Mas ela era assim. Não importa o quanto gritasse, implorasse, ou chorasse por atenção. Ela era invisível. Talvez por culpa dos cabelos pretos, lisos e compridos que combinavam com seus olhos, dois poços profundos. Talvez por culpa das roupas sempre grandes. Talvez por culpa do modo como se esgueirava pelas ruas, tentando diminuir. Talvez por culpa do jeito distante, como se não soubesse e não quisesse saber em que mundo estava.
Era triste, até, o modo como gritava silenciosamente por companhia, o modo como tentava chamar atenção. Sonhava com o dia em que finalmente seria vista, sonhava com um alguém que finalmente fosse vê-la, fosse amá-la, quem sabe, talvez, por que não? Chorava, desesperava-se, queria, mais que tudo, atenção. Não tinha. Ninguém a via.
Passava horas tentando se perder de si mesma, para quem sabe ser encontrada por outros. Andava pelas ruas observando os rostos, querendo que observassem o seu. Olhava-se no espelho e não conseguia se ver - era invisível até para si mesma. Sabia que sua história era triste, e sabia que seu destino era ser triste. Ela era assim. Conformada, depressiva, sozinha, invisível, desesperada por amor. Mal interpretada. Só queria amor.
A única coisa de que precisava, era ser salva. Precisava que alguém a tirasse do buraco depressivo em que caíra, precisava que alguém revertesse sua invisibilidade, precisava que alguém a salvasse de toda essa loucura, precisava que alguém desviasse seu caminho, para que não fosse triste para sempre. Ela precisava ser salva. Mas ninguém a via.
E ninguém me vê.
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