Mãe, eu ainda acho que eles vão me pegar. Eu ainda vejo eles vindo. Mas eu não posso dizer, nem correr, nem gritar, e, oh, eu não aguento mais lutar sozinha. Mas eu não posso pedir ajuda, eu tentei, mãe, eu tentei, e você disse que eu era louca. Então, eu simplesmente disse que não tinha ninguém tentando me pegar, que eu só perdi o controle por um segundo. Mas tem, mãe. E meu controle não foi perdido por um segundo, ele está perdido por uma vida. Eu sinto muito, mãe, mas eles vão me pegar.
Eu não me conheço mais. Eu não conheço mais esse mundo. Eu tô doente, pai. Para de me ignorar, para de sentir pena de si mesmo, me dá atenção, eu preciso de ajuda, pai. Eu preciso tanto de você, você não faz ideia. Eu tô cansada de ser seu porto seguro, de segurar suas lágrimas e de fingir que eu sou normal, e que você pode desabafar a vontade, porque sua depressão não pode me atingir. Me perdoa por isso, mas eu não aguento mais. Pai, não vai embora, por favor, não me deixa sozinha, eu não consigo mais.
Eu tô louca.
Louca, maluca, biruta, pirada, doida, doente, retardada.
E eu vou morrer, eu sinto a morte vindo, eu sinto meu fim chegando. É meu fim. Ele tá chegando. Todo mundo vai ser melhor sem mim, eu sei disso. Ninguém se importa de verdade. Eu não consigo mais conversar com ninguém. Eu tô indo embora.
Eu vou embora, logo, logo. Eu queria dizer adeus. Eu não quero ir, mas não posso lutar contra eles sozinha, e eu tô sozinha. Eu tô fodida.
Eu sinto muito, muito, muito.
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