sábado, 21 de janeiro de 2017

tudo que eu nao disse

o banco do ônibus parece mais macio
quando sua casa é meu destino
e meu corpo parece menos vazio
quando por você é preenchido

minhas rimas parecem menos erradas
meus versos são mais certos
quando andamos de mãos dadas
quando seus ditos de amor são concretos

eu pareço menos infantil
quem sabe até um pouco adulta
quando cozinhamos macarrão no funil
quando cruzamos o radar e tomamos uma multa

você parece menos inocente
quando entra em mim gemendo
eu me sinto menos carente
quando te faço gozar e te deixo tremendo

mas pareço menos poderosa
quando tenho meus ataques de possessividade
porque eu fico toda manhosa
e você ri, cheio de bondade

mas se eu acreditasse em você
isso pararia?
se eu parasse junto, voce vê
seria assim que você viria?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

sobre a loucura do so por hoje (funciona!)

com todas as loucuras e
desavenças
sigo de mãos dadas com
minhas crenças
porque se um dia eu fui menina ou
fui mulher
hoje já não sou nada e posso ser
quem eu quiser
e se eu, um dia, fui fogo
ou se fui vento
sigo desligada, modo avião, mas sempre atento
porque já fui ódio
mas também já fui amor
já fui muito prazer
e já fui muita dor
hoje a alegria e a tristeza que me cerca
é a certeza da dureza que me resta
de não ser nada, nada disso nem daquilo
porque já fui, talvez serei, mas hoje
hoje, eu me sirvo (só hoje)

o que eu escreveria se fosse ruim

a janela tava aberta
e você não entrou
o dia tava quente
mas você não suou
eu disse que ia embora
e você não implorou
eu pedi pra ficar
mas você me negou

a cama tava suja
e você não limpou
a água tava fria
mas você não reclamou
o pão, que era dormido
você mastigou
e o café, que era vencido
você não tomou.