Eu nem sei como te dizer isso. É uma notícia bem grande e importante. Eu percebi hoje, e corri para te escrever, porque, ah, você precisa saber, é sobre você, tudo sobre você, não é? Aí é que tá: não é! Não mais.
Acontece que hoje eu achei aquele panfleto daquela banda que a gente foi acidentalmente parar no show, sabe? E eu peguei o papel, e amassei. Eu olhei pra ele e não lembrei de você. Bom, não assim, logo de cara. Eu lembrei, mas demorou quase dois terços de minuto! E quando eu percebi isso, me dei conta que semana passada eu passei em frente aquela livraria enorme com um nome esquisito, lembra? Aquela em que a gente entrou e eu te comprei um exemplar do meu livro preferido, porque achei que você entenderia ele (mas você não entendeu)... Eu passei em frente á ela e nem percebi! Eu só percebi dias depois, cara! Ah, por falar em "cara", mês passado vi uma menina no metrô com uma revista Vogue. Na hora, nem liguei. Quando desci na República e andei no meio daquele monte de gente indo pra linha amarela, eu lembrei. Lembra? Quando você achou uma Vogue nas minhas coisas e eu quase morri de vergonha porque tinha te dito que odiava (e odeio mesmo) revistas de moda? E aí eu te expliquei que só comprei aquela porque tinha a Cara Delevingne na capa e eu acho ela a coisinha mais fofa do mundo. E você riu tanto, tanto. E aí, na estação Brigadeiro da linha verde do metrô, eu lembrei da sua risada e fiquei normal. Meu coração não deu um pulo. Foi normal. Tá entendendo onde eu quero chegar, J? Eu quero chegar no ponto em que você entenda o que significa eu já conseguir comprar uma cerveja sem chorar de saudade das nossas cervejas e conversas. Eu já consigo prender o cabelo sem lembrar das suas mãos grandes me fazendo massagem no couro cabeludo, e nem fico pensando que perdi o único cara que não achava estranho eu gostar de massagem no couro cabeludo. Eu consigo entrar no ônibus sem sentir falta das suas mãos na minha cintura enquanto me indicava a direção no corredor cheio de gente balançando. Eu já posso assistir meu canal de tv preferido e não fico com saudade da sua voz dizendo que o canal é uma bosta mimizenta e se perguntando em voz alta porquê me ama tanto. Eu vejo casais na rua e não tenho vontade de me matar por ter perdido sua boca no meu ouvido dizendo que me ama, seu quadril pressionado no meu, nossos beijos, nosso sexo, nossas conversas, nosso mundo.
Mas, olha só, James: eu não te esqueci, como você pode perceber. Eu nunca vou te esquecer, nem esquecer nosso primeiro quase-encontro na barraquinha de churros; e nem vou esquecer a ultima vez que te vi, naquela maldita maca. Mas eu acho que to superando. To começando a entender que foi tudo uma experiência maravilhosa. É claro que eu te quero de volta, mas já aceitei que não vou ter e aprendi a amar as lembranças, e não sofrer com elas. Espero que você fique feliz por mim... Meu amor, não pense que não te amo mais, viu? Eu te amo para sempre. Mas agora eu amo sem sentir dor todo dia. Dói vez ou outra, e dói de um jeito suportável e, de certa forma, bonito. Eu acho que to finalmente seguindo em frente.
Te conhecer foi uma fagulha dourada no meu céu vazio; amar você foi colorido, como um arco íris; perder você foi preto como a morte que te levou; e viver sem você é vermelho, vermelho como sangue, vermelho como seus lábios eram, vermelho como, afinal de contas, a cor que você tanto queria que fosse a parede do nosso quarto.
Rafael, aquele que vai ser seu além da vida."
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