Hoje eu consegui voar. Eu me joguei da janela da sala, porque não agüentava mais, e voei. É sério! Eu me vi pulando e caindo, e depois o ar me elevando e me fazendo flutuar. Aí o ar me empurrou de volta pra casa como se dissesse: "Calma que ainda não é tua hora!". Eu acho que já sabia que não era minha hora, sabe, porque teve um outro dia em que minha pele se regenerou em um minuto. Juro por tudo, primeiro eu tava ali, encarando meu pulso rasgado, aberto e sangrando, um minuto depois eu vi minha pele se auto-costurando e o sangue sendo absorvido de volta, e minha lâmina foi sendo arrastada pelo ar até cair pra fora de casa. Danado esse ar. Achando que pode decidir quando eu devo ou não morrer. Teve uma vez que o ar fez trinta e dois comprimidos que eu tinha ingerido saírem pela minha boca intactos. Fiquei muito brava, porque, EI, SOU EU QUE MANDO AQUI! Se eu quiser ir, eu vou! Eu vou embora e você não pode me impedir! Ar babaca, metido a bom moço salvando que não quer ser salvo.
…
Mas foi muito legal voar.
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