segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pobre, pobre Zelda.

Cada dia que passa eu percebo o quanto é medíocre essa vida. Principalmente essa fase da vida, essa pela qual eu to passando: adolescência. Eu me sinto extremamente ridícula quando me chamam de adolescente, como se fosse uma grande massa da humanidade com uma doença que multiplica por mil todas as sensações normais, fazendo com que elas já não pareçam tão normais assim. Ok, na verdade, é assim mesmo.
Para explicar melhor, criarei uma personagem hipotética. Seu nome é Zelda (não me culpe pelo nome ridículo, eu tava jogando The Legend of Zelda, e me parece um bom nome), e ela está no auge dos seus 16 anos. Pobre Zelda. Cada pequena coisinha que acontece no dia dela parece gigantásticamente (gigante + fantástica + desastrosamente) um problema. Ela se sente, veja bem, sozinha (ah -que novidade- me diz aí uma pessoa de 16 anos que não se sente assim), e cada problema dela é como se fosse único, Zelda pensa constantemente que só ela sente essa confusão, e ela quer que seja assim, obviamente, ela quer se sentir única em alguma coisa, mesmo que seja uma coisa ruim.

"Ninguém me entende", esse é o lema da nossa Zelda.

Vou exemplificar duas situações hipotéticas que podem vir a acontecer com Zelda - ou quem sabe, já aconteceram.
  • Situação Hipotética 1 - Zelda está na escola, toda cocota, linda, diva e poderosa (por favor, isso é ironia, ok). Está andando no corredor com as suas amigas, rindo e falando alto (o que é, no caso, uma incrível demonstração inconsciente do quanto Zelda é insegura, e precisa que os outros olhem pra ela). Ela quer atenção. Ela quer ser olhada, quer ser comentada. Aí passa um menino por elas. Instintivamente, Zelda pisca os olhos, nervosa, e passa a mão pelo cabelo. Mesmo sem perceber, ela deu sinais claros de que está interessada por ele. Ele olha pra ela - "uma troca de olhares, e pronto! fodeu". As amigas da nossa personagem - que também querem atenção - fazem piadinha em voz alta, sobre Zelda estar gostando do menino, piadinha maldosas, que são ouvidas por ele - vou dar à ele o nome de Reginaldo - e fazem-no rir. Zelda está morta de vergonha. Reginaldo ainda por cima, é um filho da puta, que espalha pra escola inteira o fato da pobre, pobre Zezé (ok, sem apelidinhos), quer dizer, da pobre Zelda gostar dele. Em pouco tempo, os lugares que Zelda frequenta são limitados, não vai a lugar algum que ele possa estar, por medo do ridículo, evita falar alto, não quer mais atenção. Não aquele tipo de atenção. Viu? A vida dela se limitou por uma simples troca de olhares. Ok, próxima situação.
  • Situação Hipotética 2 - (Lembrando que as duas situações são totalmente exclusivas, não há nenhuma continuação dessa para a outra) Zelda está em casa. Um calor digno de São Paulo em fevereiro, maio, por aí. 35 graus. Puta merda, Zelda está morrendo de calor! Decide ficar só de calcinha e sutiã, afinal, está sozinha em casa. Depois de um tempo, ela ainda está com calor. Mesmo morando em um condomínio decide abrir as janelas - não costuma ter vizinhos que espiam os outros. Aí começa a tocar a música preferida dela - Ai Se Eu Te Pego (podem observar que Zelda é uma típica adolescente, com seus típicos maus gostos). Ela começa a dançar, alucinadamente ("ela começa a dançar alucinadamente" trouxe uma imagem horrível a minha mente, mas vamos em frente), esquecendo-se da janela aberta. Trinta minutos depois, ela se lembra da (porra) da janela. Olha assustada pra fora, e -tanam!- Reginaldo, o gatinho da escola, a estava filmando dançando. Fecha a janela com pressa, e liga o computador. Minutos depois vê o vídeo no youtube. Puta merda. Pobre Zelda descuidada.
Agora que ilustrei essas duas situações, provavelmente as pessoas com um pingo de sentimentos, devem estar com dó da Zelda. E se perguntado o que fariam no lugar dela.
Zelda tem duas opções: a) deixar esses acontecimentos foderem com tudo, e se martirizar por um bom tempo; ou b) ligar o "foda-se", manter a calma, e ter consciência de que daqui 1 ano, ninguém mais -inclusive ela- se lembrará disso. Olha só, como é simples. Na teoria, todos seguiriam a opção b. Na prática, a opção a é a primeira a ser seguida.
Manter a calma é algo extremamente necessário diante situações complicadas e/ou constrangedoras. Manter a calma, pensar. E se lembrar que, repito, ninguém mais se lembrará disso daqui algum tempo. Talvez Zelda olhe para trás e ria da situação. Talvez.
Enfim, guarde isso para situações que você talvez venha a enfrentar futuramente: sua vida não vai acabar porque você pagou um mico. Isso apenas servirá para te fortalecer.

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