sexta-feira, 12 de abril de 2013

Grito de desespero, pedido de ajuda, quadragésima segunda nota de suicídio

A Grande Verdade de Todas As Grandes Verdades é que ninguém sabe o quanto dói até passar por isso. Essa semana estava doendo muito, mais do que o normal, e hoje, hoje parece que eu vou morrer, hoje meu peito está em fogo, meu coração apertado, e meus pulsos, minhas coxas, minha barriga, tudo, tudo, toda a extensão da minha pele está cheia de marcas, sangrando, ardendo, doendo, pulsando, é a vida pulsando na dor. É na dor que a vida fica evidente, e eu vejo como é frágil, como é fácil, e digo adeus, mas não me vou, nunca vou. Eu quero sair, quero ver as pessoas incríveis que eu gosto de ver e conversar e observar. Por que ninguém me leva pra sair? Eu quero sair, eu quero esquecer, quero fugir de mim. Aguentei a semana toda, eu mereço, oh, eu mereço, não mereço? 
Ninguém entende até passar por isso. As lágrimas que caem ardendo, elas estão caindo agora, estão ardendo agora. E esse texto cheio de dor, não chega a um terço da dor verdadeira, da dor da autora por trás desse manifesto de desespero, desse grito por socorro. 
E meu pai diz que precisamos conversar, minha mãe quer que eu volte a tomar antidepressivos, mas ela não entende, caramba, ela não vê? O único remédio eficiente é a saída, a fuga, o escape, as cervejas, as risadas, as músicas, as pessoas, aquela sensação de infinito ao conversar com quem me entende. E quem me entende? Só eles. E cadê eles? Eles estão na rua, oras, oras, oras, oras bolas! Me levem p'ras ruas! AGORA! 

...


"E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende

Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
[...]
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar p'rá casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
De que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo resistir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem quatorze anos..."



Nenhum comentário:

Postar um comentário