Uma vez minha irmã me disse que eu era estranha. Uma vez meu pai me disse que eu era esquisita. Já me disseram que eu sou louca, demente, doida, maluca, pirada, confusa, complexa. Diferente.
"Você é diferente, Shelly."
Eu sou diferente. Meio inapropriado isso, não? Chegarem em mim e falarem que eu sou diferente. Mas o que é ser diferente? Isso é bom? Ruim? O que eu sou?
Não, droga, eu não sou diferente. Eu não faço nada de diferente, eu não tenho nada de especial, eu não tenho nenhum talento incrível ou fora do comum, eu não sei cantar, eu não sei desenhar, e eu escrevo tão bem quanto qualquer adolescente de quinze anos. Mas que saco, eu não sou diferente. Não sou especial. Não sou uma exceção. Eu não sou absolutamente nada. NADA.
Então, caralho, parem com isso.
"Você lê? Tá vendo, você é diferente."
"Você gosta de física? Que diferente."
"Seu nome é Shelly mesmo? Diferente, né?"
"Você não é estranha... Só diferente."
"Você tem um jeito diferente de escrever."
NÃO, PORRA, EU NÃO SOU, ISSO NÃO É, NÃO, NÃO SOU, NÃO TENHO. Eu sou igual todo mundo, eu não sou diferente.
Eu sou um lixo, um lixo como qualquer outro ser humano nesse mundo é.
Grata.
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