Eu tava pensando nela e nos motivos dela ter fugido. Tava sentada no banquinho que nem é mesmo um banquinho, com o quarto cigarro pela metade na mão, querendo jogar ele fora porque ja tava me dando dor de cabeça. Mas cigarro é caro e eu tenho um vício, não dá pra jogar fora. Igual ela, que ta me dando dor de cabeça mas é valiosa demais pra jogar fora e eu tenho que ir até o fim porque to viciada no perfume doce e no olhar distante.
Comecei a sentir dor nas costas, mas continuei parada olhando para o nada soltando distraídos "boa tarde" quando um vizinho passava. Queria terminar de ler meu livro aberto no meu colo, mas a leitura de certo parágrafo foi o que me lembrou dela e me deixou devaneando sobre seus motivos de fugir e sumir. O celular do meu lado não parava de apitar mensagens de colegas falando sobre minha melhor amiga que também sumiu e provavelmente vai cometer suicídio em breve. E eu não sei o que fazer. Todo mundo na minha vida some e morre. Eu quero cuidar dela (que na verdade é plural, elas) mas nem sei cuidar de mim.
Ainda com a coluna doendo por algum motivo desconhecido, terminei o cigarro e acendi outro. Eu nem queria outro. Mas é um vício. Eu nem queria vê-la. Mas seu sumiço... Ela é meu vício mais caro e prejudicial, supera os seis e cinquenta e o câncer. Porque ali, sentada, pensando nela, eu percebi que não era minha coluna que tava doendo. Era meu peito. Um vazio. Uma dor que em quatro anos de fumante eu nunca tive. Mas em oito meses dela eu tinha frequentemente. Não é câncer, é pior. É amor. E o fim. Amar ate o fim, o fim até o amor. Chorar tanto que começa a rir da própria superficialidade. Que piegas, sofrer por amor. Que clichê, sofrer por ela. Qhe patético, sofrer pelo amor dela.
Que dolorido. Pensar nela.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Cigarro é caro, mas ela é mais.
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