segunda-feira, 30 de dezembro de 2013


Quarentaedois. (E eu vivo essa lucidez tão louca)

(...)

Voltei.

sábado, 5 de outubro de 2013

sobre poesia, escrever, futuro e vento

Uma vez eu disse que sou vazia demais para escrever poemas. Mas talvez seja o contrário. Acho que sou cheia demais, aí me confundo com tantas coisas para serem ditas, e acabo não dizendo nada. A poesia é uma arte que precisa de muita leveza, e eu sou pesada. Minhas palavras furam a folha, e a poesia apenas roça o papel. Meus pensamentos são amargos, e a poesia, mesmo a poesia triste, é doce. Se eu falo sobre algo, eu sempre vejo a face mais sombria do assunto. A poesia, mesmo quando trata desse lado sombrio, trata de forma iluminada. Com leveza, doçura, calma, simplicidade. É isso! Sou complicada demais para ser poeta. A poesia exige simplicidade, resumo; e, como os poucos que me leem devem ter percebido, eu realmente não sou simples.
Eu só percebo que estive feliz quando me sinto triste. Só sinto falta quando não posso ter de volta. Só quero correr quando meus pés doem. Penso em gritar apenas quando estou rouca. Só gosto do sol quando ameaça nevar. Só sinto saudade de casa quando estou há horas na estradas. Só percebo que amo quando a pessoa vai embora.*
...
Eu queria escrever como alguma das escritoras que eu admiro (a.k.a JK Rowling, Marion Zimmer Bradley, Anne Rice, Karolina von Ammon (espero que ela não leia isso), Meg Cabot, etc.), mas é bem difícil quando não sou nem 1% tão incrível quanto elas. Isso aqui é mais um desabafo mesmo. Tô quase desistindo de ser escritora e virando, sei lá, qualquer outra coisa. To quase desistindo da faculdade de Letras e fazendo Física porque "eu tenho que aproveitar que eu sou boa nisso e dá dinheiro", como diz meu pai. Mas mas mas mas eu gosto de escrever :( por que eu não posso ser boa nisso? Não que eu seja ruim, eu sou boa em comparação com os lixos que os adolescentes escrevem hoje em dia, mas, sinceramente, eu quero publicar livros que mudem a vida das pessoas, minha base de comparação não pode ser as pessoas da minha idade! E se eu mudo a base de comparação, eu mudo minha visão sobre minha escrita. Sou péssima, péssima, péssima. Eu to quase desistindo do meu sonho e isso me desespera!!!!!!!!!!!!! Se eu desistir da coisa que eu quero desde os três anos, o que eu sou, o que sobra??? Não existe Shelly sem a vontade de publicar um livro. Mas eu não posso me iludir e depois passar fome, só que também não posso abandonar meus princípios e fazer uma faculdade só por dinheiro. ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH MEU CÉREBRO TA ENTRANDO EM COLAPSO


Vou viver no meio do mato à lá Ventania, sem faculdade sem família sem papel nem caneta sem frustrações sem dinheiro, plantando minha comida e meu fumo e é isso, adeus galera







* trecho copiado inspirado na música Let Her Go, da banda Passenger.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

If you could read my mind, you'd be in tears.

"Don't try to wake me in the morning 'cause I'll be gone..." 

I'm not exactly the kind of girl you would be interested in. I'm not exactly the kind of girl anyone would be interested in. So I lie. I pretend to be someone else. Someone who is interesting and nice. 

"I'll feel so glad to go. There's a better world, there's another world. Oh, must be."

Don't feel sorry for me. Or for my problems. It's my fault, I'm paying for what I did. It's terrible because the ones I love are the ones who I hurt more. And I'm so, so, so sorry. I didn't want my life to be a play, but it is and it's impossible n to change it. 

"And I find it kind of funny, I find it kind of sad, the dreams in witch I'm dying are the best I've ever had..."

I lost my sanity. I'm lost. I don't know what I should do. Why no one understand that I'm just sixteen? I'm not supposed to be perfect, am I? I'm not supposed to do everything right, am I?! I'm a child, fuck, I'm a lost little girl. Why everybody treat me like a grown up? I don't wanna be an adult. I don't wanna be. 

"I wish I was special, you're so fucking special. But I'm a creep. I'm a weirdo"

And if you could read my mind, if you could see what kind of thoughts I have to deal with every second, if you could feel like I feel all my life just for one day, if you could know at least 1% of how miserable and scared I feel, my darling, you would be in tears. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Back to 505.

The nights were made for saying things that you can't say with lights on. 

...


"Demais. É tudo demais. Tudo que sinto, sinto demais", explica para o psiquiatra, em sua segunda consulta. "Se to feliz, é feliz demais, tanto que me prejudica. E se to triste, porra, to muito triste." 
Aí ele só rabisca umas coisas no papel e dobra a dose de remédios. Mas não vê, não entende. Não vai passar com seis comprimidos por dia. Nem com oito, dez, quinze. Não vai passar. É o mal do século, o mal dos gênios do século, o mal da pseudo-escritora que sonha em publicar um livro mas se esconde atrás de textos na terceira pessoa. É a maldição de quem tem plena consciência da sua falta de consciência, quem tem conhecimento da sua doença. 
Sussurra, por aí, sussurra: 
"Por quê?"
E tem aquele ventre que a concebeu e não acolheu. E tem as paixões que só ligam quando estão bêbadas. Aquele que deu a semente, agora a chama de demente. Tem todos aqueles que admira e mal lembram que ela respira. Tem o texto que escreve mas que o verdadeiro sentido ninguém percebe. Tem a morte tão fascinante, as mentiras tão bem contadas, o poder tão cativante, as historias inventadas. 
Desculpa, desculpa. Tomo meu comprimido branco e o verde com amarelo. Vou ficar quieta. Fingindo que não existo. Ignorando minha loucura. Ignorando minha sanidade. Ignorando-me. 

sábado, 14 de setembro de 2013

Eu sei que dói...

Mas eu te avisei, e vou avisar de novo: eu sou problema. Sabe quando tu era pequena e tua mãe falava de guris errados? Então, ela falava de tipos como eu. Só que sou guria, feliz ou infelizmente, tu decide. E mesmo que tu sinta que não consegue resistir (elas nunca conseguem...), pensa bem antes de se entregar, viu? Não se joga, porque eu não vou te segurar. Me beija, me visita, mas não fica. Não te quero e nem te posso ter.
Tu é uma graça, tu é linda, mas tu não é nada demais. Meu coração só serve pra bombear sangue, não sou do tipo que se apaixona. E, juro, não é você, sou eu. Eu tenho esse gostinho pela confusão, e uma estante onde coleciono os corações que quebro.
Mas não pense que quero te fazer sofrer, linda. Eu gosto de ti. É só que é meu jeitinho, e eu te avisei, eu te avisei. To te avisando, ta? Amor, eu fui feita pra quebrar seu coração. 
Porque lembra quando tu já gostava de mim só pela minha reputação, sem nunca ter me visto? Devia ter tomado cuidado, gata, eu sou perigo, eu sou problema. Aí tu me conheceu e disse que "ah, teu rostinho angelical não combina com a tua reputação!" e eu só ri, sorri. Porque tu era toda inocente e ainda tava naquela fase inicial, onde todas pensam que não sou tão complicada assim, que talvez me conquistem, que talvez possam me salvar. Mal sabia tu que eu não quero ser salva...
E eu nem te devo desculpas. Minha missão nesse mundo de merda é fortalecer gurias como tu, que são bobas e pensam que podem confiar em vadias como eu. Não pode. Vê se usa essa decepçãozinha comigo pra aprender algo: as pessoas sempre vão te decepcionar e quebrar seu coração em pedacinhos. Não importa quantas palavras lindas alguém te diga (e, ah, sim, eu sei que eu disse tudo que tu queria ouvir. Pena que era só isso... o que você queria ouvir.); não importa quão angelical seja o rostinho e não importa o quanto todo mundo diga que o beijo é tão bom que vale a pena aguentar a rainha do drama e do egoísmo (SURPRESA! Eu sei que vocês falam isso por aí. E variações disso, como dizer que às vezes sou tão encantadora que vale a pena aguentar as horas em que sou a putinha mais cruel desse mundo. Que feio falar assim de mim pelas costas, e na frente me implorar pra namorar, hein?!).
Então, é isso, tem muitas versões de mim com nomes menos estranhos espalhadas por aí no mundo, e abre teu olho, guria, abre teu olho porque a gente nem tem dó, não. Tu é só meu joguinho, tu só serve pra eu ver que ainda to no poder, que quando eu te ligo às duas da manhã tu ainda vem correndo me ver, que quando eu te olho no olho e digo que tu é linda tu quase chora de alegria. Eu não posso evitar se eu quero tudo. Eu não posso evitar se tudo que eu quero é todas.
Mas, não me odeia. Tu beija bem e ainda te quero de vez em quando. Isso, vem cá. Tu sabe que me quer. E, ah.... Tu sempre vai me querer.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

avisinho importantíssimo

Tá.
Então.
Essa semana aconteceu uma coisinha bem chatinha comigo que talvez alguns dos poucos que me leem já estão sabendo... Pra quem não ta sabendo: tentei colocar um ponto final e o destino transformou em vírgula. Fui pro hospital, UTI, todo aquele blá blá blá. IT'S NOT A BIG DEAL, não tenham dó de mim e se quiserem falar algo falem pra mim, não incomodem meus pais como muita gente já foi fazer. Eles estão tristes e é péssimo toda hora alguém ligar pra eles perguntando como eu to. Então: shellym.rodrigues@hotmail.com meu e-mail, eu explico como foi e como estou, mas o mais importante é que to viva e com todas as minhas funções cerebrais funcionando, menos a serotonina!! aquelas sem graça
É isso.

tchauuu

...

e um poema que eu escrevi quase morrendo:

O sino calou
(ensurdeceram)
A cidade parou
(compreenderam)
O mundo congelou
(tão quente...)
Todo mundo olhou
(ninguém viu)
O progenitor ignorou
(o ventre abandonou)
E a menina?
suicidou.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Todas as cartas de amor são ridículas.

 Por isso não escrevo cartas de amor. E me torno ridícula.

...

Eu não escrevo;
eu despejo.

Minha doença tão amaldiçoada.
Minha genética tão indesejada.
Meus trejeitos tão desajeitados.
Meus detalhes não notados.

Se não tivesse;
a casa, o trauma, a pequena, o vício;
não seria inteira,
não teria início.

Se não fosse;
louca, triste, sozinha e péssima escritora;
não teria,
ela, isso, aquilo e a amadora.

Transbordar palavras;
a melhor enchente.
A mais dolorida,
não evite-a, nem tente.

Nunca o que pediram;
por mais que queira e deseje.
Pra mim escreveram;
pedindo: "não despeje..."


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Preto sem vermelho, limpo.

Esse poema é sobre amor, mas não sobre alguém.

...

Preto sem vermelho, limpo.

Já é noite, meu amor.
Está escuro e sombrio;
Mas eu ainda sinto o ardor.
e o terror de ser vazio.

As desculpas não ouvidas,
e a saudade que me aperta.
As promessas não cumpridas,
sei que não pode estar certa.

Mas mesmo escuro e vazio,
(mesmo que doa e eu chore)
meu coração já tão sombrio,
(e eu imploro - não demore!)
vai aos poucos percebendo,
(eternamente apaixonada)
porém jamais te esquecendo,
(pois por você não sou amada).

Poema (ou quase) (ou não) (sei lá)

Atenção: esse poema NÃO é sobre paixão, tesão ou qualquer 'ão'. Esse poema é sobre amizade. Única e exclusivamente amizade.

...

10/06/2013

Moça!...
Você diz pra mim
que sou especial.
Se me vê assim...
Cuida de mim?
Você lê o que escrevo
e diz que tenho talento;
Meu talento é o sofrimento;
Meu talento é o tormento.
Você me deixa fumar,
me dá o fim da sua cerveja.
Mas será que vai deixar,
se eu quiser te abraçar?
Não sei escrever poemas,
sou vazia demais, eu acho.
Mas estou cheia de problemas,
e escrevo pra você
pois em você eu me encaixo.


Anedota no rodapé do meu caderninho amarelo.

05/04/2013

Fecho os olhos e fujo. Daqui, deles, de mim. Eu sei que posso viver, mas dói, e eu não quero. Eu sei que posso ser tudo, mas escolho ser nada. Eu sei que posso voar, mas estou paralisada de medo da queda. 
Eu não tenho mais esperança, eu não tenho mais vontade de realizar meus sonhos (e eu mal tenho sonhos...), estou decepcionada com o futuro, porque o passada me decepcionou e o presente me decepciona todo maldito dia. 

sábado, 3 de agosto de 2013

E o mar é tão eterno…

Seu peito arde em dor e vontade. Vontade do que teve e do que não teve, vontade de conhecer e de rever. Fecha os olhos e quase pode sentir na pele o ar frio da noite, abre-os e está em casa, sem ar frio. Se assusta com o nível de imaginação que pode atingir. 
A dor é tanta que se fecha. Se fecha pra si atrás de uma porta e como fechadura usa um sorriso que só quem questiona consegue abrir. Poucos questionam, e não sabe se esse é o problema ou a solução.
Decidida a ser: tentou de tudo, mas não havia jeito… invisível. Não dá pra sentir falta de quem nunca esteve presente. E não estava. Não dá pra sentir o gosto se nunca provou. Não tem como querer de volta o que nunca foi seu. Por isso essa mania de ser livre e original fazia com que ninguém a quisesse de volta, e nem quisesse de qualquer outra forma.
Sem chance. Sem chance de ter outra chance ou de mudar de repente, num flash, se ver em outro mundo em outro ano. Não era desse tipo. Vivia o agora e agora não queria viver. 
Diz adeus com o sorriso feio e os olhinhos brilhantes, sem resposta, já que ninguém lhe acena de volta ou lhe pede pra ficar. Melhor assim, pensa. Pior assim, sente. Mas vai. Se joga no mar e se mistura com as ondas, se perdendo por um eterno minuto de uma decisão tomada por uma vida. 
Tempos depois, volta renovada, como a sereia que tem uma segunda chance. Mas não é mais ela. Para todos foi um alarme falso, tentativa falha de gritar atenção. Para si, sucesso! Já não existe mais. E nesse fluxo absurdo de palavras tragadas e sufocada no seu infinito particular, se abre com suas lágrimas. 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Eu to cansada de você e não me importo se você não ler minha carta, sempre escrevo por nada mesmo, mas, bom, aquela carta eu escrevi por tudo, e te enviei com tanto amor (ou o resto de amor que sobrou), mesmo sabendo que jamais vai ler. Porque eu lembro muito bem de como você se faz de tímida mas de tímida não tem nada, e lembro muito bem do jeito que que você sorri só para mostrar pro mundo o quão encantadora pode ser. E eu tô bem de saco cheio dos seus dramas e das suas reclamações completamente vazias, mas a verdade é que eu nunca fico de saco cheio de você. 
Eu rasguei e queimei todos os textos que já te escrevi, apaguei todos eles do arquivo na internet, mas me peguei escrevendo esse aqui. Sinceramente, esse não é sobre você, é sobre o quanto você é insuportável e o quanto eu não me canso de te suportar. Eu não sei se te amo porque eu não sei o que é amor, eu nunca soube o que é amor, e sou dessas que não acreditam muito se o amor existe, desde pequena eu desconfiava desse amor e fazia mil perguntas tentando fazer minha cabecinha entender o que é isso. Porém eu acredito nos seus olhos, e na autenticidade das suas palavras, ninguém pode ser tão chato assim de propósito, você é você mesma e isso é algo que me fascina, me encanta, me apaixona... Não que eu ainda esteja apaixonada, já entendi que suas mãos nunca vão me tocar, já entendi que meus lábios nunca vão sentir a textura da sua pele, já entendi que você nunca vai dizer que me ama, e já entendi também que o quanto sou pequena não tem nada a ver com isso, a verdade é que você é boa demais pra me dizer que não gosta de mim por quem eu sou, e inventou que sou muito nova pra você (e eu caí nessa bem fácil, já ouvi isso tantas vezes de moças por quem me encantei...).
Não importa o quanto eu queira ver seu jeito ainda, e o quanto eu queira conversar e me abrir mostrando o que sinto por você, não importa o quanto eu goste do seu jeito ou o quanto eu não suporto suas maneiras, não importa o quanto somos iguais ou o quanto a gente não combina em nada, não importa o quanto você seja a criança ou o quanto eu sou madura, não importa o quanto eu faça de tudo pela sua atenção ou o quanto você faz de tudo pela atenção dos outros, não importa que esse seja o último texto que escrevo sobre você e não importa o quanto eu nunca escrevi sobre você, na verdade, era sempre sobre o que eu sinto por você, não importa. Eu idealizei uma você parecidíssima com a real, com uma coisa a mais, aquilo que eu queria tanto que você tivesse a mais, que é nutrir um sentimento por mim. Nos meus sonhos você me amava escondido e só não se declarava porque não pode, porque é errado. Mas a gente acorda, a gente sempre acorda, e eu acordei caindo da cama e batendo a cabeça, e percebi muito, muito rápido que você não ama, você não nutre sentimento nenhum por mim, você sequer me vê.
E enquanto em todas as vezes eu fechava a janela e dormia de novo, desesperada por sonhos, dessa vez eu vou levantar e sair pra rua, porque eu to cansada de você.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Hoje eu consegui voar.

Hoje eu consegui voar. Eu me joguei da janela da sala, porque não agüentava mais, e voei. É sério! Eu me vi pulando e caindo, e depois o ar me elevando e me fazendo flutuar. Aí o ar me empurrou de volta pra casa como se dissesse: "Calma que ainda não é tua hora!". Eu acho que já sabia que não era minha hora, sabe, porque teve um outro dia em que minha pele se regenerou em um minuto. Juro por tudo, primeiro eu tava ali, encarando meu pulso rasgado, aberto e sangrando, um minuto depois eu vi minha pele se auto-costurando e o sangue sendo absorvido de volta, e minha lâmina foi sendo arrastada pelo ar até cair pra fora de casa. Danado esse ar. Achando que pode decidir quando eu devo ou não morrer. Teve uma vez que o ar fez trinta e dois comprimidos que eu tinha ingerido saírem pela minha boca intactos. Fiquei muito brava, porque, EI, SOU EU QUE MANDO AQUI! Se eu quiser ir, eu vou! Eu vou embora e você não pode me impedir! Ar babaca, metido a bom moço salvando que não quer ser salvo.
Mas foi muito legal voar. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

I didn't said no.

Hey girl, 
Isn't that unfair? Isn't that stupid? How day by day you're still crying and feeling like shit when all you want is to be happy. Isn't that such a shit? Isn't it so ridiculous you feel sorry for yourself? How year by year you still can't forget all that things. You still feel guilty. You're the one to blame. You never said "no". Never. I was there, I saw. You didn't resist. You didn't fight. 
They're right, you know. All that people. They say you're a whore. And you are. You are. Because you let then touch you. Again, and again, you let then touch your ass, you let them kiss you. Why do you do this to yourself? Why don't you just accept that you're useless and kill yourself? Yes, I know, you've been thinking of it. Suicide, I mean. You've been thinking a lot of it. You know you want. I know that you can't handle anymore. Do it. Think about how peaceful will be your last minutes in this world, when you know you're gonna die. Think about death. Not existing. Not feeling. This is what you want, isn't it? I know. I know, girl, you're tired. Go. Die. Nobody will miss you, no, don't worry about your mother, she has two other kids, certainly doesn't need you. Oh, don't worry about your father, he'll forget quickly. You're just an waste of space. Go. Go away. Give up. You can't win this war. Your mind is exhausted. You're sick and tired. Every night you wish is the last time you're closing your eyes, you wish not to wake up anymore. Yes, I know that. I also know that you love so much people, and not even 3% of them love you back. You're unloveable. You're pathetic. Why are you still here? I said: go. YOU'RE FREE. DIE. 

You wanna know how I know so much about you and your stupid life? 

I am you. 
 Sincerely but not with love;
S. M. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

About missing things.

Sometimes I wish I could go back in time. Not for changing things, oh, no. For living it again. There are some special moments that I'll give my life for living again. It's so rare that I feel happy and alive, that when I feel I wish I could live it over, and over, and over. It's so sad that I can't go back and live that again ): I miss that, I miss the people, the drinks and the talk. I miss feeling infinite. 

domingo, 23 de junho de 2013

"Illusions", suicide letter of Augustus Russeau, for Juliane Dousseau.

"Albi (France), november 13, 1856

Juliane, mon amour; 

I'm sorry, I really am. I just can't handle anymore. 
Please, don't cry. Please, don't think it's your fault. You've been the most perfect friend a person can have. I almost never smile, but when I do, I do for you. A part of my soul will be always with you. But I do have to go. I'm not leaving you, ok? I'll never leave you, amour. Never. 
I just feel like I'm going crazy, and if I stay in this world, I'll hurt more the ones I love. I can't stand it, I can't stand hurting the ones I love, hurting you. It makes me feel like an terrible person, and feeling like an terrible person, I go crazy, and become one [terrible person]. 
Don't think I'm going to feel pain. It will be quickly and painless. This world is just a illusion, ma chère. And it's easy to go away. I will be ok, and I hope you'll be too. Don't suffer for me. Don't think I'm selfish doing this, because, basically, I'm doing for you. I don't want you to live your beautiful life with an old and crazy man like me. You're young, ma princesse, you're beautiful and full of life. You are like the nature, ma petite, you have to exist, you are the only beautiful in this mean world. So, please, remember in the cold nights, when everything feels horrible, and you miss me, please, remember I gave up my life for your happiness. You need to enjoy your glorious days. 
Again, I am so sorry. But we both knew this day would come. As you are like the nature, always alive and pretty, I'm like... The moon. I can never be around, because when I am, nobody gives me atention, every one is sleeping when I'm around. No one is awake for me. So, I'm going. And I want you to remember me like the prince you knew. Like that strong man on a horse. 
Goodbye, ma belle créature.

Oh, and one more thing: I adore you. I adore you so much I prefer die than see you living with an crazy men. 

                                                                                        Je t'aime, 
                                                                                              Augustus."


...

http://www.youtube.com/watch?v=mVf2EeTMNJo
                                                                                                                    

domingo, 16 de junho de 2013

Pesadelo aleatório.

Noite passada eu sonhei que fui estuprada. E eu reprimi esse sonho o dia todo, mas agora, prestes a dormir de novo, eu lembrei. Eu to morrendo de medo de sonhar isso de novo. Foi horrível.
Eu morava perto de uma floresta, no interior, e esse homem mexia comigo quando eu passava e depois começava a me perseguir. Eu corria muito dele, ficava desesperada, foi horrível, mas ele me alcançava e arrancava minha roupa e me penetrava. Foi horrível, eu me senti invadida de uma forma que só me senti uma vez antes. Parecia tão real. E o pior é que eu tentava me afastar mas ele me puxava e eu percebia que eu não tava tentando com muita vontade então talvez eu estivesse gostando? Mas ao mesmo tempo eu morria de nojo dele e queria aquilo fora de mim. Enfim, ele terminava e ia embora e eu tava sangrando muito e saía correndo pra casa chorando. E minha mãe dizia que a culpa era minha e que eu se eu não consegui fugir é porque eu tinha gostado ( that sounds familiar…). Foi horrível. Pior sonho. 
Não sei porque to escrevendo isso, eu só queria colocar esse sonho pra fora porque me lembra demais a pior experiência da minha vida e eu to ficando louca de medo de dormir. Vai ser uma longa noite. 

domingo, 2 de junho de 2013

Last night I dreamt that somebody loved me.

E aí que essa noite eu sonhei que eu era um cachorro e eu queria muito que certa amiga minha cuidasse de mim, mas ela meio que me desprezava porque preferia gatos, então eu ia à um centro de cirurgia pra animais e me mutilava inteirinha pra virar um gato, e chegava pra ela toda feliz, e ela dizia que tinha mudado de ideia, que preferia cachorros, então eu passava por toda a dor de novo pra ser um cachorro, porque, srsly, era importantíssimo que ela me amasse, só que quando eu chegava nela ela dizia que na verdade o problema era eu, não que animal eu era. Aí eu me matei comendo um ossinho de galinha que ficou atravessado na minha garganta de cachorro.

...

Acho que é uma boa metáfora da minha vida.

sábado, 25 de maio de 2013

What the hell am I doing here?

Será que ninguém percebe? Será que a grande massa realmente não vê a gigantesca falha no sistema que vivemos? É possível que só eu e algumas poucas pessoas que conheço tenham consciência do quanto tudo isso tá errado? Não. Não pode ser que as coisas vão continuar assim. Tá tudo errado, tá todo mundo errado. Ninguém mais tem compaixão, educação, bom senso, moral, ética... Onde foi parar a humanidade? O amor? Onde tá a PORRA do amor ao próximo? O amor a si mesmo? O amor ao mundo que habitamos? É todo mundo tão vazio, com seus carros, seus iPhones, suas roupas de marca e suas bebidas caras. Enquanto outros estão tão cheios; cheios de frio, fome, solidão. E ninguém se ajuda. Eu olho ao redor e tem toda essa dor e um monte de gente passando apressada sem nem perceber quem precisa implorando por um segundo de atenção. 
Ninguém se importa com ninguém. O certo não é mais fazer o bem, o certo é o que a televisão diz, e ela diz pra comprar, consumir, gastar. O errado é questionar quem tá no poder, porque eles sabem de tudo. Temos que comprar e ficar quietos, nos contentando com produtos e dinheiro.

Eu realmente não pertenço à esse lugar. 

"Question what the tv tells you, question what the pop stars sells you, question mom and question dad, question good and question bad." 

Paredes vermelhas.

"Querido James, 

Eu nem sei como te dizer isso. É uma notícia bem grande e importante. Eu percebi hoje, e corri para te escrever, porque, ah, você precisa saber, é sobre você, tudo sobre você, não é? Aí é que tá: não é! Não mais.
Acontece que hoje eu achei aquele panfleto daquela banda que a gente foi acidentalmente parar no show, sabe? E eu peguei o papel, e amassei. Eu olhei pra ele e não lembrei de você. Bom, não assim, logo de cara. Eu lembrei, mas demorou quase dois terços de minuto! E quando eu percebi isso, me dei conta que semana passada eu passei em frente aquela livraria enorme com um nome esquisito, lembra? Aquela em que a gente entrou e eu te comprei um exemplar do meu livro preferido, porque achei que você entenderia ele (mas você não entendeu)... Eu passei em frente á ela e nem percebi! Eu só percebi dias depois, cara! Ah, por falar em "cara", mês passado vi uma menina no metrô com uma revista Vogue. Na hora, nem liguei. Quando desci na República e andei no meio daquele monte de gente indo pra linha amarela, eu lembrei. Lembra? Quando você achou uma Vogue nas minhas coisas e eu quase morri de vergonha porque tinha te dito que odiava (e odeio mesmo) revistas de moda? E aí eu te expliquei que só comprei aquela porque tinha a Cara Delevingne na capa e eu acho ela a coisinha mais fofa do mundo. E você riu tanto, tanto. E aí, na estação Brigadeiro da linha verde do metrô, eu lembrei da sua risada e fiquei normal. Meu coração não deu um pulo. Foi normal. Tá entendendo onde eu quero chegar, J? Eu quero chegar no ponto em que você entenda o que significa eu já conseguir comprar uma cerveja sem chorar de saudade das nossas cervejas e conversas. Eu já consigo prender o cabelo sem lembrar das suas mãos grandes me fazendo massagem no couro cabeludo, e nem fico pensando que perdi o único cara que não achava estranho eu gostar de massagem no couro cabeludo. Eu consigo entrar no ônibus sem sentir falta das suas mãos na minha cintura enquanto me indicava a direção no corredor cheio de gente balançando. Eu já posso assistir meu canal de tv preferido e não fico com saudade da sua voz dizendo que o canal é uma bosta mimizenta e se perguntando em voz alta porquê me ama tanto. Eu vejo casais na rua e não tenho vontade de me matar por ter perdido sua boca no meu ouvido dizendo que me ama, seu quadril pressionado no meu, nossos beijos, nosso sexo, nossas conversas, nosso mundo. 
Mas, olha só, James: eu não te esqueci, como você pode perceber. Eu nunca vou te esquecer, nem esquecer nosso primeiro quase-encontro na barraquinha de churros; e nem vou esquecer a ultima vez que te vi, naquela maldita maca. Mas eu acho que to superando. To começando a entender que foi tudo uma experiência maravilhosa. É claro que eu te quero de volta, mas já aceitei que não vou ter e aprendi a amar as lembranças, e não sofrer com elas. Espero que você fique feliz por mim... Meu amor, não pense que não te amo mais, viu? Eu te amo para sempre. Mas agora eu amo sem sentir dor todo dia. Dói vez ou outra, e dói de um jeito suportável e, de certa forma, bonito. Eu acho que to finalmente seguindo em frente. 
Te conhecer foi uma fagulha dourada no meu céu vazio; amar você foi colorido, como um arco íris; perder você foi preto como a morte que te levou; e viver sem você é vermelho, vermelho como sangue, vermelho como seus lábios eram, vermelho como, afinal de contas, a cor que você tanto queria que fosse a parede do nosso quarto. 
                        
                     Rafael, aquele que vai ser seu além da vida." 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Anya Lucya.

Se quisesse silêncio, todos calavam;
Se quisesse paz: quietos ficavam;
Nem sequer pedia, e todos a amavam;
Nunca ficava sozinha, dela não cansavam.

O tempo passou, e não foi fácil entender;
Ficou confusa, olhou ao redor: não tinha ninguém para ver;
Não, não é possível que vão me deixar sofrer!
Não é cabível que não venham me acolher.

Mas não vieram, e ela só podia gritar;
Gritava por alguém, mas ninguém vinha lhe confortar;
Nunca precisou pedir por atenção, agora tinha que implorar;
E a pobre menina só sabia chorar.

E com o tempo passando;
E tudo mudando;
A menina chorando;
E o mundo ignorando;

Foi assim que aconteceu:
Silêncio queria e não encontrou;
Paz procurava: também não achou;
Tentou ser amada, mais difícil, falhou;
Percebeu ser sozinha; e chorou...
[se matou]

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Desabafo tosco versão 3 (merda que eu escrevi em um dia de merda (hoje))

Todo dia eu penso em morrer. Toda situação da minha vida, por mais simples, me faz pensar se daria pra eu me matar ali. Eu penso em suicídio o tempo todo. Não tem um segundo em que eu esteja sóbria e feliz. Eu não aguento mais isso. Parece drama, eu sei, mas eu quero muito, muito, muito parar de sentir, eu nem quero morrer, eu só quero não sentir, mas se morrer é a única forma, então eu preciso disso. Eu anseio a morte. Eu atravesso a rua pensando como seria se um caminhão me atingisse, eu fico esperando o metrô pensando em me jogar nos trilhos, eu sento no parapeito de janelas de apartamentos e penso em me jogar dali de cima, eu encaro minhas lâminas e penso em cortar pra valer dessa vez... Mas eu não faço nada disso. E me pergunto por que. Por que eu não me mato logo? Sério, por quê? O que me prende aqui? Curiosidade? Medo? Um restinho de esperança? Não sei. Só sei que tá doendo muito, é uma dor insuportável, parece que meu coração pesa quatrocentos e vinte quilos e eu não sou forte o suficiente pra aguentar esse peso. Não sozinha.
E eu tô tão, tão sozinha. Não consigo falar com ninguém. Eu me sinto completamente abandonada, eu simplesmente não tenho pra onde ir. Ninguém me quer mais! Antes, quando eu era pequena e fofa, disputavam por mim. Agora, ninguém me quer. Nem meu pai, nem minha mãe, nem ninguém. Ninguém quer cuidar de mim, justo no momento em que eu mais quero ser cuidada...
Por que eu não posso ser incrível? Ser especial? Ser diferente? Eu sou medíocre, comum, clichê, babaca, inútil, estúpida e não tenho nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada de bom.
É sexta-feira a noite e eu só queria estar bêbada. Eu só queria isso: estar bêbada, rindo, me sentindo feliz por uns segundos... Mas eu tô em casa, chorando, sozinha. Sozinha, sozinha, sozinha.
Ninguém gosta de mim. Ninguém. Ninguém me acha legal. Quem diz que acha, é porquê tem dó, e quer me confortar. Eu só queria que alguém gostasse de mim. Só isso. Me achasse legal, divertida, especial. Queria uma amiga, um amigo.
Eu não tenho nada, e ninguém gosta de mim.
E tá doendo tanto, tanto, dói tanto... Eu penso em morrer... Todo dia.

Divagações.

No mar de palavras, eu me perdi. Em meio a tantas letras, me confundi. Não sei mais descrever, escrever, ver. Não posso mais falar de tudo, porque eu sei absolutamente nada. Patético falar sobre o que não sei, e o que sei não merece ser falado. Então, me calo. Fico quieta. Não digo, não olho, mal respiro.
Sigo em frente, devagar, tentando não olhar para trás ou para os lados. Foco no futuro. Foco no que serei, serei algo, esperança, eu tenho esperança que ainda serei algo. Não posso ser só... Isso. Esse clichê ambulante. Clichê com pernas. Quinze anos, sozinha, depressiva, me sentindo suicida. Quão clichê? Muito. Nem eu me aguento mais.
Esgotada, cansada, tento o mais que consigo, tento ver, mas tanta neblina, tanta poeira, ninguém entende, ninguém sabe, ninguém me entende, ninguém me conhece, e eu me esforçando, forçando meus olhos a enxergarem através de toda essa neblina, toda essa tristeza, toda essa chuva... Tem algo por trás de tudo isso? Tem algo pra mim, depois de toda essa dor? Eu ainda vou viver? Eu vou ser feliz? Eu vou superar meus traumas? Minhas dores? Vai existir uma época em que eu conseguirei não ter uma crise de pânico toda vez que lembro da minha infância? Ah, meus traumas. Bem comuns, bem clichês. Tudo clichê. Entretanto, ninguém me cura. Nenhum remédio, nenhum psiquiatra, nenhum médico consegue me fazer superar o que eu passei. Porque eu sou fraca, e gente fraca não consegue seguir em frente. Gente fraca tá sempre sofrendo pelo passado.
No fundo, eu sei que mereci, e que, na verdade, foi minha culpa. E é por isso que eu sou assim, até hoje, é tudo minha culpa. Sempre vai ser minha culpa. Porque eu deixo, eu fico quieta, eu sou passiva. Pra tanta, tanta, tanta coisa eu sou ativa, eu mando, eu comando, e pra isso, eu sou passiva, quieta, submissa. Por quê? Eu juro que só quero esquecer tudo. Apagar isso. Mas, pelo contrário, todo dia eu lembro de algum outro detalhe daquela época escura e triste.
Eu quero ir embora.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

E eu sou só mais um desses meros tão mortais

Andando na rua
Foi quando percebeu
Nunca fez diferença
Nunca foi até a lua
Nunca curou nenhuma doença
Nunca foi especial
Nunca foi a mais legal
Nem por um dia, conseguiu ser diferente
E agora estava assim
Tristeza sem fim
Doente
Igual.

...



"Mas, ah, se eu fizesse alguma diferença, se eu curasse alguma doença, como a força genial. Oh, ah, eu cantaria pra fazer sorriso, eu perderia o meu juízo só pra eu ser especial."

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Eduarda gosta de amarelo.

- Eduarda, por que você continua teimando em não tomar os seus remédios? - pergunta a mãe, 32 anos, exausta.
Eduarda tira o cobertor da cabeça e encara a mãe. Olhos negros se fitam. A menina na cama afasta o cabelo do rosto e pensa em como explicar.
- Porque eu acho errado isso, mãe. É errado, simplesmente não é certo, entende?
- O que é errado, pelo amor de Deus?
"O que é errado?", Eduarda se pergunta, vendo a exaustão no rosto exasperado da mãe. E se responde.
"É errado você chegar e me dizer que tenho depressão. É errado rotular o que eu sinto. É errado achar que toda essa confusão dentro de mim vai se acalmar se eu tomar essa pílula branca. É errado você confiar mais nas palavras de uma estranha do que nas minhas, só porque a estranha tem um diploma de medicina. É errado toda essa dor, mamãe. É errado eu sentir toda essa dor. Nunca passa, mãe, a dor nunca passa.
Lembra que eu só tenho doze anos, mamãe, eu só tenho doze anos. Sei que sou super avançada, uma espécie de gênio ou algo do tipo, mas eu continuo tendo só doze anos. Dane-se minhas notas na matemática, eu tenho só doze anos. E eu vou continuar sendo só uma menina de doze anos com muita dor dentro de mim, entende? É errado você ter tanta confiança nessas fórmulas médicas só porquê você não as compreende. É errado você achar que por ser tão incompreensível, deve ser correto. Eu sou incompreensível, mamãe, e eu não sou correta, sou? Não, não sou. 
É errado eu ter tantos amigos, porque eu minto pra todos eles! Eles pensam que eu tenho um pai, sabia? E pensam que eu tenho diabetes, por isso nunca me oferecem doces. Eu nem sei porquê eu disse ter diabetes, cacetada, eu nem sei! Mas eu disse, eu menti, é errado, mas eu adoro mentir. Isso é um problema? É um problema, mamãe? É errado eu gostar tanto de você e mesmo assim te torturar deixando você me ver nesse estágio de depressão. Me desculpe, mãe. Eu não vou te explicar porquê é errado. Nem vou dizer que é errado. Deixa você pensar que é certo. Deixa eu fazer mais um comentário bobo pra você achar que eu não acho nada errado e estava só brincando. É errado, mas deixa pra lá."
- É errado a pílula ser branca. Eu gosto de amarelo.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Nota não-suicida, nota de quem quer viver (ou tá tentando querer)

Imersa em água até o pescoço, esqueci como nadar. A maré sobe cada dia uns milímetros mais, e o desespero toma conta de mim quando percebo que não faço a menor ideia de como mergulhar para fora desse mar, já me esqueci onde fica a terra firme e, mesmo que lembrasse onde fica, não lembraria como chegar lá. Nadar não é tão fácil quanto parece. Não, não é só ter força de vontade. Esse tipo de mar é um perigo real, que machuca todos os dias, quando as ondas vêm forte e me deixam submersa por uns minutos.
Preciso que alguém venha me ensinar a movimentar o corpo daquela forma harmoniosa e me tirar desse mar. Preciso que alguém me dê uma bóia.
Preciso que alguém me tire da depressão, mas o único alguém que pode me ajudar sou eu mesma, e eu tô muito ocupada no momento, tentando não morrer com a água. Tô muito ocupada tentando não me afogar e, por estar tão ocupada, é que estou me afogando.
Indo pro fundo.
O fundo... O vazio que eu conheço tão bem.
Ah, às vezes nem tenho medo de deixar a água entrar nos meus pulmões. Lá no fundo é tão quentinho e conhecido, com as minhas lâminas e os meus espinhos, e a dor no estômago sem alimento, e toda essa tortura a que me submeto. Às vezes parece tão mais fácil entregar tudo e ter mais uma recaída...
Mas eu ainda luto. Ainda estou tentando lembrar como nadar. Ainda acordo e levanto todo dia. Ainda estou tentando lembrar como viver.
Ainda estou tentando. Estou tentando. Tentando. Nadando. Ainda estou.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O relógio.

Os ponteiros do relógio giram, mas, por quê?, o tempo não passa.
As pessoas na rua andam, mas, por quê?, elas não vão a lugar algum.
Eles dizem que logo vai ficar tudo bem, mas, quando? Esse dia nunca chega.
Eu tomo meus remédios na hora certa, mas, por quê?, a dor nunca passa.

E caminho, caminha, caminhamos.
Choro, chora, choramos.
Corto, corta, cortamos.
Grito, grita, gritamos.

Acendo um cigarro, sem filtro.
Manda mais uma cerveja aí, seu moço!
Mas'então, e aquele dia lá? Traçou a gatinha?
Ei, esquece a cerveja e desce uma dose de tequila!

Sorriem e falam coisas sem sentido;
Como se tudo fizesse sentido.
Quando nem eles mesmos entendem,
A dor, o amor, a solidão: não compreendem.
Ninguém nunca vai entender,
o porque de toda dor ser necessária e tão duradoura.
E por que quanto mais bondoso, mais vai sofrer;
E quando vai tudo finalmente ter um fim.

Ela apaga a luz e caminha com os pulsos sangrando até o quarto,
e ouve o moço do bar pedir mais tequila.
Respira fundo e sente que quem sabe ela pudesse ter uns sonhos legais com isso.
Mas essa noite não tem sonhos...
Pra sempre ela vai dormir tranquila.

O controle remoto.

"Oito anos é muito tempo", pensa, e acende um cigarro de filtro vermelho. Olhos borrados de maquiagem, chorando sentado no meio-fio, se sente pequeno, vazio. Oito anos é tanto tempo, e ele conseguiu estragar tudo. A única garota que tinha a leveza e a compreensão necessária para entender que ele usava lápis preto e batom. A única garota que usava shorts e camiseta do Led Zepellin. A garota que o conheceu na balada underground e disse que o batom vermelho dele ficaria lindo na boca dela.
Ah, aquela garota era única. A única garota.
Mas ele terminara tudo, depois de oito anos, por causa de um controle remoto. Ele chorava, chorava, sentia saudade dos braços pequenos envolvendo o corpo grande, das unhas curtinhas mas que arranhavam as costas, dos olhos oblíquos de cigana, do sorriso pequeno e tímido, das piadas sujas, do "bah meu pau" que ela soltava quando ficava estressada. Sentia saudade da moça toda, em suma.
Começaram a namorar depois de dois anos de amizade. Ou seja, a conhecia desde os dezenove anos, e ela, dezessete. Era uma criança. Ele, um rapaz cheio de cachos e batom preto. Logo perceberam que combinavam e eram o casal perfeito. Os beijos eram absurdamente especiais, o sexo era, ah! o sexo era divino.
Mas terminaram. Não! Ele terminou tudo. Por causa de um maldito controle remoto que ela insistia em deixar no canto do sofá da onde ele caiu oito vezes e meia. Mas ela não o escutava e não colocava a porra do controle remoto em cima da mesa de centro. Na quase nona vez em que o engraçadinho estraga-relacionamentos caiu, João Carlos levantou, pegou o controle remoto no ar, deixou uma lágrima cair de seus olhos pintados e gritou:
- Já deu, Lúcia! Tá tudo acabado, você é muito teimosa.
A moça, perplexa pois eles nunca haviam brigado, ficou em silencio o encarando. Discutiram por dez minutos no máximo, e ele foi embora do apartamento dela, localizado na zona leste de São Paulo.
E agora, 4h da manhã de domingo sentado no meio-fio da rua Augusta, ele chorava e a desejava de volta. Não podia ser que o amor da sua vida ia embora assim! Não, ele a amava, ela o amava e isso não podia ficar assim... Mas, o quê?! O que faria, oh céus?! O que diria, oh vida?! Nada, nada. Porque ela devia estar brava, sua pequena ursinho estava brava e...
O celular tocava. Na tela, "Lúcia <3". Era ela. Atendeu.
 - Alô?
- Oi... Eu... Eu... Eu coloquei o controle remoto na mesa de centro. E eu tô com tanto frio.
Silencio. Ele respira fundo.
- Seu cobertor tá chegando - diz enquanto caminha de volta pro apartamento -, e joga a merda do controle remoto pela janela.

[...]

NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Meus guias de sobrevivência no universo.

domingo, 14 de abril de 2013

Renato Russo, Raul Seixas e cocaína.

Essa noite eu sonhei que estava no meu batizado e eu tinha que ficar sóbria mas estava pouco me fodendo. Tinha uma recente amiga minha comigo nesse sonho, e a gente começava a andar pelas escadas de um hotel muito famoso, procurando o Renato Russo, achávamos várias atrizes famosas e tal. Aí a gente achava o Renato e junto com ele estava o Raul Seixas, e eles ofereciam cocaína pra gente e eu cheirava só um pouquinho e já ficava muito louca. Aí minha mãe aparecia e eu ficava morrendo de medo porque eu tinha que parecer sóbria porque, né, meu batizado! E meu nariz não parava de coçar, e eu jurava que nunca mais ia cheirar essa droga e que meu plano de experimentar todas as drogas que existem ia ficar só na maconha e cocaína mesmo porque, nossa, era muito ruim! E minha mãe gritando e o Renato Russo me oferecendo um autógrafo e o Raul Seixas cantando a música que eu mais odeio dele (sonho que se sonha só...), e a minha amiga com um cigarro na mão me olhando tipo "o que você vai fazer agora?!"...
Aí eu acordei. E meu nariz estava sangrando.

Se isso não é tipo, MUITO BIZARRO, nada mais é. Alguém deve ter enfiado cocaína no meu nariz enquanto eu dormia, porque, sério, como e por que tava sangrando? Weird.

sábado, 13 de abril de 2013

O blog trocou de roupa.

Então, depois de muito tempo (muito MESMO), eu finalmente mudei a aparência do blog. Não aguentava mais a antiga.
Espero que gostem.

(Mas se não gostarem, foda-se, o blog é meu. RÁ!)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Grito de desespero, pedido de ajuda, quadragésima segunda nota de suicídio

A Grande Verdade de Todas As Grandes Verdades é que ninguém sabe o quanto dói até passar por isso. Essa semana estava doendo muito, mais do que o normal, e hoje, hoje parece que eu vou morrer, hoje meu peito está em fogo, meu coração apertado, e meus pulsos, minhas coxas, minha barriga, tudo, tudo, toda a extensão da minha pele está cheia de marcas, sangrando, ardendo, doendo, pulsando, é a vida pulsando na dor. É na dor que a vida fica evidente, e eu vejo como é frágil, como é fácil, e digo adeus, mas não me vou, nunca vou. Eu quero sair, quero ver as pessoas incríveis que eu gosto de ver e conversar e observar. Por que ninguém me leva pra sair? Eu quero sair, eu quero esquecer, quero fugir de mim. Aguentei a semana toda, eu mereço, oh, eu mereço, não mereço? 
Ninguém entende até passar por isso. As lágrimas que caem ardendo, elas estão caindo agora, estão ardendo agora. E esse texto cheio de dor, não chega a um terço da dor verdadeira, da dor da autora por trás desse manifesto de desespero, desse grito por socorro. 
E meu pai diz que precisamos conversar, minha mãe quer que eu volte a tomar antidepressivos, mas ela não entende, caramba, ela não vê? O único remédio eficiente é a saída, a fuga, o escape, as cervejas, as risadas, as músicas, as pessoas, aquela sensação de infinito ao conversar com quem me entende. E quem me entende? Só eles. E cadê eles? Eles estão na rua, oras, oras, oras, oras bolas! Me levem p'ras ruas! AGORA! 

...


"E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende

Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
[...]
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar p'rá casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
De que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo resistir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem quatorze anos..."



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Desabafo tosco porém arrumadinho.

Oi.
Oi, meu nome é Shelly Rodrigues e eu estou sóbria há quase 84 horas. 
Meu nome é Shelly Miranda e eu chorei em todas essas horas. 
Meu nome é Shelly da Silva e eu estou indo ao terapeuta daqui a pouco, porque minha mãe me acha louca.
Meu nome é Shelly Zombie e todas as noites eu tomo três comprimidos de Dramin, e fico com os olhos vermelhos pensando em todas as pessoas que eu admiro e queria ser igual, mas não sou e nunca vou ser. 
Meu nome é Shell, só Shell, às vezes Shé, raramente Ly, e eu estou perdida, sem saber quem sou ou o que faço.

[...]

Estava considerando escrever menos mas, ah!, Zeus sabe o quanto preciso escrever. Diferentemente dos outros pseudo-escritores da internet, eu não espero a inspiração vir, ela vem quando quer, eu escrevo porque estou transbordando. Eu escrevo porque preciso, por uma questão de sobrevivência. E eu nem escrevo tudo aqui. Tenho meu Infinito Particular de Asneiras Aleatórias, que é um caderninho pessoal de besteiras. 

[...]

Tchau.
Tchau, eu tenho 15 anos na Terra, e meu pai acha que estou caminhando rumo ao alcoolismo.
Tenho 256 anos mentais, e hoje eu fui chorar e não consegui, o que me fez pensar que minhas lágrimas esgotaram. (dois minutos depois, eu chorei)
Tenho 0 anos de experiência e já sofro como se tivesse 1000.
Tenho pouquíssimos anos, na verdade, mas tudo dói.
Tudo cai.

...

(A real é que eu não tenho ninguém, e tô com uma angústia muito grande por isso.)
(A real também é que eu preciso de um abraço. Daqueles que preenchem.)

Pequenos contos inspirados em pequenas divagações em momentos aleatórios

E se a aranha continuasse subindo pela parede mesmo com medo de talvez vir uma chuva forte, mas nunca viesse e ela chegasse ao topo? E se no topo ela visse que lá embaixo era melhor? E se lá em cima fosse um telhado sujo quando lá embaixo era uma parede lisa e confortável?
A dona arranha teria subido pela parede sem nenhuma chuva forte para derrubá-la. Mas lá em cima, quando, finalmente!, alcançou o tão esperado topo, ela viu que não era isso, não era aquilo.
Chorou por três dias seguidos e começou a descida.
Veio uma chuva forte, morreu na queda.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sobre quem poderia ter existido e estaria fazendo três meses hoje.

(Observação: escrevi isso às quatro da manhã enquanto fumava um cigarro na escadaria do meu prédio morrendo de medo de minha mãe me ver. Ou seja: tá horrível e sem sentido.)
(Observação 2: Anna Júlia seria o nome do bebê da minha mãe se tivesse sido menina. Eu preferia uma menina, porque aí não veria o pai da criança toda vez que olhasse pro meu irmão.)
(Observação 3: eu amo meu irmão, mas ele nunca vai ser alguém que eu goste. Porque ele é filho de quem eu desprezo, sabe? E vai ser educado de forma desprezível. Se fosse uma menina seria diferente. Ah, machismo nosso de cada dia. Meu irmão vai ser criado para pensar que é superior às mulheres e eu vou odiá-lo. Então criei uma vida para a Anna Júlia. Retirei um 'n'. Enfim.)


Ana Júlia teria os olhos verdes iguais aos do seu bisavô, o cabelo loiro igual ao de sua mãe e a alma rebelde-hippie-gótica de sua irmã mais velha.
Aprenderia a andar com treze meses e a falar com quinze. Aos três anos já escreveria contos baseados em seus animais de estimação (oito gatos, dois cães, um pássaro, dois ratos e uma jibóia). Ana Júlia, aos quatro anos, começaria as aulas de judô e balé. Aos seis, pararia com o balé, irritada com a perfeição exigida pela professora. Dez anos, faixa preta em judô, começaria o kung fu.
Seria Jú até os doze, Ana a partir de então. Aos dezesseis se rebela com seu nome composto.
Com 22, faz um curso de cabeleireira e faculdade de física, e pintou os seus próprios cabelos de azul turquesa. Tem muitos piercings, e uma tatuagem de estrela no ombro (Ana Júlia acha isso bem cafona, e por isso mesmo que fez. Sua rebeldia é sem sentido, às vezes).
24 anos, nunca fumou, só bebe cerveja e cheira cocaína vez'em quando. Se tornou fã de Cazuza e Bauhaus. Gosta de pintar, especialmente de fazer releitura dos quadros de Van Gogh, e às vezes coloca um cigarro apagado na boca, só pela sensação de tê-lo parado ali. Não fala palavrões, não porque ache feio, mas porque não consegue se acostumar com eles. Formada em física, se tornou professora após abandonar o curso de cabeleireira.
Ana vai ao médico aos 33 anos e descobre que, devido aos seus 97kg, tem colesterol alto. Nem se importa. Sabe que é linda gorda ou magra, e ser gorda é mais fácil e gostoso. Colesterol o caramba, dane-se, um dia vai morrer mesmo.
Rodeada de amigos, com 37 anos ainda dá festas todas as sextas e sábados e domingos.
Júlia (ou Ana), linda, compreensiva, divertida, louca (de um jeito não-amoroso) por mim. Morre aos 86 anos (viu, colesterol, RÁ!), deixa pra trás apenas eu, sua irmã mais velha.
[...]
Mas, e o Arthur?
Ah, é tem o Arthur. Veio o Arthur, e não a Ana.
Ana Júlia seria a pessoa mais incrível do mundo, seria minha melhor amiga.
Mas Ana não existe, nem Júlia.
Nada existe. E o que existe, é fruto de alguém que desprezo e outro alguém que me despreza.
[...]
Mas ela faria três meses hoje.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sonhos vêm, sonhos vão.

Quem sabe um dia qualquer Susana entenda as razões e o porquê, mas hoje, hoje ela nem liga, hoje ela desliga (o celular, o computador, a televisão, a mente...), hoje ela pede mais uma cerveja mesmo não gostando do gosto, ela acende um cigarro mesmo odiando a coceira na garganta, ela ri mesmo sem ver graça e fica bêbada mesmo sabendo que vai desejar morrer no dia seguinte por ter dito muito pra quem se importa pouco.
Susana vai pra faculdade de medicina e se pergunta o motivo de fazer medicina. Ela gosta mesmo é de cinema. Mas seu pai disse que não dava dinheiro e não teria filha vagabunda. Então, Susana faz medicina, Susana tem 23 anos e quando crescer vai salvar vidas, enquanto deseja criar vidas. Mas tudo bem, pensa Susana. Sempre existe uma luz, sempre existe um caminho.
Mas que caminho, pensa depois, se eu me sinto tão sozinha? Ah, sim. Susana ouve Legião Urbana e anda com uma calça boca de sino, chinelos e uma camiseta do Woody Allen. Susana pega o ônibus às dez da manhã e às sete da noite. Susana trabalha como aprendiz em um hospital para crianças com câncer. Susana odeia crianças.
Susana gostava de meninos e meninas, mas ultimamente não gosta de ninguém. Ela senta no restaurante vegetariano às duas da tarde e toma um chá gelado. Não come, compra um chiclete com recheio de morango e se sente mal porque ele tem açúcar. Ela caminha pela avenida Paulista, ela observa as pessoas, ela senta e desenha um pouquinho, trabalha em um roteiro que está escrevendo. Não sabe qual o sentido de escrever um roteiro se na verdade ela vai ser médica. Mas escreve.
Susana sempre precisou de um pouco de atenção. Susana não tem ninguém, ela dorme em uma pensão só de garotas. Mas as garotas olham pra suas calças bocas de sino e pensam "2013, Susana. Olhe as nossas skinny. Skinny jeans, Susana, por que não compra um par? Emagrece!", cogitam dizer isso pra Susana, mas desistem.
Susana lê Fernando Pessoa antes de dormir e chora até pegar no sono. Susana só quer se divertir, mas não tem mais dinheiro. Talvez seus amigos estivessem procurando emprego, se ela tivesse amigos. Não tem. Nunca terá. Nunca será.
Seus sonhos estão perdidos! "Mas, que sonhos, oh meu zeus? Que sonhos, Susana? Hein, moça? Cadê tu? Acende a luz, Su. Vai viver, Susana Abreu de Souza. Manda teu pai ir pra'quele lugar, e vive, caçamba!", Susana conversa consigo mesma. Ela queria acreditar que tudo é perfeito e todos são felizes. Mas ninguém lhe diz ao menos obrigado.
Susana está tentando pensar por si mesma, mas me disse que Renato Russo define tudo melhor. Fernando Pessoa define bem melhor, também. Susana sente muito por tudo.
Susana é tão nova, mas tua tristeza é tão exata. Susana não abre a janela, e hoje o dia é tão bonito.

(Susana cresceu, parou de usar roupas antigas e começou a usar social e jaleco no hospital, namorou um homem que a traiu, foi viver com muito dinheiro mas sem vontade de se divertir. Susana morreu aos 36 anos de câncer no pulmão. Em seu testamento deixou todos seus bens para o hospital de crianças com câncer.)

domingo, 31 de março de 2013

Só mais uma nota suicida que ninguém vai ler.

Todo dia é uma guerra. Eu contra a depressão, a terceira guerra mundial acontece dentro de mim, todo dia. Eu não me enxergo no espelho, eu não leio o que escrevo, eu não me vejo, eu não consigo e eu nem tento. Todo dia eu sumo um pouquinho mais. Vou me apagando, desaparecendo conforme as horas passam. Eu me fiz tão podre, eu fiquei tão doente, eu me deixei chegar ao ponto de não saber mais quem sou. Todo dia eu acordo prometendo me sentir melhor, e toda noite eu fico com a faca no pulso, prometendo que dessa vez eu corto na vertical.
Dentro de mim, eu escuto, algo grita por ajuda. Por fora, eu sorrio. Bebo mais um copo, puxo mais um cigarro (da droga que for, eu simplesmente não me importo), danço mais uma música, beijo mais uma garota, grito mais uma canção, vou à mais uma festa. Quero proteção. Quero sentir que uma alma se importa com a minha. Mas a questão é que não existe alma, e se existisse, ninguém se importa. Não comigo, não com a minha. Sou medíocre e nem um pouco especial, diferente ou qualquer coisa assim. Sou só mais uma suicida.
Estou indo embora e gostaria que você soubesse disso. Só saiba disso. Saiba que eu estou indo embora, e aproveita enquanto estou aqui. Aproveita eu sóbria, porque esses momentos estão cada vez mais raros. Eu vou embora, porque você não cuidou de mim e fez questão de deixar claro que ninguém vai cuidar.

P.S.: Eu sinto muito. Sinto mesmo.