não ter ninguém pra segurar minha mão e me fazer sentir segura, quando meu mundo estiver desabando. Ninguém pra me abraçar por trás e sussurrar no meu ouvido que meu cabelo fica colorido no sol. Ninguém pra reparar que meus olhos são verde escuro, logo que eu acordo. E que ficam mel no sol. E em dias nublados, cinza. Ninguém pra amar minha marquinha de nascença na parte de dentro da coxa, porque ela tá em um lugar que pouco reparam.
Ninguém nunca reparou nessas coisas, porque ninguém nunca me amou plenamente. E, os que amaram, eu não deixei repararem. Eu não deixei se aproximarem. Porque eu tenho medo.
Eu tenho medo do desconhecido. Eu tenho medo do amor. Eu tenho medo de me tornar dependente de algo finito. De algo que um dia vai acabar, e vai me fazer sofrer. Eu tenho medo de sofrer. Eu sou frágil, e com um simples "acho que a gente deveria dar um tempo", eu poderia desejar a morte. Ah, mais do que frágil - eu sou dramática.
E será que algum dia eu vou achar alguém que goste - ou pelo menos suporte - meus dramas excessivos? Minhas mais que constante mudanças de humor repentinas? Minha sensibilidade e minha carência de beijinhos, mordidinhas, e carinhos? E será que esse alguém entenderia que, apesar de carente, terá dias em que eu não vou querer nem um beijo na bochecha?
Alguém.
Alguém, pra mim, por mim, porque eu quero, quando quero, e quero sem querer. Se pudesse escolher, obviamente, escolheria não querer.
Alguém - pelo bem da minha sanidade mental.
Alguém pra me chamar de chata, e depois de "minha chata". Alguém pra me fazer rir na fila da montanha-russa, porque - mesmo que eu negue - ele sabe que eu tô com medo. Alguém pra entender minha preferência por chá quente, e não gelado. Alguém que saiba que eu só tomo café com tanto açúcar que me faz mal, e não me deixasse tomá-lo. Alguém pra ouvir Mallu Magalhães comigo, me chamando de irritante quando eu cantasse as músicas, mas no íntimo me amando daquele meu jeito, meu pior jeito, meu melhor. Entendendo os meus extremos, os meus 8 ou 80, os meus exageros. As minhas complexidades, minha aleatoriedade, meus pensamentos insanos que me deixam (quase mais) insana.
Alguém que não me fizesse dizer eu te amo todo dia, e que não reclamasse nos dias que eu dissesse toda hora. Alguém que me fizesse sentir amada, sem me sentir sufocada.
Que entendesse quando eu digo que não o quero ver hoje, sem ficar magoado e blá blá.
Alguém que soubesse exatamente o que eu quero dizer com "coisa aquele coiso coisadinho ali em cima do coiso, por favor".
Que me acordasse no meio da noite, e dissesse que me ama. E risse de mim quando eu mandasse ir se danar.
Que entendesse minha vontade de ser plena, e estar faltando. De ser perfeita, e acabar sendo perfeitamente errada. Que entendesse meus erros não entendidos nem por eu mesma.

Que não ligasse quando eu fizesse cena, só pra ter certeza se devo ser plena nesse amor.

Que entendesse o quanto eu me sinto ridícula falando da minha carência. Que lesse meus textos e fosse sincero sobre o que acha deles.
Que não me deixasse - não partisse meu coração, não me fizesse sentir pior que roupa amarrotada de mendigo.

Eu quero esse alguém. Queria não querer, mas quero, e muito.
Acho que fica nisso, né? Eu querendo sem ter, sem querer.
O amor não vai chegar - nunca. E quanto mais cedo eu aprender a viver sem ele, melhor viverei.


Vivendo assim confusa, perdida, buscada, e nunca, nunca, nunca encontrada. Por ninguém.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Suicide (or of love) note.

"I'm not saying it's your fault, but your love kinda make me wanna die."

E eu posso tentar te manter aqui, posso tentar te fazer sorrir, posso tentar te amar e concertar seu coraçãozinho, posso tentar te convencer de que eu sou o melhor pra você. Posso me iludir, me odiar, me machucar. Posso te amar, e isso deveria ser o suficiente, certo? Certo. Então por que você não me ama de volta? Por que quando eu olho para o lado, vejo um vazio do lado de fora, e sinto um vazio do lado de dentro? Por que eu sinto uma dor absurda ao ver você me dizendo que está sofrendo por outro?
E eu, que já não sou lá muito forte emocionalmente, fisicamente, mentalmente, enfim, eu que sou fraca, me vejo fragilizada ao extremo, me vejo dominada pelo seu sorriso, capaz de qualquer coisa para tê-lo. Sei que sou difícil, sei que tu é confusa e indecisa pra caralho, mas eu espero. Espero por tu, pelo seu sorriso, pela sua voz, pelo seu "eu te amo" quase-que-nunca dito. "Baby, don't give up on us" -porque toda vez que você diz tchau, a sanidade me abandona, e eu quero te seguir, sejá lá pra onde você vai.
E eu sinto vontade de ir. Não com você, pois é impossível te acompanhar, tu tá quase mais perdida que eu. Digo, sinto vontade de ir embora. Partir. Entende?
Deixar esse mundo.
Ir dessa pra melhor - ou pior.
Ir pro céu. Pro inferno. Pra longe. Dormir pra sempre. Não mais sentir.
Cortar toda essa dor de fora pra dentro. E quem sabe assim aprender a desapegar-me, desiludir-me, desesperançar-me. E uma quantidade infinita de "des" que são necessários para que eu possa continuar respirando sem sentir dor. Sem sentir aperto. Sem sentir você. Ou a sua falta.
Comecei pensando em escrever sobre o por quê de às vezes o suicídio passar pela minha cabeça. Mas meu cerébro deu uma reviravolta, uma grande confusão, realmente, e tudo se voltou à você. Ao seus olhos, à sua risada, ao seu toque. Ao meu amor por tudo isso. À minha ilusão de um '"nós", que matou todos os "eu" e se concentra apenas em transformar o "você" em parte de mim. Me diz, por quê eu não consigo fazer sentido? Nada que eu diga jamais será o suficiente pra expressar a dor e a agonia que é não te ter nos meus braços. É tudo que eu preciso.
É só isso que importa. Só você. Só você importa pra mim.
E voltamos ao suicídio. Acabar com toda essa dor indo embora, seria egoísmo demais? Fraqueza demais? Exagero demais? Burrice, talvez? Eu não sei. Eu não sei de porra nenhuma mais. Eu estou confusa, e isso me deixa com raiva. Gosto de ter certeza das coisas, e você me deixa insegura com relação á tudo.
O que nos leva de volta ao amor. Eu nunca sei como devo agir contigo, porque nunca sei se seu humor estará a meu favor na manhã seguinte. Eu nunca sei se quando você chora, quer que eu limpe suas lágrimas ou me afaste. Se quando você é fria, quer que eu te aqueça ou simplesmente vá embora. Se quando você me faz ciúmes, quer que eu aja normalmente ou demonstre toda a porra da raiva que eu tô sentindo dentro de mim. Eu nunca sei se devo continuar insistindo nessa confusão, nessa droga de amor quase correspondido. É, quase. Você não me quer, mas também nunca disse que não poderia aprender a querer. Não corresponde, mas também diz que ama mais do que o normal. Acho que é isso, né? Just this. Tu quer me deixar confusa. Louca. Por você? Esquece, ignore a interrogação. Por você eu já sou louca.
Suicídio, you again? Vou coletar minhas dores, vou ignorar meus pesadelos, vou odiar você e tudo relacionado a ti. Vou deletar seu número e seus sms cheios de palavras que me enchem de esperança. Vou excluir nossa música do meu computador, vou te bloquear em todas as redes sociais. Vou -jamais- sorrir-te de novo. Nunca mais tu verás ou ouvirás qualquer coisa amorosa vinda de mim. Eu vou te esquecer, não quero mais viver na ponta da faca. Sem cair pra nenhum dos lado, mas me machucando cada vez mais. Eu vou te esquecer. Já esqueci. Não lembro mais do brilho do seu cabelo no sol, não lembro mais da sua voz engraçada cantando, não lembro mais da primeira 00h00 juntas, não lembro mais do seu toque e como ele faz parecer que tem mil formiguinhas andando por dentro do meu estômago, esqueci do desejo que tu causa em mim, esqueci do suposto amor que sente por mim, esqueci do "eu vou estar sempre aqui quando você precisar, quando estiver mal". Porque você nunca esteve, você nunca esteve. Então eu esqueci. E jamais falarei com você, jamais tocarei no teu nome, jamais vou me referir ao qualquer coisa que já esteve ou possa estar relacionada à você.
Eu finalmente te esqueci! Eu esquec... Olha lá, você me chamando no msn. Olha. Sua janelinha piscando com o teu nome. Me torturando. Não vou clicar, não vou clicar, não vou clicar. Ok, só vou ler o que você disse. Não vou responder, não vou.
E eu clico. E eu leio "oi amor". E eu sorrio. E eu lembro. E eu amo, de novo e de novo. E eu respondo. E me apaixono. E me perco. E me machuco. E me iludo. E me necessito. Me necessito de você, sem jamais ser necessitada de volta.

E você jamais secou minhas lágrimas, e eu sempre secarei as tuas. E você jamais esteve aqui por mim, mas eu estarei, pra sempre, por você. Tu pouquíssimas vezes me disse a verdade, e eu sempre fui tão sincera. Sinceramente boba. Por você. Nunca por mim, sempre por nós.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Sobre ser babaca, vulgo, adolescente.

Vamos lá... Tá na hora de parar com isso, né gente. Com esse drama, essa carência, esse desespero por atenção, essa sensibilidade excessiva. Tu tá só na adolescência. Não é como se fosse morrer, então para de agir assim, como se o fim do pote de sorvete fosse digno de um escândalo equivalente ao do fim do mundo. Eu sei, eu sei. Sua amiga tá estranha contigo, mas ela não é a última amiga que tu terá; apareceu uma espinha horrível? Ela não vai durar pra sempre; tá sem vontade de viver? Olha pra quem tá pior, pensa, levanta, prende o cabelo, toma um banho, coloca uma roupa e vai enfrentar o mundo, de cabeça em pé, sempre almejando o melhor, mesmo que pareça impossível.
"O impossível é só questão de opinião".
E a sua opinião? Cadê tu exercendo ela? Cadê tu gritando pro mundo que pode e vai melhorar? Que vai superar? Que mesmo que pareça o fim do mundo, o mundo vai continuar aí, as pessoas vão continuar sofrendo, chorando, rindo, brincando, se arrumando, enfim, vivendo.
Cansei de fazer textos sobre isso: sobre a babaquice de ser adolescente. Adolescente é muito babaca, na moral. Não há nada que tu possa fazer pra evitar de ter essa... Babaquice interior dentro de si. Mas você decide se vai mostrá-la ou não. Você decide se será momentânea ou se pretende ser besta a vida inteira. Você. Você decide essa merda toda, jovem. A vida é sua, você decide. É claro que não custa nada aceitar a opinião dos mais velhos, sometimes, porque, acredite, eles sabem mais que você. Toda essa confusão que tu tá sentindo aí dentro, muitas pessoas já sentiram antes, e sobreviveram, então para com esse drama. Eu sei que ás vezes você quer que os outros tenham dó de você, não nega, eu sei que sim. Eu sei que você quer atenção, eu sei que você se sente injustiçado e desfavorecido, eu sei. Mas, cara, é só uma fase. Eu sei que irrita quando alguém diz isso, mas é realmente só uma fase! E eu também to nessa fase, e eu também sofro, e eu também choro por nada, eu também. Eu e mais milhões de adolescentes no mundo. Então, percebeu o quanto você supervaloriza seus defeitos, seus erros, e seus "problemas"? Quer mudar? O primeiro passo tu já conseguiu: perceber e admitir que é babaca. O resto é simples. É só pensar. Sério mesmo. Pensa antes de falar, pensa antes de agir, pensa bem. Porque certas coisas, são irreparáveis. Mesmo que queira, você não pode voltar atrás, não pode desfazer. Então pensa. Porque arrependimento dói, meu filho, dói muito.

É isso, só queria falar algumas palavras pra deixar claro que eu amo todos meus defeitos, até minha babaquice. Faça o mesmo, tá? Ou não. Faça o que te der vontade, quando der vontade, mas aguente as consequências depois, sem chorar, sem reclamar.