sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Suicídio interior.

Afundar-me em pensamentos, perder-me em lembranças, afogar-me em lágrimas. Suicidar-me. Interiormente. Me matando, aos poucos, lentamente, torturando-me com as piores hipóteses, as lembranças mais tenebrosas, revivendo cada dor já sentida, reabrindo cada cicatriz, até tranformá-las em fraturas expostas. E todas as noites, sem exceção, ir além da dor imaginável. É um suicídio interior, uma auto-tortura do cérebro, auto-induzimento da alma ao sofrimento. Olhos obscuros, coração lento, mãos tremendo, alma morrendo. Me encontro em um dos mais profundos níveis do desespero, cada pedacinho meu grita implorando por socorro. Mas, oh céus, eu não quero socorro. Eu não quero ajuda. Eu quero cortar, despedaçar, queimar, destruir minha alma, eu quero incendiar e explodir meu cérebro. Eu quero que todos os pensamentos e todas as lembranças morram. Eu cansei dessa luta, procurando pela saída do poço. Ah, deixa, eu desisto mesmo. Vou ficar aqui no fundo, (des)confortavelmente acomodada em meio aos espinhos, vou afundar-me cada vez mais nas lâminas, vou brincar de roleta-russa com todas as balas na arma, vou tirar minha alma e jogá-la de um precipício, vou arrancar meu cérebro e esquartejá-lo. Vou sentar aqui, quietinha, no escuro, dolorida, me machucando mais e mais, e esperar, calmamente, o dia em que não terei mais forças pra reagir, e o suicídio tenha sucesso.
Suicídio interior, lento e (assim espero) eficiente. Assim só sobrará minha carcaça, a parte exterior, a que é bonitinha e pode facilmente interagir com outros. Aí não pensarei mais, aí não sofrerei mais. Aí, finalmente, tudo ficará bem. O único modo de ser feliz é não tendo um cérebro, nem um coração. O único modo de ser feliz é suicidando-se, de dentro pra fora.
Eu serei feliz.

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