sexta-feira, 3 de maio de 2013

Divagações.

No mar de palavras, eu me perdi. Em meio a tantas letras, me confundi. Não sei mais descrever, escrever, ver. Não posso mais falar de tudo, porque eu sei absolutamente nada. Patético falar sobre o que não sei, e o que sei não merece ser falado. Então, me calo. Fico quieta. Não digo, não olho, mal respiro.
Sigo em frente, devagar, tentando não olhar para trás ou para os lados. Foco no futuro. Foco no que serei, serei algo, esperança, eu tenho esperança que ainda serei algo. Não posso ser só... Isso. Esse clichê ambulante. Clichê com pernas. Quinze anos, sozinha, depressiva, me sentindo suicida. Quão clichê? Muito. Nem eu me aguento mais.
Esgotada, cansada, tento o mais que consigo, tento ver, mas tanta neblina, tanta poeira, ninguém entende, ninguém sabe, ninguém me entende, ninguém me conhece, e eu me esforçando, forçando meus olhos a enxergarem através de toda essa neblina, toda essa tristeza, toda essa chuva... Tem algo por trás de tudo isso? Tem algo pra mim, depois de toda essa dor? Eu ainda vou viver? Eu vou ser feliz? Eu vou superar meus traumas? Minhas dores? Vai existir uma época em que eu conseguirei não ter uma crise de pânico toda vez que lembro da minha infância? Ah, meus traumas. Bem comuns, bem clichês. Tudo clichê. Entretanto, ninguém me cura. Nenhum remédio, nenhum psiquiatra, nenhum médico consegue me fazer superar o que eu passei. Porque eu sou fraca, e gente fraca não consegue seguir em frente. Gente fraca tá sempre sofrendo pelo passado.
No fundo, eu sei que mereci, e que, na verdade, foi minha culpa. E é por isso que eu sou assim, até hoje, é tudo minha culpa. Sempre vai ser minha culpa. Porque eu deixo, eu fico quieta, eu sou passiva. Pra tanta, tanta, tanta coisa eu sou ativa, eu mando, eu comando, e pra isso, eu sou passiva, quieta, submissa. Por quê? Eu juro que só quero esquecer tudo. Apagar isso. Mas, pelo contrário, todo dia eu lembro de algum outro detalhe daquela época escura e triste.
Eu quero ir embora.

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