terça-feira, 21 de agosto de 2012
Alice e Lucas: O(s) Encontro(s)
Julho, verão de 2001
Nós éramos crianças, e eu odiei você logo que te vi. Te achei um rostinho bonito, mas não suportava aquele seu olhar metido. Eu tinha dez anos, quando ouvi sua voz pela primeira vez. E eu juro que eu nunca pensei que fosse virar algo, nem ao menos amizade. Talvez por isso te tratei tão mal. Talvez por isso não dei a mínima quando você disse que eu era chata. Ou talvez fosse porque eu era criança, e porque você realmente me irritava, com seu olhar metido e se achando superior. Ah, se eu tivesse uma máquina do tempo... Mudaria tudo, voltaria no tempo e diria a mim mesma para cuidar bem daquele moço, de você, e talvez você não tivesse ido embora. Talvez eu não estivesse escrevendo a história de nós dois, eu estaria vivendo-a. Eu não queria um começo, e quando começou, eu não queria o fim.
[...]
Fevereiro, verão de 2005
Eu lembrei de você. Tinha te visto uma vez, há quatro anos e mesmo assim eu lembrei de você. Quando te vi entrar pela porta da sala de aula, os ombros largos e o peito estufado, meio sorriso no rosto, cabelo preto despenteado e olhos pequenos e verdes, eu lembrei. E pensei “meu Deus, ele cresceu”. Não tive dúvidas que era você. Eu simplesmente reconheci o menino irritante com quem eu era obrigada a brincar nas férias de julho de quatro anos atrás. Mas, nossa, você tinha crescido. Muito, e eu quase me arrependi de ter sido tão má. Quase. Você nem olhou pra mim, só caminhou e cumprimentou alguns meninos babacas. Eu era nova na escola, eu só conhecia você, mas, cara... Eu odiava você. Tipo, você tinha crescido e tal, tava bonitinho, até, mas aquele olhar metido continuava, e só Deus sabe o quanto eu tinha vontade de socar sua cara cada vez que te via.
[...]
Mas aí você falou comigo, e algo na sua voz me deixava tão... Vulnerável. Lembro até hoje, sete anos depois, da nossa primeira conversa.
- Ei, eu não te conheço de algum lugar? – Sua voz era rouca, calma, confortadora. Mas, como tudo em você, tinha aquele tom superior, que me irritava tanto, tanto...
- Não, e essa cantada é velha. – Menti.
- Não tô te cantando, ô, calma aê! Só quis ser simpático. Tu é nova na escola, né não? – Você falava arrastado, com jeito de malandro, e, meu Deus, aquilo despertava em mim uma vontade de ser sua mocinha, a mulher do malandro. Porque eu sempre gostei de coisas erradas, e não conseguia imaginar algo mais errado que você...
- Sou sim. Agora vai se oferecer pra me mostrar todo o colégio, se fazendo de bom moço, e depois dando em cima de mim, né? – Eu sorri. Esforcei-me tanto para não deixar que suas palavras me amolecessem, me fizessem sua. Eu te odiava há anos atrás, por que isso mudaria agora? E eu também não acreditava que você simplesmente não lembrasse mais do verão de 2001. Eu lembrei, e queria que você lembrasse.
- Na verdade, estressadinha, eu tô indo jogar e não pretendo acompanhar ninguém pela escola, não. – Primeira vez que você me deu as costas e eu quis correr atrás e me jogar nos seus braços e... Não, não, não, eu não podia pensar isso! Cadê aquela Alice que com dez anos não suportava o metidinho? Eu a queria de volta, eu queria a Alice normal de volta.
(Eu sei, você pode não acreditar nisso tudo. Mas eu juro, eu juro, juro, que te odiei da primeira vez, e me apaixonei na segunda. Queria tanto fazer-te meu, e queria mais ainda não querer nada disso.)
[...]
Aquela primeira semana de aula, foi... Como posso dizer... Um inferno. Seus olhos me seguiam por toda a parte, e eu tentava te odiar. Tava conseguindo, moço... Eu tava conseguindo te odiar. Até você fazer aquilo. POR QUÊ? Tô gritando na sua cara: POR QUE VOCÊ TINHA QUE ME TRATAR TÃO BEM? POR QUE SE TORNOU TÃO MEU AMIGO? POR QUE VOCÊ ME BEIJOU? POR QUE VOCÊ DISSE QUE ME AMAVA? POR QUE VOCÊ ME PEDIU EM NAMORO? Por que você terminou comigo?...
[...]
Você não deve se lembrar de nada, vou explicar tudo por partes, tá? E a nossa história começa aqui. Até esse parágrafo era só o encontro da sua história e da minha. Agora começa a nossa história. Ah, amor, não me ache louca. Eu me lembro de tudo, eu sinto falta de tudo. Ah, meu amor... Eu te odiava com todo meu amor, mas você foi pequeno demais pra segurar minha enorme confusão. Vou te fazer lembrar-se de tudo, ok? Meu bem... Nossa história é tão errada, e é por isso que eu gosto dela. Meu querido, nossa história é linda.
tem a ver com:
adolescente,
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alice e lucas,
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vergonha eterna por ter postado isso
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Shell, não tem motivo pra tag "vergonha eterna por ter postado isso". Eu achei o texto lindo e li do início ao fim prestando toda atenção, sem querer perder uma parte. Você conseguiu deixa-lo doce, mas sem sem diabetes nem nada - aquele doce com amarguinho no final. E: "Queria tanto fazer-te meu, e queria mais ainda não querer nada disso." "Eu te odiava com todo meu amor, mas você foi pequeno demais pra segurar minha enorme confusão." me apaixonei por esses trechos.
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