(...)
Eu te encontrei na esquina da av. Paulista com a Brigadeiro, e te abracei tão forte de saudade, de nervosismo, de tesão e de amor. Sentamos lado a lado no café que você escolheu e que eu não pedi nada, e eu queria toda hora uma brecha pra encostar em você. Te apresentei para a minha terapeuta, e acho que foi assim que eu vi que eu to gostando mesmo de você.
Fomos pro seu carro, experimentei seu cigarrinho de tabaco natural com haxixe e gostei tanto, tanto. Te gosto tanto, tanto. O caminho todo a gente conversando e quando seu outro namoradinho te ligou, eu fiquei puta e você riu de um jeito fofo. Bom, acho que foi assim que eu vi que já tava apaixonada por você. Chegamos na sua casinha e eu amei seus gatos (Brócoli, Myuki, Olívia...), quase tanto quanto amei os beijos no seu quarto com sabor do segundo beck de haxixe que fumamos juntas. E sabor de café. E eu odeio café, e você lembrou disso, mas desse jeito eu não me importo. Sua boca é a melhor coisa que eu já provei, meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que você podia ouvi-lo, minha cabeça girava toda hora que sua língua tocava a minha e meus lábios encaixavam nos seus, e foi por aí que eu percebi que quase te amo.
E fomos pro shopping encontrar seu cliente, ele é muito simpático e te avisou que meu signo é difícil e temperamental e você só disse "vamos ver..." e me sorriu, e o mundo inteiro parou como sempre para durante os segundos que dura seu sorriso. E ficamos como um casal conversando com seu cliente tão querido e amável, e eu me senti medíocre demais pr'aquele momento, porque é bom demais, é lindo demais, é filminho-romântico-préadolescente-com-final-feliz demais, sabe? E eu desejei tanto andar no seu carro, beijar sua boca, ir pra sua casa, conhecer suas drogas e ser apresentada como sua amiga para os seus conhecidos, agora eu tenho tudo isso e é surreal porque você é surreal e eu sou louca pelo seu surrealismo mal desenhado e bem programado. Minha interpretação artística nunca foi muito boa porque eu viajo demais, imagino demais, mas acredito que entendi seu quadro muito bem, e me apaixonei. Quando você me deixou no ponto de táxi e me deu o dinheiro pra pagá-lo e comprar uns cigarros, eu agradeci aos deuses por cruzarem sua linha da vida com a minha.
Daí eu lembro dos seus olhos nos meus, nossos rostos à centímetros de distância e eu me sentindo cada vez mais atraída pra perto. Você sorrindo e me beijando, e beijando meu pescoço e rindo quando eu fiquei vermelha, foi mais ou menos nesse momento que eu soube que vai dar tudo certo. Destino nenhum vai ousar se colocar no nosso caminho. Nós fomos feitas pra durar, lindinha.
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