Para explicar melhor, criarei uma personagem hipotética. Seu nome é Zelda (não me culpe pelo nome ridículo, eu tava jogando The Legend of Zelda, e me parece um bom nome), e ela está no auge dos seus 16 anos. Pobre Zelda. Cada pequena coisinha que acontece no dia dela parece gigantásticamente (gigante + fantástica + desastrosamente) um problema. Ela se sente, veja bem, sozinha (ah -que novidade- me diz aí uma pessoa de 16 anos que não se sente assim), e cada problema dela é como se fosse único, Zelda pensa constantemente que só ela sente essa confusão, e ela quer que seja assim, obviamente, ela quer se sentir única em alguma coisa, mesmo que seja uma coisa ruim.
"Ninguém me entende", esse é o lema da nossa Zelda.
Vou exemplificar duas situações hipotéticas que podem vir a acontecer com Zelda - ou quem sabe, já aconteceram.
- Situação Hipotética 1 - Zelda está na escola, toda cocota, linda, diva e poderosa (por favor, isso é ironia, ok). Está andando no corredor com as suas amigas, rindo e falando alto (o que é, no caso, uma incrível demonstração inconsciente do quanto Zelda é insegura, e precisa que os outros olhem pra ela). Ela quer atenção. Ela quer ser olhada, quer ser comentada. Aí passa um menino por elas. Instintivamente, Zelda pisca os olhos, nervosa, e passa a mão pelo cabelo. Mesmo sem perceber, ela deu sinais claros de que está interessada por ele. Ele olha pra ela - "uma troca de olhares, e pronto! fodeu". As amigas da nossa personagem - que também querem atenção - fazem piadinha em voz alta, sobre Zelda estar gostando do menino, piadinha maldosas, que são ouvidas por ele - vou dar à ele o nome de Reginaldo - e fazem-no rir. Zelda está morta de vergonha. Reginaldo ainda por cima, é um filho da puta, que espalha pra escola inteira o fato da pobre, pobre Zezé (ok, sem apelidinhos), quer dizer, da pobre Zelda gostar dele. Em pouco tempo, os lugares que Zelda frequenta são limitados, não vai a lugar algum que ele possa estar, por medo do ridículo, evita falar alto, não quer mais atenção. Não aquele tipo de atenção. Viu? A vida dela se limitou por uma simples troca de olhares. Ok, próxima situação.
- Situação Hipotética 2 - (Lembrando que as duas situações são totalmente exclusivas, não há nenhuma continuação dessa para a outra) Zelda está em casa. Um calor digno de São Paulo em fevereiro, maio, por aí. 35 graus. Puta merda, Zelda está morrendo de calor! Decide ficar só de calcinha e sutiã, afinal, está sozinha em casa. Depois de um tempo, ela ainda está com calor. Mesmo morando em um condomínio decide abrir as janelas - não costuma ter vizinhos que espiam os outros. Aí começa a tocar a música preferida dela - Ai Se Eu Te Pego (podem observar que Zelda é uma típica adolescente, com seus típicos maus gostos). Ela começa a dançar, alucinadamente ("ela começa a dançar alucinadamente" trouxe uma imagem horrível a minha mente, mas vamos em frente), esquecendo-se da janela aberta. Trinta minutos depois, ela se lembra da (porra) da janela. Olha assustada pra fora, e -tanam!- Reginaldo, o gatinho da escola, a estava filmando dançando. Fecha a janela com pressa, e liga o computador. Minutos depois vê o vídeo no youtube. Puta merda. Pobre Zelda descuidada.
Zelda tem duas opções: a) deixar esses acontecimentos foderem com tudo, e se martirizar por um bom tempo; ou b) ligar o "foda-se", manter a calma, e ter consciência de que daqui 1 ano, ninguém mais -inclusive ela- se lembrará disso. Olha só, como é simples. Na teoria, todos seguiriam a opção b. Na prática, a opção a é a primeira a ser seguida.
Manter a calma é algo extremamente necessário diante situações complicadas e/ou constrangedoras. Manter a calma, pensar. E se lembrar que, repito, ninguém mais se lembrará disso daqui algum tempo. Talvez Zelda olhe para trás e ria da situação. Talvez.
Enfim, guarde isso para situações que você talvez venha a enfrentar futuramente: sua vida não vai acabar porque você pagou um mico. Isso apenas servirá para te fortalecer.
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