terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sobre aniversários, décadas de mudança e a vida.

Esses dias foi meu aniversário. Na verdade, agora que parei pra pensar, percebi que fazem exatamente sete dias que foi meu aniversário. Engraçado. Todo ano, quando chega agosto, eu fico ansiosa pro dia sete. Meu aniversário, sabe. Gosto de ganhar presentes, atenção, carinho, abraços. Minha sensibilidade multiplica por mil nessa época, fico realmente (mais) difícil de lidar. Sei lá, fico pensando que estou velha, que logo eu vou morrer, fico pensando no sentido da vida, fico pensando como estarei daqui quinze anos, como estarei comemorando o próximo aniversário, se estarei viva... Calculo quantas pessoas eu perdi nos últimos dez anos, penso nas que perderei nos próximos. Relembro de cada felicidade vivida, cada dor sentida, reabro todos os machucados só pelo prazer de olhá-los e pensar "eu superei". Já não dói mais. Na verdade, nem sinto mais muita coisa. Tô meio que anestesiada. Desde a última perda, eu meio que já não sinto as coisas como antes.
Eu costumava ser tão fofa... Tão meiguinha, tão bobinha, tão ingênua, tão frágil, tão simples, tão cheia de boas intenções, tão pequenininha, tão inocente... Eu juro que eu era totalmente diferente do que sou hoje. Nos últimos três anos, minha vida e minha personalidade mudaram completamente. Agora eu sou tão intensa, tão cheia de dores. Antes eu era tão vazia, tão boba, tão, tão, tão ingênua. Meu eu atual é repleto de dores, confusões, experiência, perdas, brigas, choros, decepções. Mas, hoje, eu sou forte. Não tanto quanto eu provavelmente serei daqui uma década, mas com certeza mais do que eu era há cinco anos atrás.
Acho que, no fim, é isso mesmo. Sofrer, sofrer, sofrer, chorar, chorar, chorar, morrer, morrer, morrer. A vida é triste, temos apenas fragmentos de felicidade no meio dela, e, como os bons animais estúpidos que somos, não sabemos aproveitá-la.
Às vezes, eu penso que é horrível nós não sabermos NADA sobre... Nós. Não sabemos o que é isso, essa vida, como a gente tá aqui, o que é 'aqui', pra onde vamos, quem somos, como somos, como tudo existe, por que existe, o que é 'tudo'... São tantas dúvidas, por alguns segundos, às vezes, eu vejo minha vida como se fosse um filme ou um livro em que nós não sabemos nada dos personagens ou do enredo enquanto ele não se desenrola, como se só fossemos descobrir no final. Mas aí me dou conta de que não é um filme. Não é um livro. É nossa vida. E talvez no final não tenha nada. Nada.

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