domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sobre querer não querendo.

Há uns três dias eu venho ficando frequentemente incomodada em ser sozinha. Não no sentido emocional, não. No sentido emocional, me agrada muito ser sozinha, gosto de ficar sozinha em casa, gosto de pensar sozinha, gosto de imaginar situações na minha cabeça, e gosto de não dividir minhas dores com ninguém. Eu tô me sentindo sozinha no sentido físico.
No sentido de não ter ninguém pra me abraçar, me beijar, me morder, me arranhar, me beliscar... De não ter ninguém com quem eu possa ouvir Kate Nash, ou The Maine, e dizer "essa é a nossa música, mô". Não ter ninguém pra segurar minha mão e me fazer sentir segura, quando meu mundo estiver desabando. Ninguém pra me abraçar por trás e sussurrar no meu ouvido que meu cabelo fica colorido no sol. Ninguém pra reparar que meus olhos são verde escuro, logo que eu acordo. E que ficam mel no sol. E em dias nublados, cinza. Ninguém pra amar minha marquinha de nascença na parte de dentro da coxa, porque ela tá em um lugar que pouco reparam.
Ninguém nunca reparou nessas coisas, porque ninguém nunca me amou plenamente. E, os que amaram, eu não deixei repararem. Eu não deixei se aproximarem. Porque eu tenho medo.
Eu tenho medo do desconhecido. Eu tenho medo do amor. Eu tenho medo de me tornar dependente de algo finito. De algo que um dia vai acabar, e vai me fazer sofrer. Eu tenho medo de sofrer. Eu sou frágil, e com um simples "acho que a gente deveria dar um tempo", eu poderia desejar a morte. Ah, mais do que frágil - eu sou dramática.
E será que algum dia eu vou achar alguém que goste - ou pelo menos suporte - meus dramas excessivos? Minhas mais que constante mudanças de humor repentinas? Minha sensibilidade e minha carência de beijinhos, mordidinhas, e carinhos? E será que esse alguém entenderia que, apesar de carente, terá dias em que eu não vou querer nem um beijo na bochecha?
Alguém.
Alguém, pra mim, por mim, porque eu quero, quando quero, e quero sem querer. Se pudesse escolher, obviamente, escolheria não querer.
Alguém - pelo bem da minha sanidade mental.
Alguém pra me chamar de chata, e depois de "minha chata". Alguém pra me fazer rir na fila da montanha-russa, porque - mesmo que eu negue - ele sabe que eu tô com medo. Alguém pra entender minha preferência por chá quente, e não gelado. Alguém que saiba que eu só tomo café com tanto açúcar que me faz mal, e não me deixasse tomá-lo. Alguém pra ouvir Mallu Magalhães comigo, me chamando de irritante quando eu cantasse as músicas, mas no íntimo me amando daquele meu jeito, meu pior jeito, meu melhor. Entendendo os meus extremos, os meus 8 ou 80, os meus exageros. As minhas complexidades, minha aleatoriedade, meus pensamentos insanos que me deixam (quase mais) insana.
Alguém que não me fizesse dizer eu te amo todo dia, e que não reclamasse nos dias que eu dissesse toda hora. Alguém que me fizesse sentir amada, sem me sentir sufocada.
Que entendesse quando eu digo que não o quero ver hoje, sem ficar magoado e blá blá.
Alguém que soubesse exatamente o que eu quero dizer com "coisa aquele coiso coisadinho ali em cima do coiso, por favor".
Que me acordasse no meio da noite, e dissesse que me ama. E risse de mim quando eu mandasse ir se danar.
Que entendesse minha vontade de ser plena, e estar faltando. De ser perfeita, e acabar sendo perfeitamente errada. Que entendesse meus erros não entendidos nem por eu mesma.

Que não ligasse quando eu fizesse cena, só pra ter certeza se devo ser plena nesse amor.

Que entendesse o quanto eu me sinto ridícula falando da minha carência. Que lesse meus textos e fosse sincero sobre o que acha deles.
Que não me deixasse - não partisse meu coração, não me fizesse sentir pior que roupa amarrotada de mendigo.

Eu quero esse alguém. Queria não querer, mas quero, e muito.
Acho que fica nisso, né? Eu querendo sem ter, sem querer.
O amor não vai chegar - nunca. E quanto mais cedo eu aprender a viver sem ele, melhor viverei.


Vivendo assim confusa, perdida, buscada, e nunca, nunca, nunca encontrada. Por ninguém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário