segunda-feira, 15 de abril de 2013

O relógio.

Os ponteiros do relógio giram, mas, por quê?, o tempo não passa.
As pessoas na rua andam, mas, por quê?, elas não vão a lugar algum.
Eles dizem que logo vai ficar tudo bem, mas, quando? Esse dia nunca chega.
Eu tomo meus remédios na hora certa, mas, por quê?, a dor nunca passa.

E caminho, caminha, caminhamos.
Choro, chora, choramos.
Corto, corta, cortamos.
Grito, grita, gritamos.

Acendo um cigarro, sem filtro.
Manda mais uma cerveja aí, seu moço!
Mas'então, e aquele dia lá? Traçou a gatinha?
Ei, esquece a cerveja e desce uma dose de tequila!

Sorriem e falam coisas sem sentido;
Como se tudo fizesse sentido.
Quando nem eles mesmos entendem,
A dor, o amor, a solidão: não compreendem.
Ninguém nunca vai entender,
o porque de toda dor ser necessária e tão duradoura.
E por que quanto mais bondoso, mais vai sofrer;
E quando vai tudo finalmente ter um fim.

Ela apaga a luz e caminha com os pulsos sangrando até o quarto,
e ouve o moço do bar pedir mais tequila.
Respira fundo e sente que quem sabe ela pudesse ter uns sonhos legais com isso.
Mas essa noite não tem sonhos...
Pra sempre ela vai dormir tranquila.

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