sábado, 6 de outubro de 2012

Notas Sobre Tudo Que Eu Deveria Dizer


São Paulo, 12 de junho de 2012 – “Notas Sobre Tudo Que Eu Deveria Dizer”
Acho que o que eu sinto mesmo é medo. Mas não medo pequeno, medo bobo. Muito medo, um medo enorme, um medo absurdo, um pavor que me gela por dentro.
Eu tenho medo de ser grudenta, carinhosa, amorosa, meiga, fofa, e nhenhenhém demais. Eu gosto – e muito! – de mimar quem eu amo, mas tenho medo. Medo de sufocar o outro e fazer-me insuportável. Medo de fazer com que enjoem de mim, medo de amar mais do que sou amada, cuidar mais do que sou cuidada, querer mais do que sou querida. Porque tudo demais, tudo em excesso, tudo que sobra é jogado é fora, e eu juro, juro, juro que não aguento mais ser jogada fora.
Eu só queria, uma vez, poder dizer sem medo. Eu só queria conseguir complicar menos as coisas. Eu só queria conseguir amar como se eu nunca tivesse sido magoada. Entregar-me, sabe? De verdade, pra valer.
Digo, eu tô entregue já, pra falar a verdade. Tô mesmo. Só que eu sempre fico pensando que vai doer pra caramba quando me jogarem fora.
Eu não quero ser jogada fora.

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