sábado, 5 de outubro de 2013

sobre poesia, escrever, futuro e vento

Uma vez eu disse que sou vazia demais para escrever poemas. Mas talvez seja o contrário. Acho que sou cheia demais, aí me confundo com tantas coisas para serem ditas, e acabo não dizendo nada. A poesia é uma arte que precisa de muita leveza, e eu sou pesada. Minhas palavras furam a folha, e a poesia apenas roça o papel. Meus pensamentos são amargos, e a poesia, mesmo a poesia triste, é doce. Se eu falo sobre algo, eu sempre vejo a face mais sombria do assunto. A poesia, mesmo quando trata desse lado sombrio, trata de forma iluminada. Com leveza, doçura, calma, simplicidade. É isso! Sou complicada demais para ser poeta. A poesia exige simplicidade, resumo; e, como os poucos que me leem devem ter percebido, eu realmente não sou simples.
Eu só percebo que estive feliz quando me sinto triste. Só sinto falta quando não posso ter de volta. Só quero correr quando meus pés doem. Penso em gritar apenas quando estou rouca. Só gosto do sol quando ameaça nevar. Só sinto saudade de casa quando estou há horas na estradas. Só percebo que amo quando a pessoa vai embora.*
...
Eu queria escrever como alguma das escritoras que eu admiro (a.k.a JK Rowling, Marion Zimmer Bradley, Anne Rice, Karolina von Ammon (espero que ela não leia isso), Meg Cabot, etc.), mas é bem difícil quando não sou nem 1% tão incrível quanto elas. Isso aqui é mais um desabafo mesmo. Tô quase desistindo de ser escritora e virando, sei lá, qualquer outra coisa. To quase desistindo da faculdade de Letras e fazendo Física porque "eu tenho que aproveitar que eu sou boa nisso e dá dinheiro", como diz meu pai. Mas mas mas mas eu gosto de escrever :( por que eu não posso ser boa nisso? Não que eu seja ruim, eu sou boa em comparação com os lixos que os adolescentes escrevem hoje em dia, mas, sinceramente, eu quero publicar livros que mudem a vida das pessoas, minha base de comparação não pode ser as pessoas da minha idade! E se eu mudo a base de comparação, eu mudo minha visão sobre minha escrita. Sou péssima, péssima, péssima. Eu to quase desistindo do meu sonho e isso me desespera!!!!!!!!!!!!! Se eu desistir da coisa que eu quero desde os três anos, o que eu sou, o que sobra??? Não existe Shelly sem a vontade de publicar um livro. Mas eu não posso me iludir e depois passar fome, só que também não posso abandonar meus princípios e fazer uma faculdade só por dinheiro. ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH MEU CÉREBRO TA ENTRANDO EM COLAPSO


Vou viver no meio do mato à lá Ventania, sem faculdade sem família sem papel nem caneta sem frustrações sem dinheiro, plantando minha comida e meu fumo e é isso, adeus galera







* trecho copiado inspirado na música Let Her Go, da banda Passenger.

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