quinta-feira, 18 de abril de 2013

Nota não-suicida, nota de quem quer viver (ou tá tentando querer)

Imersa em água até o pescoço, esqueci como nadar. A maré sobe cada dia uns milímetros mais, e o desespero toma conta de mim quando percebo que não faço a menor ideia de como mergulhar para fora desse mar, já me esqueci onde fica a terra firme e, mesmo que lembrasse onde fica, não lembraria como chegar lá. Nadar não é tão fácil quanto parece. Não, não é só ter força de vontade. Esse tipo de mar é um perigo real, que machuca todos os dias, quando as ondas vêm forte e me deixam submersa por uns minutos.
Preciso que alguém venha me ensinar a movimentar o corpo daquela forma harmoniosa e me tirar desse mar. Preciso que alguém me dê uma bóia.
Preciso que alguém me tire da depressão, mas o único alguém que pode me ajudar sou eu mesma, e eu tô muito ocupada no momento, tentando não morrer com a água. Tô muito ocupada tentando não me afogar e, por estar tão ocupada, é que estou me afogando.
Indo pro fundo.
O fundo... O vazio que eu conheço tão bem.
Ah, às vezes nem tenho medo de deixar a água entrar nos meus pulmões. Lá no fundo é tão quentinho e conhecido, com as minhas lâminas e os meus espinhos, e a dor no estômago sem alimento, e toda essa tortura a que me submeto. Às vezes parece tão mais fácil entregar tudo e ter mais uma recaída...
Mas eu ainda luto. Ainda estou tentando lembrar como nadar. Ainda acordo e levanto todo dia. Ainda estou tentando lembrar como viver.
Ainda estou tentando. Estou tentando. Tentando. Nadando. Ainda estou.

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